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| Lisa Gerrard e Brendan Perry, criadores do Dead Can Dance |
Lisa possui uma das mais belas vozes da música popular. Tornou-se conhecida como uma das partes da banda Dead Can Dance; a outra é Brendan Perry. Lisa é australiana e Perry, apesar de inglês, formaram a banda na Austrália. Desde o primeiro álbum chamaram a atenção da crítica e formou uma legião de admiradores incondicionais desde então. Dead Can Dance é parte de uma leva que se revelou na lendária gravadora 4AD. Fizeram parte de um cast que incluía, dentre outros, Cocteau Twins, This Mortal Coil, Wolfgang Press, Bauhaus, Clan of Xymox, The Breeders e Pixies. A 4AD ficou muito conhecida também pelas primorosas capas de autoria do designer gráfico Vaughan Oliver.
Criada em 1981, a banda durou até os últimos anos do século passado. Como nos casamentos, chegou uma hora em que um se cansou do outro e partiram para carreiras solos e continuaram a fazer música de alta qualidade. Reúnem-se como Dead Can Dance ocasionalmente. Como nos casamentos, sobrou alguma coisa e não se tornaram inimigos.
É difícil classificar a música deles. Soundscapes? Talvez. São paisagens sonoras com certos ingredientes da música da Idade Média e Renascentista. Para isso contribuem os instrumentos exóticos e pouco comuns no pop. A banda carrega seu ouvinte para paisagens idílicas, misteriosas e “viajantes”. Por essas características, às vezes, são classificados como “new age”. É uma injustiça. Não podem ser assim rotulados. New age é aquela música pobrezinha cheia de clichês produzidos por sintetizadores, uma flauta pan e qualquer outra coisa a mais. Dizem que é “música para relaxar”. O amigo Alberico Cilento diz que é um som que, em vez de relaxá-lo, deixa-o tenso.
Ouvir Dead Can Dance é uma experiência ímpar. Ao vivo, é mágico. Muitos vídeos estão disponíveis no YouTube. Vale a pena dar uma olhada. Veja-os em Toward the Within. Quem não conhece a banda vai se deparar com instrumentos diferentes como o hurdy gurdy ou a clarineta turca e, principalmente, com parte das letras cantadas em alguma língua indecifrável.
O Dead Can Dance, de tempos em tempos, reúnem-se. Há uma apresentação deles em 2013, em Amsterdam. É o show na íntegra. Para quem não os conhece, é uma boa oportunidade.
Lisa. Nem os trabalhos solos de Brendan, nem de Lisa são superiores ao Dead Can Dance. Mas o mundo não para e continuam no negócio da música. Sozinha, Lisa lançou faz pouco tempo Twilight Kingdom. Sua música combina bem com trilhas sonoras de cinema e tem participado de várias. A última, salvo engano, é o que fez com Hans Zimmer, este sim, um especialista em trilhas. Ele é autor em filmes como Rei Leão, Batman, o Rei das Trevas e Gladiador. A trilha do seriado para a TV, The Bible (2013), feita por ambos, é grandiosa, climática e chata. Twilight Kingdom não é um grande disco, mas não decepciona os milhares de fãs de carteirinha de Lisa Gerrard.
Ouça neste YouTube.


