![]() |
| Allan Harris, no Fowley Center |
A caminho dos 60 (nasceu em abril de 1956), não é um cantor muito conhecido, no entanto, merecia. Nunca se sabe por que alguns são famosos aos 20, 30 ou 40 – e mantêm-se no topo ou são logo esquecidos – e outros, nunca chegam ao estrelato apesar de bons. Tardiamente, Harris tem aparecido nas listas dos melhores em revistas especializadas. Na última lista dos melhores, pela Downbeat, sequer está entre os melhores, mas ficou em primeiro dentre os “rising stars”. Está um pouco velho para ser um “rising star”, bom, mas nunca é tarde. No ano anterior, também despontava como um dos “rising stars”.
Uma possibilidade de estar ficando mais conhecido apenas agora. pode ser em razão do que lançou anteriormente. O álbum Open Up Your Mind, de 2011, vai por uma seara complicada: aquela em que nunca se sabe se é pop ou jazz. Talvez funcione melhor para alguns, que são realmente jovens, como Jamie Cullum ou Michael Bublé – se bem que este é um jovem “velho” –, mas para muitos que perseguem a fama por esse terreno conseguem desgostar os amantes do pop e do jazz ao mesmo tempo.
Em seus lançamentos mais recentes, Allan, sem tornar-se um mainstream, aproxima-se do que o ouvinte de jazz quer escutar. Convergence, lançado no ano seguinte ao Open Up Yor Mind, tem como referência os dois discos que Tony Bennett canta com o genial piano de Bill Evans. As canções escolhidas, inclusive, são uma pista clara: Some Other Spring, Waltz for Debby, Days of Wine and Roses, But Beautiful, We’ll Be Together Again e Some Other Time são temas caros ao fabuloso Bill. Está certo que a pianista Takana Miyamoto não é Bill Evans, mas é uma parceira perfeita para o canto de uma voz impecável de barítono, que é a de Allan Harris. Afinadíssimo, mesmo grave, tem aquela quentura do registro das vozes negras. É uma voz inequivocamente negra.
De Convergence, veja Harris e Takana em The Days of Wine and Roses.
Ouça My Foolish Heart, com Harris e Miyamoto.
Bom, mas vamos ao tema referido no primeiro parágrafo. É Funny Valentine, do mais recente Black Bar Jukebox. O órgão é de Pascal Le Boeuf, que faz contraponto à bela marcação da bateria de Jake Golbas.
Veja o clipe. Grande voz. A voz de Gregory Porter (leia em http://bit.ly/UjCi2R), o darling atual da crítica, é parecida com a de Harris.
Um dos melhores números de Black Bar Jukebox, além de My Funny Valentine, é Miami.
Ouça outras faixas de Black Bar Jukebox.

Nenhum comentário:
Postar um comentário