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Ouvimos a voz de Bruna Prado cantando É com Amor Que Se Constrói o Mundo, de Talis Silva, como se estivéssemos ouvindo em um desses rádios antigos. Em tempos que a tecnologia evolui tão rapidamente, tudo é possível; até o de fazer uma gravação parecer às antigas. Quem teve um brilhante insight em usar de um recurso parecido foi Woody Allen em Manhattan (1979). Quando ninguém mais pensava em filmar em preto e branco, Allen o fez. Óbvio que depois dele outros fizeram o mesmo.
Mas o recurso que Bruna utiliza não é gratuito. É o seu olhar para o passado vislumbrando o futuro. Diferentemente de muitos cantores que surgem ou estão estabelecidos, gosta da pesquisa. Tanto é que formou-se e fez mestrado na Unicamp. Sua dissertação é sobre Geraldo Filme, sambista paulista pouco conhecido. Seu universo, no entanto, não se restringe à música brasileira. É o que fica evidente na segunda faixa do CD A Maçã.
Pecado Original, de Caetano Veloso, recebe um arranjo excepcional com bela guitarra de Igor Brasil e o bandonéon importado do argentino Julio Agustín Coviello. Não é só o pecado que é original.
Ouça Pecado Original.
Na terceira faixa (Samba da Partida) revela-se a Bruna compositora. E aqui, revela-se que não é apenas boa cantora. E mais: boa letrista, com sacadas interessantes. “Amar é andar em par sobre uma corda bamba/ Então, meu bem, não se apoie, que como você/ Seu amor também cai.” Inteligentemente, já que se fala de amor, nada melhor que um bolero. Engendra com Historia de un Amor, de Carlos Almarán. Esse é um clássico.
Ouça Samba da Partida.
O amor continua em pauta na música que dá título ao disco. A Maçã é um original de Raul Seixas e de seu parceiro hoje famoso em outras plagas: Paulo Coelho. Bianca, a que fecha o CD, composição de Bruna, no fundo trata de algo que possui alguma semelhança com a anterior. As duas falam do “amor grande”, do “amor que não é de um só”. A “maçã” de Coelho são “várias maçãs”: “Se eu te amo e tu me amas/ Um amor a dois profana/ O amor de todos os mortais/ Porque quem gosta de maçã/ Irá gostar de todas/ Porque todas são iguais.” Bruna, em Bianca, canta “O amor, quando é grande/ Não cabe em dois corações/ Transborda para três, pra quatro, pra cinco/ E cuida de todos com zelo de uma mãe.”
Preste atenção no arranjo originalíssimo de A Maçã.
Musicalmente, Bruna é original. Os arranjos não têm nada da pasteurização reinante. Incorpora elementos de várias culturas. Ora é rock, pop, MPB, é um pouco como o amor que tratam as duas últimas músicas do CD. Ela não se prende em preconceitos. Por tudo isso, vale muito a pena conhecer o trabalho de Bruna Prado.
Show de lançamento. Quer conhecer o trabalho de Bruna Prado? Vá ao lançamento do CD no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos. Atenção: Shopping Villa-Lobos. Não confunda com a Livraria Cultura da Al. Santos. É neste sábado (13/9), às 20h30.


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