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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

José James homenageia Bill Withers

José James e seu visual para homenagear Bill Withers
Boa parte da nova geração de vocalistas considerados do universo do jazz, estão bem longe do mainstream como, digamos, Tony Bennett.

Gerações mais novas, mesmo gostando de jazz, cresceram ouvindo outros gêneros musicais. São exemplos, Gregory Porter, José James, Leslie Odom, Jr., Jamison Ross, Dwight Trible e o alemão Theo Bleckman, esses dois últimos, nem tão jovens. Podem até cantar “Summertime”, “They Can’t Take That Away from Me” ou “I Love Paris”, mas não são o prinicipal de seus repertórios.

O mais conhecido e considerado o melhor é Gregory Porter. Tem uma bela voz de barítono, registro que não é comum. São poucos: Billy Eckstine, Johnny Hartman, e, dentre os não tão antigos, Andy Bey e Kevin Mahogany,  morto há pouco mais de um ano. No álbum mais recente, Porter homenageia seu ídolo, em “Nat King Cole & Me”.

O que ajuda na popularidade de Porter é lançar por um grande selo. Tradicional e responsável por um respeitável portfólio de grandes discos de jazz, o Blue Note, atendendo às mudanças do público, tem contratado intérpretes que em outros tempos não se encaixariam no seu perfil. Outro destaque da mesma gravadora é José James. Como Porter, lançou álbuns com repertório mais tradicional, como “For All We Know” (Impulse, 2010), com o pianista Jef Nieve, e mais recentemente, o fenomenal “Yesterday I Had the Blues” (Blue Note, 2015), tributo à Billie Holiday. Sua preferência, entretanto, é por um som cujas linhas musicais estão mais associadas ao pop, r&b e ao hip-hop.

James é outro cantor de voz grave, um pouco diferente da de Porter, um “whiskey-sour baritone”, segundo John Murph, da revista Downbeat. Coincidentemente, seu disco mais recente é um tributo, mas de alguém da seara r&b, Bill Withers, autor do clássico “Ain’t No Sunshine”

Veja JJ interpretando “Ain’t No Sunshine’, em apresentação em Paris.




Em “Lean on Me”, abre justamente com essa canção. Não é o único hit do compositor. Tem muitos outros, que estão presentes no álbum: a música título,“Kissing My Love”, “Just the Two of Us”, “Hope She’ll Be Happier” e “Better Off Dead”, as minhas preferidas.

Ouça o álbum pelo Spotify.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Rare Silk e a tradição dos conjuntos vocais

Grupos vocais como o Hi-Lo’s, Four Freshmen, The Pied Pipers, Andrew Sisters e Boswell Sisters fizeram muito sucesso no período entre guerras e após. No Brasil também. Tivemos formações como Os Garotos da Lua, liderado por Jonas Silva, que depois fundaria o pequeno selo Imagem, gravadora que lançou bons títulos de jazz. Aliás, um dos melhores álbuns do Hi-Lo’s não saiu lá: é a coletânea que Jonas lançou aqui. Outro conjunto famoso – o mais, provavelmente – é Os Cariocas. Foram grandes divulgadores da então nascente bossa nova.

Veja os Hi-Lo’s em com Frank Sinatra.





Ouça Os Cariocas cantando Samba do Avião.




Há certo charme nostálgico nesses grupos vocais que estiveram tão em voga em certo período e hoje estão quase extintos. Ativo ainda, não tenho a certeza, é o New York Voices.

Posteriores aos citados, na era bebop, surgiu o Lambert, Hendricks and Ross. Jon Hendricks resolveu fazer uma coisa que parecia impossível: adaptar letras em temas de Tadd Dameron, Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Era uma coisa meio alucinante, como os versos em temas rapidíssimos como A Night in Tunisia: algo como Ademilde Fonseca cantando Brasileirinho. Não ficaram juntos por muito tempo. A bonitona (naquele tempo; se você quiser saber quem é ela, assista a Shortcuts, de Robert Altman; é a mãe da cellista suicida) caiu fora logo e foi perseguir carreira solo. No seu lugar entrou Yolande Bavan e mudaram o nome para Lambert, Hendricks and Bavan. Não foram longe. Hendricks continuou em carreira solo e até outro dia (tem hoje 98 anos) estava fazendo participações especiais em álbuns de outros músicos.

Um dos grupos vocais mais conhecidos na década de 1960 foi o Singers Unlimited. O mesmo Gene Puerling, um dos Hi-Lo’s, foi um de seus criadores. Eram excepcionais. O álbum que gravaram com Oscar Peterson – In Tune – é uma preciosidade. Lançaram três álbuns “a capella” que são clássicos. Como era um grupo surgido na era do rock’n’roll dos Beatles e os Rolling Stones, não restringiram o repertório aos standards do jazz. Gravaram bossa nova e canções como Here, There and Everywhere, de Lennon e McCartney.

No Brasil, nesta mesma década, vimos surgir vários conjuntos desse tipo. O mais conhecido é o MPB4, mas tivemos também o Quarteto em Cy, Trio Esperança e os Golden Boys. Os dois últimos iam por um caminho voltado mais ao pop. Inspiraram-se mais por outros conjuntos conhecidos, como os Platters. Os Golden Boys (três irmãos e um primo) eram afinadíssimos; até mereciam ser relançados.

Nos anos 1970, a vez foi do Manhattan Transfer. Apropriaram do título de um romance de John Dos Passos e seguiram uma linha próxima a do Singers Unlimited, cantando standards com uma roupagem mais moderna. Um dos destaques é a versão de Killer Joe, famoso tema de Benny Golson.

Veja a apresentação da música, que consta do DVD Vocalese.





A formação original de Rare Silk
Gaile Scriver, MaryLynn Gillaspie, Marguerite Juenemann e Todd Buffa formaram o Rare Silk. Chamaram a atenção quando participaram do Playboy Jazz Festival, com a banda de Benny Goodman, em 1980. Ganharam um contrato da Polydor e lançaram New Weave (nova trama), bom trocadilho com “new wave”, contando com participações de Ronnie Cuber, Randy Brecker, Michael Brecker e Gary Bartz. O disco foi um sucesso e até indicado para o Grammy. Eles e o Manhattan Transfer eram os melhores grupos vocais.

Dois anos depois, lançaram American Dream (Palo Alto, 1985). Não era tão bom quanto o primeiro. Saiu ainda mais um e depois não se falou mais do Rare Silk. É quase inexplicável o ocaso. Simplesmente, evaporaram: não possuem nada à venda na loja iTunes e nem em sites de downloads piratas. Mereciam ser conhecidos pelas novas gerações que possuem bom gosto. Quer uma prova?

Ouça Spain, de Chick Corea, com letras de Al Jarreau.




Ouça Lush Life “a capella” com o Rare Silk.




Ouça a ótima Joy!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Belle, o álbum “ignorado” de Al Green

O reverendo Al Green
Você gosta de música gospel? Como eu, tu, eles, somos preconceituosos – se se considerar ódio à música sertaneja, que seja “sertanejo-universitária”, é preconceito –, Al Green passou a vender poucos discos quando entrou em sua fase gospel. Mas a música Let’s Stay Together você deve ter ouvido, não? Nota: até Bob Dylan teve a sua fase gospel.

Um primo disse, uma vez, a propósito de um primo ter se convertido a uma dessas seitas evangélicas, que duas coisas fazem você procurar a religião: uma grande desilusão amorosa ou um grande revés financeiro. E pode servir como boa forma de se recuperar de uma falência, por exemplo. É o caso, pelo menos, de uma pessoa, segundo sua irmã, que, depois de ter tido problemas financeiros, entrou para uma igreja, virou pastor, enriqueceu, e hoje, prega nos EUA em um dos muitos programas televisivos. Disse-me ela que o outro irmão segui os seus passos e também virou pastor. Ela preferiu continuar a ser a ovelha negra – ou desgarrada – da família.

Veja Al Green cantando Let’s Stay Together no programa de Jools Holand, com David Gilmour na guitarra.



Veja-o cantando Love and Happiness.




Em 1974, Al Green já tinha alguns sucessos emplacados nas paradas de sucesso. Neste mesmo ano, sua namorada teve sua proposta de casamento recusada e, enquanto Green estava na banheira, matou-se no aposento contíguo com um revólver dele. Tempos depois, sofreu um acidente no palco. Viu aquilo como uma “mensagem de Deus”.

Green, como muitos de seus pares negros, cresceu em ambiente religioso. Em 1976, comprou uma igreja em Memphis e foi ordenado pastor. A cooperação com seu mentor, o produtor Willie Mitchell, que resultara em vários hits, foi interrompida. Em 1978 lançou seu último álbum “secular” – para usar esse termo tão na moda com os distúrbios recentes no mundo árabe – antes de passar a gravar exclusivamente música gospel. O disco se chamou Belle e não contava mais com os Hi Rhythm Section. Não emplacou e é uma injustiça. Conta com uma banda poderosa e o baixista Reuben Fairfax, Jr. faz diferença.


De 1981 a 1989, gravou apenas temas gospel. Voltou às hostes “seculares” e tem mantido produção constante. Gravou com Annie Lennox. Refez a parceria com Willie Mitchell e gravou I Can’t Stop, em 2003. É um bom disco. É Al Green da melhor qualidade. Nem na fase gospel deixou a competência de lado. Não emplacou mais sucessos como How Can We Mend a Broken Heart, cover dos Bee Gees, ou Love and Happiness. Mesmo assim, o álbum Lay It Down, em 2009, ficou entre os dez mais vendidos. Não gravou mais nada desde então.

Bem, voltando ao Belle, ouça duas do álbum.

Georgia Boy.


Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.

Ouça Dream. É Al Green de primeira.


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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quando o amor acaba

Um disco chamado Steve McQueen? Não é o máximo? Alguém sabe quem é Steve McQueen? Uma pista: foi casado com Ali McGraw. Alguém sabe quem é McGraw? É, para as gerações mais recentes está mais difícil de responder a essas perguntas.

1. Ali McGraw morreu jovem, mas apenas no filme que fez um sucesso tremendo nos anos 1970, o Love Story. Jennifer tenta engravidar de Oliver (Ryan O’Neal) e não consegue. Num dos exames descobre que está com uma doença incurável. Milhões de espectadores choraram com Oliver. A música de Francis Lai, cantada pelo “proto-brega” – sorry para que os amam – Johnny Mathis, foi um sucesso estrondoso, como o filme baseado numa história de Erich Segal.

2. Steve McQueen protagonizou Os Implacáveis (The Getaway, 1972), de Sam Peckinpach, no qual deve ter conhecido Ali, que foi casada com o produtor Robert Evans. O “blue eyes boy” era o próprio bad boy, considerado sucessor de James Dean. A diferença era a de que James possuía algo de andrógino. Steve era “O” macho. Isso não queria dizer que não atraísse homens também. Mas, com certeza, muitas mulheres sucumbiram ao olhar duro – apesar dos olhos azuis – de bad boy de Steve.

Recentemente, outro McQueen foi-se embora. O inglês Alexander morreu porque queria. Steve, não. Mas foi cedo e deixou saudades. A refilmagem de Crown, The Thomas Crown Affair, protagonizado por Pierce Brosnan e pela espetacular Rene Russo, só deixou saudades de Steve, segundo uma amiga. O “tough guy” ainda “faz coisa”.

Capa vetada do disco de Prefab Sprout nos EUA
Pois, então, a banda Prefab Sprout gravou um disco espetacular e quis fazer-lhe uma homenagem a ele intitulando-o Steve McQueen. Deste mundo todos querem somente dinheiro – como, sabiamente, Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, disse “mim gosta ganhar dinheiro” –, proibiram que o disco fosse lançado com esse título nos EUA. Foram obrigados a trocar o título por Steels Wheel Good. Na capa, fazem-se de bad boys, sentados numa motocicleta. No fundo, são bons rapazes que queriam fazer boa música. Gravaram bons discos e é imerecido o ocaso a que foram destinados. Faziam música pop inteligente e de bom gosto. Essa banda surgida em fins dos anos 1980 é autora de belas e sensíveis músicas. When Love Breaks Down é uma delas. Ouça no vídeo linkado.

Para os que tiverem interess por outros álbuns do Prefab Sprout, From Langley Park to Memphis e Jordan: The Comeback são muito bons também.


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O novo CD do National

Boxer, o penúltimo CD do National não foi lançado no Brasil (ouça Fake Empire em http://guenyokoyama.blogspot.com/2010/06/barack-obama-e-o-rock.html). Não sei se High Violet, recém-lançado sairá aqui. É uma pena, pois o National é uma das grandes bandas surgidas na década passada. Uma pequena amostra em áudio. Afraid of Everyone:

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Amos Lee: uma alternativa à Norah Jones

Como gosto não se discute, não aceito que discordem se digo que não gosto de Norah Jones. Brincadeira! Mas está além da minha compreensão todo esse sucesso. E é fácil discordar de mim: afinal, vendeu milhões de discos e ganhou dez Grammy. Não é desprezível para quem está há pouco tempo no mercado. Pode ser um pouco de preconceito, talvez por ficar contrariado quando a classificam como jazzista. Jones é mais folk, country e quase nada jazz.

Na década de 1960/70, quando se revelaram James Taylor, Carole King, Cat Stevens e Simon & Garfunkel, surgiram algumas classificações alternativas ao rock: “folk rock” e “soft rock”. Diferentemente do som pesado que bandas inglesas como o Cream, formado por Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, The Who, ou os americanos como Jimi Hendrix ou a cantora Janis Joplin, cantavam de modo mais suave. As músicas eram melodicamente mais agradáveis e menos agressivas ao ouvido médio. Eram interregnos de paz. A juventude masculina, naquele tempo, pensava duas vezes antes de dizer que gostava de um You’ve Gotta Friend, cantado por Carole King ou por James Taylor, ou de Wild World de Yusuf Islam (esse é o nome de Cat Stevens depois que se converteu ao islamismo). Era coisa de menininha. Música de macho eram as de Led Zeppelin ou dos Rolling Stones. Preconceito bobo ou não, é comum às mulheres gostarem menos de som pesado e, os homens, mais. Um amigo, brincando, gostava de dizer que ainda ia conseguir arrumar uma namorada que não gostava de Phil Collins.

Norah é protagonista do filme Beijos Roubados (My Blueberry Nights), em que contracena com Jude Law. Seu diretor, Wong Kar-Wai, é um mestre em combinar situações com músicas. Em Beijos tem Norah, é claro, e mais Ry Cooder, Otis Redding, Gustavo Santaolalla, Cassandra Wilson e Cat Power, que faz uma pequena ponta. Trilha de primeira! Como as dos filmes anteriores, principalmente em In the Mood for Love e em 2046, Kar-Wai constrói um “mood” deliciosamente retrô com canções em inglês e no trôpego espanhol de Nat King Cole. Pelo jeito, Kar-Wai gosta de Jones. Ponto para ela.

O primeiro CD, Amos Lee (2005) foi lançado no Brasil e pouco divulgado. É até inexplicável que tenha saído aqui. Se lançam, por que não divulgar. Tinha potencial. A hipótese mais provável é a de que foi lançado para aproveitar o sucesso de Norah Jones. Não é simples coincidência: Jones participa tocando piano acústico e o Wurlitzer, e um dos produtores é Lee Alexander, baixista, componente da banda e ex-namorado dela. A outra é que são da mesma gravadora, a Blue Note.

Se não é uma novidade num mercado tão diversificado, é um disco bem agradável de ouvir. Não escapou, a meu ver, da síndrome do segundo disco. É bem mais fraco que o CD que leva seu nome. Se alguém tiver alguma curiosidade em relação a ele, acesse seu site: www.amoslee.com

Um dos destaques do primeiro é Keep It Loose, Keep It Tight. Outras: Black River, e a bela Soul Suckers. Vejam.





sexta-feira, 16 de julho de 2010

O pulo suave do Aztec Camera

Algumas bandas, na verdade, são “uma só pessoa”. Um exemplo atual é de Antony & The Johnsons. Ninguém sabe quem são os Johnsons. Nos anos 1980, duas bandas inglesas de primeira eram também de uma só pessoa: Durutti Column, do genial guitarrista e compositor Vinny Reilly, e o Aztec Camera, de Roddy Frame. Acho que quase ninguém sabe quem é Dave Mulholand (tocava bateria com Roddy). O percussionista e baterista Bruce Mitchell, tão importante na concepção sonora da banda, era o “segundo” Durutti, quase invisível.

No segundo álbum lançado, ainda na época dos lps – Knife –, puseram uma faixa bônus que não foi inserida em sua versão CD. A música era Jump, conhecidíssima composição da banda hard rock Van Halen. Transformou-a de tal modo que fez dela outra música. Aquele vocal rascante e irritante (para alguns, of course) de David Lee Roth é substituída pelo registro claro, relaxado e apolíneo (para contrapor-se ao cantor do Van Halen) de Frame. Essa versão é bem conhecida, mas não custa relembrar. Está postado um vídeo com uma animação (divertida para alguns) de Jump. Assistam:


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Algo de especial em Regina Spektor, ou o vício por Spektor

Ficar ouvindo por dois dias o mesmo cantor é alguma sinalização de transtorno psíquico? Numa entrevista muito antiga, o diretor de Todas as Mulheres do Mundo, Domingos de Oliveira, afirmara – acho, ou assim ficou na memória – que, quando ficava ouvindo a mesma música por muitos dias, era sinal de que estava deprimido.

Ora, pois, ouço Regina Spektor seguidamente por dois dias alternando com autores de gêneros díspares ao seu. Ela lembra um pouco Tori Amos, Jewel e Fiona Apple. A preferência deve ser por razões… misóginas? – diriam algumas amigas “crí(cri)ticas”. São mulheres, fogem daquele padrão “beleza perfeita”, possuem vozes pequenas e doces (não são “etta james” e congêneres) e transmitem alguma fragilidade com suas canções “sensíveis”.

Procurando por alguns dados na Wikipedia, descubro que Spektor nasceu em Moscou. Em cirílico, escreve-se Регина Спектор. Ah, então era em russo mesmo a estrofe de Après moi e a citação é do poeta e romancista Boris Pasternak. Tem algo de especial em Regina e não sei se consigo explicar esse “grude” que faz com que sinta falta de sua voz de inflexões tão charmosas. Afinal, nasceu em um país que não existe mais, é judia, e tem formação e gosto suficientes para citar – além de seu conterrâneo – Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Virginia Woolf. Perto de algumas características ou episódios traumáticos das cantoras citadas no parágrafo anterior, as de Spektor podem nem parecer tão “especiais”: Tori foi violentada ao dar carona a um cliente do bar onde cantava, Jewel passou parte da infância e adolescência no Alaska e é disléxica, e Apple foi estuprada quando tinha 12 anos e sofreu de anorexia nervosa.

Spektor lançou dois discos. Depois de Begin to Hope foi a vez de Far em 2008. É uma intérprete diferenciada e merece ser ouvida. Para quem quiser vê-la ao vivo, ela se apresentará em outubro no SWU Festival 2010, que acontecerá em Itu, São Paulo.

Fidelity, do CD Begin to Hope:



Ouçam Eet.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O “Après moi” original de Regina Spektor

A brincadeira subjacente no post sobre Sinead O’Connor era quanto ao título da música de Prince – Nothing Compares to U. Muitos detestam comparações pois, automaticamente, está se considerando que há um melhor e outro pior. No vídeo anexado Regina Spektor canta Après moi, de sua autoria. Engraçado, o título é em francês, é cantada em inglês, mas tem uma estrofe… em uma língua estranha. Russo? (alguém falou de Pasternak) Não sei.

A estrofe:
Fevrale dostat chernil i plakat,
Pisat O Fevrale navsnryd,
Poka grohochushaya slyakot
Vesnoyu charnoyu gorit.