terça-feira, 17 de setembro de 2013

The Changing Lights, o disco mais brasileiro de Stacey Kent

A capa do novo CD de Stacey Kent
Tem tempo ainda. No dia 4 de dezembro, Stacey Kent se apresentará no clube novaiorquino Birdland, em comemoração ao lançamento de The Changing Lights. O ingresso custa 45 dólares e consumação mínima de 10, valor bem mais modesto que os 400 reais mais 85 de taxa de conveniência do show da cantora que aconteceu em novembro do ano passado no Teatro Reanault, antigo Paramount, em São Paulo (leia http://bit.ly/16eP2r4). Com a diferença que é no Birdland e, apesar do frio, é sempre bom caminhar pelas ruas de Nova York.

Ontem, 16 de setembro, foi o lançamento oficial do último CD de Stacey Kent. De tanto vir para cá, realiza seu álbum “mais brasileiro”, apesar de ter sido gravado em Sussex, Inglaterra, e contar com apenas um brasileiro no lineup. A língua portuguesa e as referências a nossa música têm sido uma constante em seus trabalhos mais recentes.

Stacey não possui a voz marcante de Sarah Vaughan, nem a potência de Carmen McRae, e talvez por isso, saiba usá-la como ninguém. Sua voz é pequena e complexa. Ao contrário de outras, conhece o que canta. Não basta ter uma bela voz para ser bom intérprete. Com impressionante humildade disse que ainda trabalha a voz: “Tento cantar o melhor que eu posso, simplesmente, porque é a minha profissão e minha razão de ser.”

Nada melhor do que alguém com Stacey para interpretar canções como This Happy Madness (Estrada Branca), One Note Samba (Samba de Uma Nota Só) e Insensatez (How Insensitive), de Antônio Carlos Jobim. Os outros brasileiros presentes no álbum são Dori Caymmi (Like a Lover), Marcos Valle (The Face I Love) e Roberto Menescal (O Barquinho). Toca violão na música de sua autoria e em A Tarde, de Jim Tomlinson e o poeta António Ladeira. O português é parceiro também em Mais Uma Vez. São duas canções belíssimas, melancólicas e poderiam passar por brasileiras facilmente, apesar de compostas por um inglês e um português.


Ouça A Tarde. As duas de Ladeira são cantadas em português.




Como Stacey formou-se em Letras nos EUA e foi fazer um curso de Literatura Comparada na Inglaterra (dê uma busca por “Stacey Kent” no blogue; como é uma das minhas preferidas, publiquei vários textos sobre ela), é natural seu cuidado com os “letristas”. Mais que letristas, os parceiros são escritores. Além de António Ladeira, Stacey e Jim são próximos a Kazuo Ishiguro. Nascido no Japão, escreve em inglês e é considerado um dos grandes da atualidade. A ligação vem de gostos em comum: o jazz e a literatura. A parceria foi iniciada em Breakfast in a Morning Tram. Das doze canções desse álbum, quatro são com letras de Ishiguro. No CD lançado ontem, é parceiro de The Summer We Crossed Europe In The Rain e Waiter, Oh Waiter. Aliás, “garçom, seo garçom!”, é bem brasileiro. E a música também. Ouça:




Se você é fã de Stacey e de MPB, não deixe de ter esse CD. Tudo é muito brasileiro, até Chanson Légère, de Bernie Beaupère, outro parceiro “reincidente” e Smile, de Charlie Chaplin, com introdução instrumental com o tema de O Bêbado e o Equilibrista. Confira.




Veja o teaser de The Changing Lights.




Ouça Samba de Uma Nota Só.



Ouça um trecho de Estrada Branca.

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