terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Apaixonado por kd lang

kd lang emociona cantando So in Love
Ouvir um belo So in Love com Philip Catherine, no CD Plays Cole Porter (Challenge, 2011), me faz pensar em outros “so in love”, não o estado emocional, mas na música. E a primeira de que me lembro é uma que não se insere em seu terreno “confortável” e natural, que é o jazz. Refiro-me à tocante interpretação de kd lang, que faz parte do projeto Red Hot & Blue.

Na década de 1980, uma parcela considerável de pessoas do meio artístico estava morrendo em decorrência do vírus da AIDS. John Carlin trabalhava em um escritório de advocacia especializado em negócios ligados à área do entretenimento. Como muita gente naquela época, percebendo o poder de letalidade da doença, queria fazer alguma coisa. Carlin começou a pensar em alguma coisa que pudesse “fazer o mundo prestar atenção e interromper essa coisa terrível que estava se espalhando silenciosamente. […] Um dia, então, tive uma ideia.”

Quando estava no escritório de advocacia, trabalhava em um contrato cuja proposta era a de se realizar um disco com cantores de ópera interpretando Cole Porter. No conceito de Carlin, Porter era um compositor da música popular, e não da música clássica. Ele começou “sonhando com David Byrne, U2 e Annie Lennox cantando essas músicas.” Para ele, a música de Porter era “um perfeito veículo” para um projeto voltado à causa da AIDS: “Porter era um homossexual que escondeu esse fato nos repressivos anos 1920 da América”.

Da ideia à realização, a distância é grande: “um projeto beneficente envolve muito mais do que sonhar com ideias”. No terreno das ideias, passou a ter a cooperação de Leigh Blake, uma “especialista em causas perdidas”, segundo ele. Ela propôs que se fizesse algo que combinasse músicos e cineastas. Na parte operacional, contou com Rick Papas.

Imagine um projeto em que, além de músicos como Neneh Cherry, David Byrne, Jimmy Sommerville, Salif Keita, Sinead O’Connor, Tom Waits, entre outros, contou com cineastas como Neil Jordan, Wim Wenders, Percy Adlon e Jim Jarmusch. Não foi fácil. O resultado ficou de acordo com a qualidade do projeto: venderam-se mais de um milhão de discos e o especial para a TV com os curtas rodou o mundo. A mensagem estava dada. Depois, vieram vários “filhotes” com o nome Red Hot + “alguma coisa” (Rio, Lisbon, Riot, Country, etc.)

Por sorte, temos o vídeo de So in Love, com kd lang, dirigido por Percy Adlon, no YouTube. Veja aqui.



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