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| A capa do novo CD de Stacey Kent |
Ontem, 16 de setembro, foi o lançamento oficial do último CD de Stacey Kent. De tanto vir para cá, realiza seu álbum “mais brasileiro”, apesar de ter sido gravado em Sussex, Inglaterra, e contar com apenas um brasileiro no lineup. A língua portuguesa e as referências a nossa música têm sido uma constante em seus trabalhos mais recentes.
Stacey não possui a voz marcante de Sarah Vaughan, nem a potência de Carmen McRae, e talvez por isso, saiba usá-la como ninguém. Sua voz é pequena e complexa. Ao contrário de outras, conhece o que canta. Não basta ter uma bela voz para ser bom intérprete. Com impressionante humildade disse que ainda trabalha a voz: “Tento cantar o melhor que eu posso, simplesmente, porque é a minha profissão e minha razão de ser.”
Nada melhor do que alguém com Stacey para interpretar canções como This Happy Madness (Estrada Branca), One Note Samba (Samba de Uma Nota Só) e Insensatez (How Insensitive), de Antônio Carlos Jobim. Os outros brasileiros presentes no álbum são Dori Caymmi (Like a Lover), Marcos Valle (The Face I Love) e Roberto Menescal (O Barquinho). Toca violão na música de sua autoria e em A Tarde, de Jim Tomlinson e o poeta António Ladeira. O português é parceiro também em Mais Uma Vez. São duas canções belíssimas, melancólicas e poderiam passar por brasileiras facilmente, apesar de compostas por um inglês e um português.
Ouça A Tarde. As duas de Ladeira são cantadas em português.
Como Stacey formou-se em Letras nos EUA e foi fazer um curso de Literatura Comparada na Inglaterra (dê uma busca por “Stacey Kent” no blogue; como é uma das minhas preferidas, publiquei vários textos sobre ela), é natural seu cuidado com os “letristas”. Mais que letristas, os parceiros são escritores. Além de António Ladeira, Stacey e Jim são próximos a Kazuo Ishiguro. Nascido no Japão, escreve em inglês e é considerado um dos grandes da atualidade. A ligação vem de gostos em comum: o jazz e a literatura. A parceria foi iniciada em Breakfast in a Morning Tram. Das doze canções desse álbum, quatro são com letras de Ishiguro. No CD lançado ontem, é parceiro de The Summer We Crossed Europe In The Rain e Waiter, Oh Waiter. Aliás, “garçom, seo garçom!”, é bem brasileiro. E a música também. Ouça:
Se você é fã de Stacey e de MPB, não deixe de ter esse CD. Tudo é muito brasileiro, até Chanson Légère, de Bernie Beaupère, outro parceiro “reincidente” e Smile, de Charlie Chaplin, com introdução instrumental com o tema de O Bêbado e o Equilibrista. Confira.
Veja o teaser de The Changing Lights.
Ouça Samba de Uma Nota Só.
Ouça um trecho de Estrada Branca.

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