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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

José James homenageia Bill Withers

José James e seu visual para homenagear Bill Withers
Boa parte da nova geração de vocalistas considerados do universo do jazz, estão bem longe do mainstream como, digamos, Tony Bennett.

Gerações mais novas, mesmo gostando de jazz, cresceram ouvindo outros gêneros musicais. São exemplos, Gregory Porter, José James, Leslie Odom, Jr., Jamison Ross, Dwight Trible e o alemão Theo Bleckman, esses dois últimos, nem tão jovens. Podem até cantar “Summertime”, “They Can’t Take That Away from Me” ou “I Love Paris”, mas não são o prinicipal de seus repertórios.

O mais conhecido e considerado o melhor é Gregory Porter. Tem uma bela voz de barítono, registro que não é comum. São poucos: Billy Eckstine, Johnny Hartman, e, dentre os não tão antigos, Andy Bey e Kevin Mahogany,  morto há pouco mais de um ano. No álbum mais recente, Porter homenageia seu ídolo, em “Nat King Cole & Me”.

O que ajuda na popularidade de Porter é lançar por um grande selo. Tradicional e responsável por um respeitável portfólio de grandes discos de jazz, o Blue Note, atendendo às mudanças do público, tem contratado intérpretes que em outros tempos não se encaixariam no seu perfil. Outro destaque da mesma gravadora é José James. Como Porter, lançou álbuns com repertório mais tradicional, como “For All We Know” (Impulse, 2010), com o pianista Jef Nieve, e mais recentemente, o fenomenal “Yesterday I Had the Blues” (Blue Note, 2015), tributo à Billie Holiday. Sua preferência, entretanto, é por um som cujas linhas musicais estão mais associadas ao pop, r&b e ao hip-hop.

James é outro cantor de voz grave, um pouco diferente da de Porter, um “whiskey-sour baritone”, segundo John Murph, da revista Downbeat. Coincidentemente, seu disco mais recente é um tributo, mas de alguém da seara r&b, Bill Withers, autor do clássico “Ain’t No Sunshine”

Veja JJ interpretando “Ain’t No Sunshine’, em apresentação em Paris.




Em “Lean on Me”, abre justamente com essa canção. Não é o único hit do compositor. Tem muitos outros, que estão presentes no álbum: a música título,“Kissing My Love”, “Just the Two of Us”, “Hope She’ll Be Happier” e “Better Off Dead”, as minhas preferidas.

Ouça o álbum pelo Spotify.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

A lista dos melhores álbuns do ano na Downbeat, segundo a crítica

Até hoje não entendo direito sobre a correspondência das datas que estão impressas nas revistas e a de quando é disponibilizada. Quando assinava a Downbeat, várias décadas atrás, elas vinham pelo correio e, como demoravam, essas datas coincidiam mais ou menos. Hoje, com a assinatura digital, recebo o link delas com mais de um mês de antecedência. Exemplo: no dia 25, recebi a notificação de que tinha disponível a edição de agosto. Estranho, não.

Pois, agosto, além de ser o mês do cachorro louco, é o de quando a Downbeat publica o seu “Annual Critics Poll”, sendo a de 2017, a sua 65ª. Como de costume, listo os dez mais bem votados, pela ordem, e algumas observações sobre outros que ficaram um pouco atrás.

1. Wadada Leo Smith, “America’s National Parks” (Cunneiform)
2. Henry Threadgill, “Old Locks and Irregular Verbs” (PI)
3. Fred Hersch, “Sunday Night at the Vanguard” (Palmetto)
4. Jack DeJohnette, Ravi Coltrane, Matthew Garrison, “In Movement” (ECM)
5. Nels Cline, “Lovers” (Blue Note)
6. Sonny Rollins, “Holding the Stage: Road Shows vol. 4” (Doxy/Okeh)
7. Gregory Porter, “Take Me to the Alley” (Blue Note)
8. Matt Wilson’s Big Happy Family, “Beginning of a Memory” (Palmetto)
9. Andrew Cyrille Quartet, “Declaration of Musical Independence” (ECM)
10. Branford Marsalis Quartet feat. Kurt Elling, “Upward Spiral” (Marsalis Music/Okeh)

Mesmo sendo resultado de seres que, teoricamente, são os bambans, quase nunca bate com o gosto da patuleia. Mais que natural. Neste ano, porém, a concordância com a quase totalidade, bate com a de um membro desse grupo: eu.

O rastafarian Wadada
Mais vanguarda, melhores
Natural que aqueles álbuns mais “cabeça”, ou seja, menos povão, tendam a liderar as listas. Afinal, é o crème de la crème que está escolhendo os melhores, e os melhores dos melhores estão elencando os melhores. Tanto que os dois primeiros são os mais “vanguarda” dentre os dez. Um terceiro, de outro nome ligado à vanguarda, ficou em nono: “Declaration of Musical Independence”, do baterista Andrew Cyrille. Aliás, poderia estar entre os cinco, facilmente. O ex-membro do fabuloso Air, do também Henry Threadgill, é um dos veteranos da AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians).

Leo Smith começou e passou a ser conhecido fazendo parte da AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians), grupo de vanguarda de Chicago. O nome é bem pretensioso. Tenho um pouco de reservas por isso até hoje. Apesar de tudo, impressionante o número de bons músicos que revelou: Anthony Braxton, Muhal Richard Abrams, Leroy Jenkins, Roscoe Mitchell, Steve McCall, George Lewis, Jack DeJohnette, Amina Claudine Meyers, Lester Bowie, Chico Freeman, Famoudou Don Moye e outros. É uma verdadeira seleção alemã, com direito a bons reservas.

Leo Smith nem era o mais prestigiado no tempo em que Braxton era uma das estrelas da cena avant garde. Agora veterano e depois de convertido à seita rastafari, incorporando o “Wadada” ao antigo nome, atualmente, é um dos mais incensados pela crítica. Gravou uma avalanche de discos, todos, sem exceção, elogiados: “Ten Freedom Summers” (2012), segundo melhor do 61st Annual Critics Poll, da Downbeat, “The Great Lake Suites” (2014), quarto melhor de 2015, no mesmo poll, “Celestial Weather” (2015), 17º no de 2016, e agora, primeiro, com “America’s National Park”. Merece? Se não em primeiro, entre os dez. Gosto é gosto, como diria um amigo. Nunca seria o meu primeiro.

Ouça trecho de “America’s National Park”



Outro que a cada lançamento está presente entre os melhores é Henry Threadgill. Era genial com o trio Air, e continuou com suas várias formações posteriores. É um dos músicos mais originais do jazz. É aquele que melhor tira partido de contrastes sonoros. O registro agudo ou médio do saxofone alto e da flauta é combinado com os mais graves, como do trombone e a tuba; em vez do contrabaixo, gosta de usar o violoncelo e a presença de guitarristas “diferentes”, como Brandon Ross e Liberty Ellman, resultam em algo bem original.

Depois do Air, montou as bandas Make a Move, Very Very Circus e a Zoid. A de “Old Locks and Irregular Verbs” é a Ensemble Double Up. Não toca no álbum; é apenas autor e arranjador. Em seu lugar, são dois saxofones alto (Roman Filiu e Curtis MacDonald), dois pianistas (Jason Moran e David Virelles), Christopher Hoffman no cello, José Davila na tuba e Craig Weinrib na bateria. Alto nível. A minha fase preferida é a da época do Make a Move.

Ouça a “Part IV”, faixa final.



Mainstream ou, quase
O álbum mais “fácil” da lista é o de Fred Hersch; foi gravado ao vivo no clube Village Vanguard, Nova York. Fred é acompanhado por John Hébert e Eric McPherson. Particularmente, acho que tem vários pianistas mais interessantes que ele, e “Sunday Night at the Village” é apenas outro bom disco no formato trio.

“In Movement”, de Jack DeJohnette, com Ravi Coltrane, Matthew Garrison, seria o meu preferido do ano. É brilhante. Funciona como uma espécie de tributo a John Coltrane. DeJohnette chegou a tocar com o saxofonista, Matthew é filho de Jimmy Garrison, e Ravi é filho do grande mestre.

Ouça “Serpentine Fire”.




Nels Cline é o exemplo do músico eclético. Irmão gêmeo do baterista Alex Cline, muitos o conhecem como membro da banda Wilco, mas Nels começou no jazz. Nos últimos anos, tem aparecido bastante nas publicações especializadas no gênero graças aos bons álbuns que tem lançado. Antes do duplo “Lovers”, saiu um duo com Julian Lage (“Room”, 2014), e “Initiate” e “Macroscope”, como The Nels Cline Singers.

Ouça o standard “Glad to Be Unhappy”, em versão bem interessante, diferente daquela que você deve ter ouvido com Billie Holiday e Frank Sinatra.




Sonny Rollins, com “Holding the Stage”, quarto da série “Road Shows”, e Gregory Porter, com “Take Me to the Alley” vêm em seguida. O primeiro é uma seleção de registros das turnês daquele que é considerado um dos melhores de todos os tempos no sax tenor. É raspa de tacho do veterano músico. Está entre os dez pela reverência dos críticos aos velhinhos. 

A tendência dos cantores que têm surgido nos últimos anos é a de distanciarem-se bastante do mainstream. José James, Theo Bleckman e Gregory Porter são os melhores exemplos. É uma tendência. James e Porter vão pelo caminho da tradição negra da música americana, abarcando o gospel, o rhythm’n’blues, soul, hip hop, tudo com o sabor ou sabedoria de mesclá-los. Bleckman segue por outra seara: é branco e alemão.

Veja Porter em “Take Me to the Alley”.



Na onda dos bateristas que gravam como líderes, Matt Wilson é um dos destaques da atualidade. Tem mais de uma dezena de títulos gravados, quase todos pelo selo Palmetto. Não é apenas baterista. É compositor de talento como demonstra em seus discos. “An Attitude for Gratitude”, de 2012, foi o último antes de “Beginning of a Memory”. Formou a Matt Wilson’s Big Happy Family para a gravação deste. Acaba de sair “Music Inspired by the Poetry of Carl Sandburg” com a nova formação, agora, Matt Wilson’s Honey and Salt.

Em décimo – para mim estaria entre os cinco melhores – os críticos elegeram “Upward Spiral”, de Branford Marsalis, “featuring” Kurt Elling. Como emergiu para a fama depois do irmão Wynton, sofreu um pouco pela comparação, mas, depois de todo esse tempo, nem é mais preciso se afirmar; é de fato um dos melhores saxofonistas da atualidade, tanto no soprano como no tenor. Elling, para mim, continua a ser o melhor cantor de jazz, apesar de ter perdido o posto, depois de quinze anos, justamente, para Gregory Porter. Ninguém consegue ser unanimidade nesse mundo tão pulverizado.

Elling estraçalha em “A Practical Arrangements”, de Sting. Nem é preciso dizer sobre o sax de Marsalis. Confira.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Muitos lançamentos, além da ECM

Na postagem anterior, listei os principais lançamentos pela ECM. Não é a única a nos brindar com bons discos.

Muita coisa mudou na estrutura e grandes selos importantes do jazz como o Verve, criado por Norman Granz, e abrigou estrelas como Ella Fitzgerald e Oscar Peterson, não existem mais, pelo menos, nos modelos em que os conhecemos. Se não me engano, agora, pertence ao Universal Music Group, e controla também selos da música erudita, como a Deutsche Grammophon, Decca Classics, Mercury Classics; e é responsável pela distribuição mundial do catálogo da ECM.

Um dos chefões da Verve é David Foster, um produtor que mira mais as vendas do que a qualidade. E não vemos mais álbuns de jazz com o antigo logotipo Verve. Sua estrela é Diana Krall e parece ser a única do casting. Estranho, muito estranho.

Como “filhos” da Verve, destacam-se o Impulse, que abriga Madeleine Peyroux, Sarah McKenzie, John Scofield, Indra Rios-Moore, e o tradicional Blue Note, cada vez menos voltado ao jazz.

Fora da Universal, temos a alemã ACT Music, que comemora 25 anos, e possui um dos melhores catálogos da atualidade. O Concord Group, que cresceu muito, abarca uma série de selos, como a Telarc, Heads Up, Stax e o Concord Jazz.

Vamos aos destaques.

A imagem de José James no novo álbum
Blue Note
• Gregory Porter: “Take Me to the Alley”
• José James: “Love in a Time of Madness”
• Kandace Springs: “Soul Eyes”
• Nels Cline: “Lovers”
• Norah Jones: “Day Breaks”
• Robert Glasper Experiment: “Artscience”
• Terence Blanchard: “The Comedian Soundtrack”
• Trombone Shorty: “Park Lot Symphony”

O selo tem os dois cantores mais apreciados da atualidade. Gregory Porter desbancou o longo reinado de Kurt Elling como o melhor cantor de jazz. Como outro destaque do selo, José James, o rótulo “jazz” é pequeno para o que desenvolvem. É uma fusão do jazz, com fortes influências do soul, rhythm’n’blues,  gospel, além da incorporação da eletrônica, mais no caso de James. São duas vozes poderosas e dois talentos criativos. Norah é Norah. “Day Breaks” é um álbum muito agradável. Robert Glasper começou “pianinho”. Impressionou a crítica. O mesmo foi com Trombone Shorty. Começaram com gravações “mais jazz”, para capturar a crítica, como Esperanza Spalding, e partiram para projetos mais pessoais e não possuem alguma relação com o que reconhecemos como jazz. Não é uma crítica;  é uma constatação.

Kandace Springs é mais conservadora, comparando-se com os citados. Terence Blanchard, que surgiu na época de Wynton Marsalis, também. Nels Cline faz o percurso inverso: guitarrista da banda alternativa Wilco, o veterano tem feito bons discos instrumentais, seja como líder ou em parceria com guitarristas como o “newcomer” Julian Lage.

Ouça “Closer”, de José James.




Gregory Porter é a voz do momento, com James. Ouça “Take Me to the Alley”.




Ouça “The Bond”, de Nels Cline.




ACT Music
• Eric Schaefer: “Kyoto Mon Amour”
• Iiro Rantala, Lars Danielsson, Peter Erskine: “How Long Is Now?”
• Jan Lundgren: “Postdamer Platz”
• Julian & Roman Wasserfuhr: “Landed in Brooklyn”
• Lars Danielsson: “Liberetto III”
• Natalia Mateo: “De Profundis”
• Richie Beirach & Gregor Huebner: “Live at Birdland New York”
• Ulf & Eric Wakenius: “Father and Son”
• Victoria Tolstoy: “Meet Me at the Movies”
• Emile Parisien, Vincent Peirani, Andreas Schaerer, Michael Wollny: “Out of Land”
• Youn Sun Nah: “She Moves on”

A alemã ACT Music, fundada por Siegfried Loch, acaba de completar 25 anos de vida, e é uma das melhores gravadoras da atualidade. Foi nela que o genial pianista Vijay Iyer se consagrou como um dos novos nomes do jazz – grava atualmente na concorrente ECM – e foi responsável por tornar conhecido o trio e.s.t., de Esbjörn Svensson, tragicamente falecido fazendo mergulho. Com um elenco de bons músicos alemães, escandinavos e outros da Europa Oriental, a ACT vem sendo uma garantia de boa música.

Dentre as cantoras, a coreana Youn Sun Nah é a de maior prestígio internacional. Conta também com Victoria Tolstoy, que tem entre seus maiores atributos a beleza e o parentesco com o escritor russo Liev Tolstói. Natalia Mateo é uma das boas revelações. Diferente, é muito interessante.

Infelizmente, as canções do CD mais recente foram bloqueadas no YouTube. Mas como Mateo é uma intérprete que merece ser conhecida, ouça “Strange Fruit”, do penúltimo.




Não tive tempo de escutar todos os lançados pela ACT, mas dos que ouvi, “Father & Son”, de Ulf Wakenius, com seu filho Eric, é muito bom. Ouça o brilhante duo de violões, em “Birdland”, de Joe Zawinul.




Outras gravadoras
• Aki Takase & David Murray: “Cherry - Sakura” (Intakt)
• Akua Dixon: “Akua’s Dance” (self released)
• Andrea Motis: “Emotional Dance” (Impulse)
• Beata Pater: “Fire Dance” (B&B Records)
• Becca Stevens: “Regina” (GroundUP)
• Benny Green: “Happiness!” (Sunnyside)
• Betty Buckley: “Story Songs” (Palmetto)
• Billy Childs: “Reborn” (Mack Avenue)
• Bobby Watson: “Made in America” (Smoke Sessions)
• Cameron Graves: “Planetary Prince” (Mack Avenue)
• Chano Dominguez: “Over the Rainbow” (Sunnyside)
• Chick Corea: “The Musician” - 3 CDs + 1 DVD (Concord)
• Chris Thile & Brad Mehldau: “Chris Thile & Brad Mehldau” (Nonesuch)
• Christian Scott aTunde Adjuah: “Ruler Rebel” (Ropeadope)
• Christian Sands: “Reach” (Mack Avenue)
• Cuong Vu 4-tet: “Ballet | The Music of Michael Gibbs” (Rarenoise)
• Daniel Herskedal: “The Roc” (Edition Records)
• David Binney: “The Time Verses” (Criss Cross)
• David Gilmore: “Transitions” (Criss Cross)
• Dayna Stephens: “Gratitude” (Contagious)
• Diana Krall: “Turn Up the Quiet” (Verve)
• Dwiki Dharmawan: “Pasar Klewer” (Moonjune)
• Eliane Elias: “Dance of Time” (Concord)
• Enrico Pieranunzi: “New Spring | Live at The Village Vanguard” (Cam Jazz)
• Eric Alexander: Second Impression” (HighNote)
• Ethan Iverson: The Purity of the Turf” (CrissCross)
• Giacomo Gates: “What Time Is It?” (Savant)
• Jazzmeia Horn: “A Social Call” (Prestige)
• Jeremy Pelt: “Make Noise” (HighNote)
• Joey DeFrancesco: “Project Freedom” (Mack Avenue)
• Julian Lage & Chris Eldridge: “Mount Royal” (Free Dirt Records)
• Julian Lage: “Live in Los Angeles” (Mack Avenue)
• Kendra Shank & Geoffrey Keezer: “Half Moon | Live in New York”
• Kevin Eubanks: “East West Time Line” (Mack Avenue)
• Kurt Elling: “Sings Christmas | The Beautiful Day” (Okeh)
• Kurt Rosenwinkel: “Caipi” (Heartcore)
• Linda May Han Oh: “Walk Against Wind” (Biophilia)
• Madeleine Peyroux: “Secular Hymns” (Impulse)
• Matthew Stevens: “Preverbal” (Rodeadope 339)
• Miles Okazaki: “Trikster” (Salis Sea)
• Miroslav Vitous: “Ziljabu Nights” (Intuition)
• Noah Preminger: “Meditations on Freedom” (self released)
• Olivier Le Goas: “Reciprocity” (Neuklang)
• Omar Sosa & Seckou Keita: “Transparent Water” (Otá)
• Regina Carter: Ella: “Accentuate the Positive” (Okeh)
• Richard Galliano: “New Jazz Musette” (Ponderosa Music & Art)
• Roberto Fonseca: “ABUC” (Impulse!)
• Steve Nelson: Brothers Under the Sun” (HighNote)
• The Jazz at The Lincoln Center Orchestra: “The Music of John Lewis” (Blue Engine)
• Tigran Hamasyan: “An Ancient Observer” (Nonesuch)
• Tom Harrell: “Someting Gold, Something Blue” (HighNote)
• Troy Roberts: “Tales & Tones” (Inner Circle)
• Yelena Eckemoff: “Blooming Tall Phlox” (L&H)
• Yilian Cañizares: “Incocación” (Naïve)
• Yotam Silverstein: “The Village” (Jazz & People)

O tão esperado novo disco de Diana Krall é mais ou menos como o “tão esperado novo disco” de Marisa Monte. É mais ou menos o mais do mesmo. Não que isso signifique um trabalho ruim. “Turn Up the Quiet” é um bom disco, como qualquer outro dela. Diana chegou naquele ponto em que não faria coisa ruim, nem que quisesse. Esse álbum é resultado da competência adquirida pela experiência e talento natural. Ninguém vai dar cinco estrelas, porque não é superior aos seus melhores trabalhos. É mais jazz que os dois anteriores. O repertório de “Wallflower” era calcado em sucessos pops, como “Desperado”, dos Eagles, e “Sorry Seems to Be the Hardest Word”, de Elton John e Bennie Maupin. As canções de “Glad Rag Doll” são mais antigas; são temas que conheceu por meio das preferências de seu pai.

No setor de vozes, a boa novidade é a espanhola Andrea Motis. Com apenas 21 anos, Andrea transmite uma segurança não muito frequente para uma garota dessa idade. Lançou-se cedo na música, com 14 anos, participando da banda de Joan Chamorro, músico que tem revelado bons talentos em Barcelona. Motis tem futuro. É bela, é afinada e além de cantar, toca trompete, o que lhe dá um charme especial. “Emotional Dance” é seu primeiro álbum por uma gravadora maior.

O melhor dos álbuns vocais citados é o despojado “Secular Hymns”, de Madeleine Peyroux. Muito bom mesmo.

Veja Andrea Motis a cantar “He’s Funny that Way”.




Ouça “Tango till They’re Sore”, com Madeleine Peyroux.




Dessa avalanche de lançamentos, impossível ouvir todos para se fazer algum juízo. Dos aqui listados, gostei muito de “Sakura”, duo com Aki Takase e David Murray. Os dois são identificados como avant garde, mas perfeitamente palatáveis. Acompanho Murray desde “Low Class Conspiracy” (1976). Sou fã até hoje. “Sakura” é um dos meus preferidos do ano. Outros muito bons – vou pela ordem alfabética:
— “Akua’s Dance”, da excelente violoncelista Akua Dixon;
— “Happiness”, de Benny Green, excelente pianista;
—  “Story Songs”, da cantora e atriz de musicais, como “Cats”, álbum duplo com temas de várias épocas, mas com temas mais contemporâneos, como os de Peter Gabriel, Sting, Leonard Cohen e Joni Mitchell;
— Tudo o que Billy Childs faz é bom. Inexplicável que não seja mais conhecido, tanto como compositor como tecladista e arranjador. “Reborn” é excepcional;
— O álbum de Chris Thile em duo com Brad Mehldau é bem interessante. Bandolinista e cantor, trafega à vontade no erudito, jazz e no folk. Lançou recentemente um CD com Yo-Yo Ma e Edgar Meyer, dedicado ao repertório de Johann Sebastian Bach;
— Christian Scott, que agora, assina Christian Scott aTunde Adjuah, tem novo CD na praça. “Ruler Rebel” não está entre seus melhores. Já seu xará, Christian Sands, manda bem com “Reach”, em sua estréia pelo Mack Avenue;
— Cuong Vu tinha impressionado em “Cuong Vu Meets Pat Metheny”. O vietnamita faz parte da banda de Pat e agora lança o belo “Ballet | The Music of Michael Gibbs”;
— “New Spring”, ao vivo no Village Vanguard, é mais um disco de Enrico Pieranunzi acompanhado de Scott Colley e Clarence Penn, nesses registros, com o saxofonista Donny McCaslin. O italiano é outro que nos álbuns recentes mantêm a qualidade em cima, como Eric Alexander, com “Second Impression”. É atualmente uma das vozes mais vigorosas do saxofone tenor. Ethan Iverson, pianista de The Bad Plus, em “The Purity of the Turf”, conta com outros companheiros: Ron Carter e Nasheet Waits. Ambos são garantia de boa música;
— Além de Diana Krall, na lista das vozes, temos Giacomo Gates, Jazzmeia Horn, Kurt Elling, Kendra Shank e Becca Stevens. De todos – Elling, Gates e Kendra Shank são veteranos –, a grande novidade é Jazzmeia Horn. Vencedora do Thelonious Monk International Jazz Vocal Competition de 2015, foi contratada pelo grupo Concord, por meio do selo Prestige (é um dos labels mais tradicionais do jazz e, vejam como essas mudanças são estranhas). Tem cancha e é craque nos scats e outros “truques” do jazz, o que pode levar a juízos equivocados, mas é boa, e se for bem assessorada, pode se transformar em uma das melhores cantoras.

Não é à toa que o álbum de estreia se chame “A Social Call”. Revela influências de Betty Carter. Ouça sua interpretação desse jazz standard.




Veja Kendra Shank, com Geoffrey Keezer.




Veja Aki Takase e David Murray, em “Bright Mississippi”, de Thelonious Monk.





terça-feira, 29 de setembro de 2015

O doce balanço de Allan Harris

Allan Harris, no Fowley Center
Uma boa interpretação de um standard consagrado, de modo original, nos chama a atenção, naturalmente. Standards são standards. Noventa por cento dos cantores e cantoras não trazem nenhuma novidade cantando-os, mesmo que tenham belas vozes. As diferenças são muito sutis. Também não adianta cantar Summertime em ritmo funk para ser original. O bom gosto sempre deve estar presente. Essa qualidade não falta a Allan Harris.

A caminho dos 60 (nasceu em abril de 1956), não é um cantor muito conhecido, no entanto, merecia. Nunca se sabe por que alguns são famosos aos 20, 30 ou 40 – e mantêm-se no topo ou são logo esquecidos – e outros, nunca chegam ao estrelato apesar de bons. Tardiamente, Harris tem aparecido nas listas dos melhores em revistas especializadas. Na última lista dos melhores, pela Downbeat, sequer está entre os melhores, mas ficou em primeiro dentre os “rising stars”. Está um pouco velho para ser um “rising star”, bom, mas nunca é tarde. No ano anterior, também despontava como um dos “rising stars”.

Uma possibilidade de estar ficando mais conhecido apenas agora. pode ser em razão do que lançou anteriormente. O álbum Open Up Your Mind, de 2011, vai por uma seara complicada: aquela em que nunca se sabe se é pop ou jazz. Talvez funcione melhor para alguns, que são realmente jovens, como Jamie Cullum ou Michael Bublé – se bem que este é um jovem “velho” –, mas para muitos que perseguem a fama por esse terreno conseguem desgostar os amantes do pop e do jazz ao mesmo tempo.

Em seus lançamentos mais recentes, Allan, sem tornar-se um mainstream, aproxima-se do que o ouvinte de jazz quer escutar. Convergence, lançado no ano seguinte ao Open Up Yor Mind, tem como referência os dois discos que Tony Bennett canta com o genial piano de Bill Evans. As canções escolhidas, inclusive, são uma pista clara: Some Other Spring, Waltz for Debby, Days of Wine and Roses, But Beautiful, We’ll Be Together Again e Some Other Time são temas caros ao fabuloso Bill. Está certo que a pianista Takana Miyamoto não é Bill Evans, mas é uma parceira perfeita para o canto de uma voz impecável de barítono, que é a de Allan Harris. Afinadíssimo, mesmo grave, tem aquela quentura do registro das vozes negras. É uma voz inequivocamente negra.

De Convergence, veja Harris e Takana em The Days of Wine and Roses.




Ouça My Foolish Heart, com Harris e Miyamoto.




Bom, mas vamos ao tema referido no primeiro parágrafo. É Funny Valentine, do mais recente Black Bar Jukebox. O órgão é de Pascal Le Boeuf, que faz contraponto à bela marcação da bateria de Jake Golbas.

Veja o clipe. Grande voz. A voz de Gregory Porter (leia em http://bit.ly/UjCi2R), o darling atual da crítica, é parecida com a de Harris.




Um dos melhores números de Black Bar Jukebox, além de My Funny Valentine, é Miami.




Ouça outras faixas de Black Bar Jukebox.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Nina Simone revista e revisitada

Um CD e um documentário na Netflix, lançados neste mês, trazem o nome de Nina Simone à luz da ribalta. O primeiro chama-se Nina Revisited, e o segundo, What Happened, Nina Simone?

Boa pergunta: o que aconteceu com Nina Simone? Ela é uma daquelas unanimidades, uma quase deusa, de quem não se pode falar, sob o risco de ser linchado publicamente. Alguns nomes despertam esse sentimento beatífico. Como Chet Baker, ou, Elis Regina. No caso da brasileira, parece que ninguém se lembra que andou cantando Eu Te Amo Meu Brasil, de Dom e Ravel, e que foi orgulhosa participante dos festejos dos 150 anos da Independência do Brasil, em 1972, época em que a ditadura fazia um bom estrago. Por esse episódio, o humorista Henfil enterrou-a no Cemitério dos Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô, que era o lugar para onde mandava os afinados ao regime militar.

Nina Simone, pelo contrário, nunca “cantou” ou adulou ditadores. Seu despertar para a segregação racial, aliás, ceifou a carreira ascendente da cantora.

Nina, nascida Eunice Kathleen Waymon, adotou o nome unindo “Nina”, derivado do apelido “Niña” que um namorado lhe dera quando adolescente, e “Simone”, depois de ter visto um filme da atriz francesa Simone Signoret. Coincidentemente, seu primeiro álbum chamou-se Little Girl Blue. Era comnhecida quando casou-se com Andrew Stroud. Este largou a polícia para tornar-se seu empresário.

Andy era um cara esperto. Investiu em um show no Carnegie Hall, Nova York. Foi a virada. Consagrada, a agenda vivia lotada. E o dinheiro veio em pencas. Compraram uma bela casa e tiveram uma filha: Lisa. O marido caiu como uma luva em relação aos seus mais íntimos desejos. Em uma lousa de sua casa estava escrito: “Serei a negra mais rica”’. Além da casa, possuía um carro luxuoso na garagem e tinha prazer em ver estampadas fotos posando em seu possante automóvel.

Se Andrew era bom empresário, como marido não era dos melhores. Batia em Nina com frequência. Pelo jeito, Nina não via isso como problema. Sentia-se esgotada com o número de apresentações que tinha de fazer. Vivia se queixando de cansaço, dormia sob efeitos de soníferos, reclamava, mas ele dizia: se você quer ficar rica tem que trabalhar. Nesse estado, perdera a vontade de fazer sexo.

Os dois tinham ido a uma boate e um admirador deu-lhe um bilhete. Andrew viu-a colocar o papel no bolso. Enfurecido, tirou-a de lá a passou a socá-la. Em casa, continuou, até quando subiam a escada. Apontou-lhe uma arma, amarrou-a na cama, e a estuprou. Não era normal. Em seu diário está escrito: “Adoro violência física, mesmo no sexo e no amor.”

Os distúrbios de setembro de 1963, em Birmingham, depois da morte de quatro crianças negras e 20 feridos em uma decorrência de uma bomba jogada em uma escola cristã, representam uma guinada na vida e na arte de Nina. Revoltada, lança Mississippi Goddam. A cantora que desejava ser a negra mais rica deixou de existir. Era agora a Nina “Passionária”, engajada. A luta pelos direitos civis aproximou-a de intelectuais negros como Langston Hughes, James Baldwin, o cantor Harry Belafonte, ligados ao Partido Comunista americano, ativistas como Martin Luther King e Malcolm X, e artistas e músicos como Sammy Davis, Jr. e brancos como Leonard Bernstein.

Uma das consequências de seu engajamento foi a drástica diminuição de convites para apresentar-se. Os brancos não estavam acostumados com palavrões em rede nacional. “Puta que pariu” (goddam) era um tanto forte. A nova fase representou outra transformação: se antes perdera o apetite para o sexo, nessa nova fase, voltou, e de modo intenso. Isso serviu para a degradação do casamento. Andrew devia ter muitas mulheres, mas não devia estar gostando de ver Nina transando com muitos homens.

Nina deixou os EUA e mudou-se para a Libéria, país na África criada por escravos americanos libertos. Morou também em Barbados, Holanda, Inglaterra, Bélgica e França. Longe da América, viu a carreira declinar. Foram seis anos desde o último até gravar o álbum, em Bruxelas, para a CTI, de Creed Taylor. Eram conhecidas as oscilações de humor de Nina. Desde o início da carreira, passava pitos na plateia e interrompia shows. Dizia que o público tinha de ser como os das salas de concerto. Com o passar do tempo, a instabilidade de humor se agravou. Era quase impossível conviver com a cantora. Replicava a violência física vivida com o marido batendo na filha. Lisa foi embora quando tinha 14 anos. No fim dos anos 1980, Simone foi diagnosticada como bipolar.

O mundo tinha esquecido de Simone. Graças aos esforços do amigo Clifton Henderson, voltou a fazer shows. Não possuía mais o antigo brilho. Mas era cultuada pela crítica, mais pelo seu passado. E o público foi na onda “cult”. A maioria dos fãs de hoje são aqueles que a conheceram quando era uma sombra do que fora. Natural. Quem era fã de Nina Simone no início dos anos 1960 deve ter por volta de 70, 80 anos. Assisti a uma apresentação dela nessa fase final. Entrou vagarosamente – parecia bêbada –, sentou-se ao piano, não olhou uma vez para os que a assistiam, desafinou bastante, e foi embora.

Mais um álbum tributo. Depois do belo álbum Autour de Nina (http://bit.ly/1Hs0L7l), é lançado o tributo americano. Nina Revisited – A Tribute to Nina Simone, uma produção de Lauryn Hill e Robert Glasper. Considerando-se os envolvidos, alguns podem adorar antes de ouvir o álbum e, outros, ficarão com um pé atrás. O ideal é ouvir sem juízos anteriores. Glasper é um pianista rising star. Mostrou competência com seu trio e agradou até aqueles que não são fãs do rap ou do hiphop.

Quem conhece The Miseducation of Lauryn Hill sabe do quanto ela é boa. Inexplicavelmente, sua discografia se resume a este álbum e um ao vivo na MTV. Desde o seu lançamento – 1998 – até agora, passou mais de uma década. A última vez em que se falou de Hill foi quando foi presa, em 2013, acusada de ter sonegado imposto sobre 1,3 milhão de dólares de ganhos.

Quando entrou no projeto de Nina Revisited, sua participação não seria tão grande como acabou acontecendo. Sorte nossa. Lauryn arrasa em vários números.

Ouça Black Is the Colour of My True Love’s Hair.


Ouça a original com Nina Simone.


Grande interpretação de Feeling Good.



A melhor: Wild Is the Wind.



Outro destaque é Gregory Porter – como sempre, ótimo – cantando Sinnerman.



A grande surpresa (boa) é a versão matadora de I Put a Spell on You, com Alice Smith.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O disco tributo francês a Nina Simone

Imagem da capa de Autour de Nina
Uma das fórmulas mais usadas pela indústria musical é homenagear algum medalhão aproveitando alguma efeméride. Se antigamente apenas cinquentenários ou centenários eram comemorados, hoje, qualquer ocasião serve.

Se Nina Simone nasceu nasceu em fevereiro de 1933 e morreu em abril de 2003, com 70 anos, teria sido razoável um festival de homenagens no ano passado, pois, viva, completaria 80. Não lembro de algum. Mas, agora no fim de 2014, foi lançado Autour de Nina, pela Verve francesa.

A França fez parte da vida de Nina. Foi sua última morada nos últimos dez anos. Devido a relação bipolar de amor e ódio ao país que nasceu, saiu dos EUA no início de 1970 e foi mudou-se para Barbados. Passou pela Libéria e Suiça, antes de estabelecer-se na região de Aix-en-Provence. Essa pode ser uma boa razão para a produção de Autour de Nina. Agorinha, em 16 de novembro aconteceu o concerto de lançamento no Studio 104, da Maison de la Radio, em Paris.

O álbum é uma seleção com títulos menos e mais conhecidos associados à Nina. Ao contrário da maioria dos tributos, habitualmente, saco de gatos, este Autour de Nina é uma produção bem cuidada, com intérpretes de primeira linha, apesar de não serem tão conhecidos. É uma turma em que um deles, pelo menos, já é estrela. Gregory Porter foi considerado o cantor do ano pela revista Downbeat, além de ter seu Liquid Spirit como quarto melhor do ano (http://bit.ly/15aNe8O). Ele é um dos escolhidos e é o grande destaque, cantando Black Is the Color (of My True Love’s Hair).

Ouça.




Se o resto não é melhor do que esta, há vários pontos altos. Para se ter uma ideia, quem abre o álbum é a estrela em ascensão Lianne La Havas, cantando Baltimore.

Veja o promocional com La Havas.


Outra bem conhecida é Melody Gardot (mais sobre Melody em http://bit.ly/11MtN3Y, http://bit.ly/1xS1dwe e http://bit.ly/11pCbGB), em outro clássico de Simone: Four Women.

A seleção é bem cosmopolita. Tem, desde a sul coreana, razoavelmente conhecida por quem conhece o catálogo da alemã ACT, Youn Sun Nah, os franceses Ben l’Oncle Soul, Olivia Ruiz e Camille, Hindi Zahra, franco-marroquina, Keziah Jones, nigeriano, Sophie Hunger e La Havas, ingleses, e Porter e Gardot, americanos.

Por último, ouça Feeling Good, com Ben l’Oncle Soul. O rapaz tem uma voz parecidíssima com a de Nina. 

Veja o teaser.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Gregory Porter em São Paulo

A TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer –, além de fazer um grande trabalho, tem uma programação de espetáculos artísticos que é vendida em pacote e individualmente (veja em: http://www.tucca.org.br/eventos/agenda.asp). Neste ano, por exemplo, teremos Ute Lemper (não é a primeira vez que vem ao Brasil sob os auspícios da TUCCA) em outubro, aparentemente, muito interessante, pois será sobre poemas de Pablo Neruda. Bem agora, no dia 21 de maio, virá o cantor Gregory Porter, uma das grandes revelações do jazz. Será na Sala São Paulo. Quem quiser ouvi-lo ao vivo, tem essa oportunidade única.

Se você quiser saber mais sobre Porter, entre no seu site: http://www.gregoryporter.com.

Leia também no blogue: http://bit.ly/TVkW98


Veja Porter em On My Way to Harlem.




Ouça Lonely One.


Nota: Todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.


Ouça Painted on Canvas.


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God Bless the Child.


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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Diferenças entre o gosto da patuleia e o da crítica, de acordo com a lista dos melhores de 2012

Radio Music Society, de Spalding é o melhor do ano
Com certo atraso, comento sobre a lista dos melhores, segundo os leitores da revista Downbeat.

Todo ano, pouco depois de publicada a lista dos melhores eleitos por uma junta de críticos convidados, a Downbeat envia aos seus assinantes, por e-mail, um link para que seus leitores votem nos melhores do ano. Para cada categoria são sugeridos alguns nomes, mas é possível se votar em algum outro. É inevitável uma certa contaminação pelo fato de se votar depois de se saber o que os críticos escolheram.

Na edição de dezembro, que é lançada logo no início de novembro, sai o resultado do Readers Poll. É normal que os críticos especializados sejam mais sofisticados e informados que o chamado povão, mesmo em gênero tão específico como o jazz.


A lista dos melhores CDs na opinião dos leitores
1. Esperanza Spalding, Radio Music Society
2. Ahmad Jamal, Blue Moon
3. Tony Bennett, Duets II
4. Vijay Iyer, Accelerando
5. Keith Jarrett, Rio
6. Brad Mehldau Trio, Ode
7. Sonny Rollins, Road Shows, Vol. 2
8. Arturo Sandoval, Dear Diz (Everyday I Think of You)
9. Corea, Clarke & White, Forever
10. Trombone Shorty, For True

Na dos melhores pela crítica, Accelerando (ACT 2012), do pianista Vijay Iyer, ficou em primeiro lugar com quase o dobro do segundo – Road Shows, vol. 2, de Sonny Rollins. Na do povão, em primeiro ficou Radio Music Society, de Esperanza Spalding. Como foi lançado em abril do ano passado, nem consta na lista dos 30 melhores da crítica. É o caso, provavelmente, de outros álbuns como Ode, de Brad Mehldau, e de Dear Diz (Everyday I Think of You), de Arturo Sandoval, lançado em junho. Spalding é nova, belo penteado black (lembra a ex-ativista Angela Davis), canta e toca um instrumento do seu tamanho – o contrabaixo acústico – e é talentosa, mas supervalorizada, devido ao seu carisma. Meu voto foi para Rio, de Keith Jarrett. Na lista dos críticos ficou em terceiro. É um dos melhores registros do pianista nos últimos anos. Leia e ouça em http://bit.ly/MF8xTA.

A divergência mais perceptível é a não classificação – entre os 30 melhores – do álbum Be Good, de Gregory Porter (ouça e leia sobre ele em http://bit.ly/TVkW98). Inexplicável. Merecidamente, Sonny Rollins e o “retorno” de Forever, de Chick Corea, Stanley Clarke e Lenny White constam nas duas listas. Faz o gosto da patuleia e da crítica. Corea é sofisticado e pop ao mesmo tempo.

Os dez discos classificados devem ser ouvidos e cada um preenche um “pedaço” de prazer do fã do jazz. Não ouvi apenas os de Arturo Sandoval (leia sobre seu Time for Love, lançado em 2010, em http://bit.ly/VvMdf5) – mas tudo o que grava é bom –, e o de Tony Bennett, apesar de considerá-lo “the best” como cantor, não tenho a mínima curiosidade de conhecer. Esses “duets”, moda iniciada com Frank Sinatra no crepúsculo de sua carreira, em 1993, dividindo os vocais com Julio Iglesias, por exemplo, são um saco de gatos; se bem que dividiu também com Bennett, Bono, do U2, e Aretha Franklin. Têm cara de caça níqueis. Em Duets II, Bennett divide vocais com k d lang, Norah Jones, Andrea Bocelli, Amy Winehouse, o que não é mal, mas também com Lady Gaga e Mariah Carey.

Veja Body and Soul, com Amy Winehouse. Amy é Amy, ou melhor, foi. Era bem talhada para interpretar standards do cancioneiro americano. Basta ouví-la a cantar (There Is) No Greater Love, em Frank (2003). Foi uma de suas gravações derradeiras.




Os melhores instrumentistas
Apenas para registro (e poucos comentários) listo os melhores de alguns instrumentos.
Piano: Brad Mehldau (leitores) e Vijay Iyer (crítica)
Sax alto: Kenny Garrett (L), Rudresh Mahanthappa (C)
Sax soprano: Wayne Shorter (L), Branford Marsalis (C)
Trumpete: Wynton Marsalis (L), Ambrose Akinmusire (C)
Flauta: Hubert Laws (L), Nicole Mitchell (C)
Guitarra: Pat Metheny (L), Bill Frisell (C)
Trombone: Trombone Shorty (L), Wycliff Gordon (C)
Vocalista feminina: Diana Krall (L), Cassandra Wilson (C)

Em alguns instrumentos concordam em quem são os melhores: baixo acústico (Christian McBride), sax tenor (Sonny Rollins), bateria (Jack DeJohnette), sax barítono (Gary Smulyan; na lista dos leitores empatou com James Carter), clarineta (Anat Cohen), entre outros.

Pelas diferenças percebe-se o óbvio: os críticos adoram Vijay Iyer e Rudresh Mahanthappa, e os leitores ainda estão se acostumando com eles mas, no básico, não existe grande diferença entre o que eles gostam e nós, membros da patuleia.

Ouça duas interpretações de Ahmad Jamal, do CD Blue Moon (Jazz Village, 2012). Leia sobre esse CD em http://bit.ly/V6khVi.

Gypsy. Nesta e na próxima, Ahmad é acompanhado por Reginald Veal no baixo, Herlin Riley na bateria, e Manolo Badrena na percussão.



Laura.



Com Chick Corea, Stanley Clarke e Lenny White, ouça No Mistery.




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Gregory Porter não é mais uma promessa

Gregory, quando criança, costumava ouvir Nat “King” Cole, cantor preferido de sua mãe. Bom começo! E, tornou-se seu cantor preferido também. “King” Cole permeou suas escolhas, daí em diante. Gregory, um dia, descobriu-se cantor. Ou descobriram?

Hoje, Porter tem uma voz potente, aquela voz tão característica dos negros, um registro muito especial que parece ser destinado apenas aos dessa raça, como uma impressão digital. E, não adianta dizer que as vozes de Joss Stone, Amy Winehouse ou Janis Joplin são “negras”. É algo próximo, no máximo, o que não depõe contra o enorme talento com que as duas últimas foram abençoadas..

E, pelos dois discos que lançou até agora – Water e Be Good –, Gregory Porter é o próximo “next big thing” entre os cantores. Não sei se irá destronar o longo reinado de Kurt Elling, mas o cara é muito bom.

Como Porter é negro, as associações naturais serão com as vozes de Joe Williams, registro de barítono poderoso, com “King” Cole, seu ídolo desde criancinha, ou com a de Donny Hathaway, pelo seu lado “soul” e modo interpretativo. Mas Porter tem um registro próprio. Parece até que nasceu pronto.

Be Good, seu mais recente, foi considerado o quarto melhor disco do ano, na votação dos críticos para a revista Downbeat. Bom que tenha um disco não instrumental entre os melhores. (sobre os melhores pela Downbeat, leia: http://bit.ly/RG8H14, bit.ly/Quyty2).


Water, de 2010, foi um grande disco de estreia. Não poderia deixar de faltar alguns standards servindo de showcase dos seus dotes vocais. São elas Skylark e But Beautiful. Na primeira é acompanhado por Chip Crawford. O piano é discreto e realça sua interpretação contida e segura. Em But Beautiful, Porter estraçalha. É uma revelação o surgimento de um cantor que demonstra essa segurança logo no primeiro disco. E mostra que também é bom compositor. De sua lavra ouvimos baladas belas como Lonely One, em belíssimo arranjo de Crawford, e Water, que evoca esse elemento com seu ritmo flutuante em desenhos, ora evocativos, ora dramáticos do piano, único instrumento a acompanhá-lo. O disco fecha com um Felling Good cantado à capella. Maravilhoso.

Ouça Lonely One.



Bom, comecei pelo fim. Termina com Feeling Good e começa com Illusion, composição dele. É um início apenas com a voz e o piano. A segunda – Pretty – é mais jazz. Belo arranjo com naipe de sopros. Magic Cup é uma faixa em que há maior espaço de improvisos de saxofone e trumpete. 1960 What? é a faixa política, que segundo a publicação All About Jazz, foi inspirada em experiências suas e de seu amigo e mentor Kamau Kenyatta.

Um dos grandes méritos do segundo CD – e do primeiro também – é a qualidade dos arranjos. Na primeira audição, não “pega”. Quanto mais se ouve, é possível perceber como Porter é bom cantor e, em um repertório em que a maioria das canções é de autoria própria, é preciso ir se acostumando com elas. Se fossem, como têm sido os álbuns de cantores do jazz, cheio de standards, acostumados que estamos com temas tão repetidos, tendemos a compará-los tendo como referência outros cantores. Ao ouvirmos All the Way de um novo cantor, certamente, temos a de Frank Sinatra para nos balizar, ou, se alguém canta What a Wonderful World, impossível não ter como referência Louis Armstrong. Quando a canção é desconhecida ou nova é impossível uma empatia imediata; fazemos uma avaliação dupla, primeiro com a qualidade dela como composição e depois, nos atemos à interpretação.

Para que, aos poucos, nos acostumemos, as duas primeiras canções são baladas melancólicas com belos solos de sax soprano e naipes de sopros na exata medida. On My Way to Harlem, a seguir, é uma explosão rítmica no piano de Chip Crawford e sax alto de Yosuke Sato, eletra que alude ao Harlem, às suas raízes (“Você não pode me manter longe de onde eu nasci”, ou “fui batizado pela corneta de meu pai”), em referências como à Duke Ellington (“que não mora mais por aqui/ ele se mudou daqui”), Marvin Gaye (“Eu sei que Marvin Gaye costumava cantar What’s Goin’ on por aqui), ou ao poeta Langston Hughes, rimado com a palavra “blues”, que se mudou de lá.

Veja Porter em On My Way to Harlem.




Veja também o vídeo oficial de Be Good (A Lion”s Song).




Veja Porter a cantar Painted on Canvas, deste CD.




Tudo se acalma com Real Good Hands, The Way You Want to Live, When Did You Learn, Imitation of Life (só ele e Chip ao piano, em uma das poucas composições que não são de Porter), Mother’s Song (belo arranjo!), e Our Love. A temperatura volta a subir com Bling Bling. É um número com aquela pulsação intensa, puro jazz, na batida e nos solos do sax alto em alta voltagem. É música para se levantar da cadeira. Worksong, de Nat Adderley, é maravilhosa, talvez a melhor do CD. É tudo: dramática, enérgica, riffs de sopros marcando o ritmo e Porter, simplesmente perfeito. E para fechar, Gregory Porter canta a capella (em seu álbum de estréia fez o mesmo) God Bless the Child. Esta é para cair da cadeira.

É o que você ouve aqui, em uma versão remix.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Os melhores discos segundo a revista Downbeat (parte 2)

Estou repetindo a lista dos dez melhores do ano, pela revista Downbeat, para poder falar alguma coisa acerca dos que eu conheço.

1. Vijay Iyer Trio, Accelerando (ACT) - 115 votos
2. Sonny Rollins, Road Shows vol. 2 (Doxy/EmArcy) - 69
3. Keith Jarrett, Rio (ECM) - 68
4. Gregory Porter, Be Good (Motéma) - 56
5. Miguel Zenón, Alma Adentro: The Puerto Rican Songbook (Marsalis Music) - 54
6. Brad Mehldau, Live in Marciac (Nonesuch) - 52
7. Matt Wilson’s Arts & Crafts, An Attitude for Gratitude (Palmetto) - 40
8. Corea, Clarke White, Forever (Concord)
9. Terri Lyne Carrington, The Mosaic Project (Concord) - 38
10. Tim Berne, Snakeoil (ECM) - 33

O álbum que foi considerado o quarto melhor do ano é de Gregory Porter. Be Good é o seu segundo disco. É a revelação como cantor; foi o segundo classificado, atrás de Kurt Elling. Este é hors-concours: leva todas há muito tempo, com justiça (sobre ele e seu pianista Laurence Hobgood, leia http://bit.ly/MXCcHL). Porter é, se me faço entender, sem ironias, um Kevin Mahogany menos vitaminado. Há uma característica bem específica em relação aos cantores negros que os diferencia: o registro da voz, e como no caso de Mahogany, tende a uma forma de interpretar mais conectada ao blues e até ao rhythm’ blues. É um grande cantor. Comentarei, com maiores detalhes sobre Porter em outra ocasião, pois ele merece. Por enquanto, ouça Painted on Canvas.



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O álbum Live in Marciac é mais um solo de Brad Mehldau. Para os que não possuem nenhum disco do pianista, é uma boa. É um combo com dois CDs e um DVD. Por conta de uma “overdose” de Mehldau durante todos esses anos, confesso, não ouvi com a atenção que ele merece. Mehldau, para mim, é como aquela velha Levi’s 501 que está guardada no armário. Sabemos que é um porto seguro, mas a deixamos guardada à procura de novidades.

Um comentário: o saudoso Carlos Conde não gostava de piano solo; gostava mesmo era do tradicional formato trio piano, baixo e bateria. Perguntei se tinha gostado de Live in Tokyo (Nonesuch), na ocasião de seu lançamento em 2004. Perguntei porque Brad tinha se tornado um dos meus pianistas preferidos. Respondeu: “O disco é muito triste. Coitado, esse rapaz deve ter algum problema.” Pensando bem, sua observação tinha alguma lógica. Em um longo texto em Elegiac Cycle (WB, 1999), Brad desvela seu amor pelo romantismo germânico; não é à toa que sua editora se chama Werther Music.

Na repetição de seu costumeiro repertório percebem-se as mudanças no desenvolvimento dos temas, desconstruindo-os cada vez mais. Parece mais uma viagem particular de Brad e, por isso, é um tanto difícil ocorrer uma maior empatia. Em Live in Marciac, a seleção é bem eclética, como é de seu feitio. São seis temas próprios e quatro standards (It’s All Right with Me, Lilac Wine, My Favorite Things e Dat Dere). Brad é responsável pela inclusão de certas canções contemporâneas do repertório popular. Algumas estão nesse disco: Lithium (Kurt Cobain), Exit Music (for a Film) (Radiohead), Martha My Dear (Lennon & McCartney), e Things Behind the Sun (Nick Drake). O destaque do disco é Dat Dere, de Bobby Timmons. Ouça.



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Se você quiser tiver interesse, leia mais alguma coisa sobre Brad Mehldau em: http://bit.ly/MxnvIK e http://bit.ly/GD0MZ8.

O terceiro disco comentado é Snakeoil (ECM, 2012), de Tim Berne. É mais avant garde do que os outros dois. O início de Simple City – a primeira faixa – lembra um pouco o clássico Nefertiti The Beautiful Has Come, de Cecil Taylor, gravação de uma apresentação de novembro de 1962 no Café Montmartre, em Copenhagen, Dinamarca, pelas primeiras notas de piano e a posterior entrada do sax alto de Berne. Em Nefertiti, o sax alto era de Jimmy Lyons, e a bateria, de Sunny Murray. É um disco bem interessante. Tocam com Tim, Oscar Noriega (clarinetas), Matt Mitchell (piano) e Chess Smith (bateria e percussão). O som é sempre tenso, dramático, às vezes, impressionista, climático, enfim, é um bom disco. Merece estar entre os dez melhores. A banda é afinadíssima. Um destaque é Noriega na clarineta e clarineta baixo.

Ouça Scanners. Decerto não é o gênero que cai melhor no gosto da maioria, mas para quem gosta é um prato cheio.




Do décimo primeiro ao trigésimo

A Dowbeat, desta vez (não me recordo se em 2011 foi assim, também), classificou até o trigésimo. Estão incluídos, For True (Trombone Shorty), Samdhi (Rudresh Mahanthappa), Charlie Haden e Hank Jones (Come Sunday), Matthew Shipp (The Art of the Improviser), Charles Lloyd (Athens Concert), Branford Marsalis e Joey Calderazzo (Songs of Mirth and Melancholy), Chick Corea, Eddie Gomez e Paul Motian (Further Explorations), 3 Cohens (Family), Christian McBride (Conversations with Christian McBride) e Tierney Sutton Band (American Road). Cito apenas os que ouvi, nem todos com a atenção devida.

Trombone Shorty tem pouco mais de 25 anos e já é considerado um dos melhores trombonistas (toca trumpete também) pela crítica. For True conta com participações de Jeff Beck e Lenny Kravitz. O som de Shorty é um jazz mesclado por tinturas de rap e funk e, naturalmente, com o som de New Orleans, sua cidade natal. É vibrante, jovem e esfuziante.

Veja Shorty em Buckjump, a primeira faixa de For True.



Nem tão vibrante é Songs of Mirth and Melancholy. Bem, canções de alegria e melancolia. Esta última palavra não é antônimo de alegria. Ao contrário do disco de Trombone Shorty, este não é para sair pulando pela sala. O álbum de Branford Marsalis com o pianista Joey Calderazzo, com exceção de One Way e Bri’s Dance (a primeira e a última), tende mesmo à melancolia. Branford Marsalis tinha gravado antes em duo com piano, Loved Ones (Columbia 1995), com seu pai Ellis, belíssimo. Songs of Mirth and Melancholy é quase tão bom quanto.

Ouça Hope, uma das melhores do CD.



Está ficando longo. Serei mais curto. Dois dos citados já foram objetos nesse blogue: Come Sunday, de Hank Jones e Charlie Haden (leia em http://bit.ly/OlS6MC), e Athens Concert, de Charles Lloyd e Maria Farantouri (leia em http://bit.ly/MxItap).

Samdhi, de Rudresh Mahanthappa, ficou em 13º lugar. Poderia estar entre os dez melhores. Foi o melhor saxofonista alto neste ano, pela Downbeat. Já tinha me impressionado quando se apresentou com Vijay Iyer em São Paulo, no Bridgestone Music Festival de 2008. O line up De Rudresh é excepcional, com o guitarrista David Gilmore (por favor, não confunda com David Gilmour, do Pink Floyd), Rich Brown no baixo elétrico, Damion Reid na bateria, e "Anand" Anantha Krishnan tocando mirdangam e kanjira.  

Ouça Killer, do álbum Samdhi.




American Road, de Tierney Sutton Band, 26º, merecia melhor colocação. É uma das boas cantoras da atualidade e tem o pianista Christian Jacob como ótimo parceiro.

Conversations with Christian McBride ficou em 25º. É o melhor disparado em seu instrumento – contrabaixo – e arrasa também no baixo elétrico. É um álbum de duos com astros do pop como Angelique Kidjo e Sting, sendo a maioria intérpretes do jazz como Dee Dee Bridgewater, Hank Jones, Russell Malone, Dr. Billy Taylor, Roy Hargrove e Ron Blake. Bom disco.

Veja e ouça Sting e Christian McBride em Consider Me Gone, composição do britânico.