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| Weber e seu contrabaixo diferente |
Weber, como um baixista de formação clássica, nunca pensou-se como alguém na tradição de Ray Brown, Scott LaFaro ou Niels-Henning Ørsted Pedersen. Procurava por uma sonoridade diferente. Não lhe apetecia tocar baixo Fender, como foi o que fez Steve Swallow, depois de ter começado no acústico.
O alemão procurou um luthier que fazia violinos e desenvolveu um contrabaixo elétrico, meio nos moldes do tradicional. O que deveria ser o corpo do contrabaixo, tomou forma de um losango alongado, manteve o espigão e a voluta, e adicionou uma corda. Enfim, criou um híbrido entre o acústico e o elétrico, e assim, uma nova sonoridade, inconfundível, que tornou-se sua marca. Alguns que não o conhecem devem tê-lo ouvido em discos da inglesa Kate Bush.
Ouça o contrabaixo de Weber em Mother Stands for Comfort, de Bush.
O primeiro álbum
Levando em paralelo à música, por alguns anos trabalhou em teatro e televisão. Em 1973, lançou The Colours of Chloë, seu primeiro, e celebrado pela crítica. O crítico Paul Olson classifica-o como “a near-perfect album.”
Montou uma banda com Rainer Brüninghaus nos teclados, Charlie Mariano no sax alto, soprano e flauta shenai, e Jon Christensen na bateria. Com essa formação, gravou o que considero o seu melhor álbum: Yellow Fields. Mariano, que começou lá atrás, em meados dos 1950, estava em uma fase em que se aproximara de sons orientais, e aqui, estava na ponta dos cascos.
Em Touch, música que abre Yellow Fields (1975), serve bem como amostra do som do contrabaixo diferente. Ouça. Tudo é perfeito, o soundscape de Brüninghaus, o soprano de Mariano e a bateria discreta de Christensen.
Ouça também Sand Glass.
Lançou mais de uma dezena de álbuns, todos muito bons pela ECM e participou de vários com outras estrelas da gravadora. O som de seu contrabaixo elétrico deixou a sua marca em discos de Gary Burton, Jan Garbarek, Pat Metheny e Ralph Towner.
Ouça Oceanus, de Ralph Towner. Essa canção está em Solstice (ECM, 1975).
Ouça Unfinished Sympathy, do álbum Ring (ECM, 1977). É um dos melhores de Gary Burton, com uma formação de sonhos: Pat Metheny e Mick Goodrick nas guitarras, Gary no vibrafone, Weber e Steve Swallow, este, no baixo elétrico, e Bob Moses na bateria.
Veja Jan Garbarek e Weber em Trollsyn, em apresentação de 2006.
Acidentes acontecem
Em comemoração aos 65 anos, em 2005, Weber fez uma apresentação com a Sttutgard Radio Symphony Orchestra, acompanhado de alguns músicos que sempre tocaram com ele, como Rainer Brüninghaus, Gary Burton e Jan Garbarek. Dela foi lançado o CD Stages of a Long Journey (ECM, 2007). O melhor de Weber está aqui, em versões orquestrais.
O título, com a supressão de um pedaço, é o nome de uma das composições do show: The Last Stages of a Long Journey. O “last” era premonitório. O contrabaixista teve um derrame sério o suficiente para impossibilitá-lo de tocar para sempre, mas não o de continuar a produzir música.
Nas inúmeras vezes em que tocou com a banda de Jan Garbarek, Weber costumava fazer um interlúdio, solos que serviam de início aos temas. Vários deles foram retrabalhados em estúdio com o acréscimo de teclados eletrônicos, da bateria e percussão de Michael DiPasqua e do saxofone e flauta de Jan Garbarek, e o resultado foi Resumé (ECM, 2012).
Veja Weber e Rainer Brüninghaus executando Heidenheim. Não é a versão que está em Resumé.
Depois de Resumé, em 2015, seguindo o mesmo procedimento, foi lançado Encore. Mas o que é de primeira, é a reunião de vários músicos da ECM e alguns não em Hommage a Eberhard Weber, que saiu no mesmo ano. Com Pat Metheny, Jan Garbarek, Gary Burton, Scott Colley, Danny Gottlieb, Paul McCandless, Michael Gibbs e Helge Sund com a SWR Big Band. Eberhard Weber, em sua modéstia, disse uma vez que “talvez ele fosse bom em esconder as suas falhas.” Se for isso, escondeu bem. É um contrabaixista no nível dos melhores da história do jazz.
Veja a apresentação de Tübingen.
Veja o EPK do álbum.

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