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| Carol Welsman e seu piano |
Krall pode ter mais atributos que as duas citadas, igualmente. Allyson, contratada por outra boa gravadora – a Concord – tem uma “fachada” tão boa quanto a da canadense, é boa pianista, apesar de, pouco se apresentar tocando-o, e possui uma voz levemente anasalada, irresistível e afinadíssima. Das três, a voz de Carol é a mais comum, mas é ótima no piano; como Krall, canta sentada ao piano.
Nem conhecia Carol Welsman até sua apresentação no Bourbon Street Music Club, São Paulo, 2003. O amigo Carlos Conde sempre recebia ingressos para as apresentações de jazz por conta de seu programa semanal na Rádio Cultura. A prioridade era a Dôra, sua mulher; mas quando não ia, sobrava para nós. Desse jeito, vi John Pizzarelli até enjoar, pudemos – a mesa era só de homens nessa vez – comentar sobre a boa forma física, bem ao gosto dos brasileiros, de Nnenna Freelon, ver o “efeito sanfona” agindo em Jane Monheit e, antes de tudo, compartilhar belas apresentações com o saudoso Conde.
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| O autógrafo à direita, na vertical |
Nem me recordo do repertório da apresentação. Lembro mesmo da grata surpresa de “descobrir” mais uma boa cantora. Esse foi meu prazer maior. Ao final do show, como de costume, quando estava com o Conde, fomos até o camarim. Muito simpática, trocou algumas palavras conosco e até ganhei um autógrafo no CD The Language of Love.
Refiro-me com certa frequência aos cantores internacionais cantando em português (http://bit.ly/miv8gt, http://bit.ly/m9Yu1j, http://bit.ly/kGTsht, http://bit.ly/ipS62M). Para continuar na toada, ouça Samba de Uma Nota Só. O interesse de Welsman é mais ou menos antigo: teve discos produzidos por Oscar Castro Neves. Tenho uma teoria: todas as que ouviram o Mais Que Nada, de Jorge Benjor, com a banda de Sergio Mendes, ficaram com vontade de cantar uma música em português. Coincidência ou não, Castro Neves estava lá, com Sergio Mendes.
Ouça e veja o belíssimo dueto de Carol Welsman e Djavan em Oceano.
Nota: De Kalafe surgiu nos anos 1960. O visual hippie – cabelos longos e “despenteados” e o costume de se apresentar vestida com uma longa bata branca – representava, de certo modo, um ato de rebeldia em relação à ditadura militar no Brasil. Participou de festivais de música e apresentou-se em programas da antiga TV Record. Sumiu. Mas esse “desaparecimento” se deu porque foi morar no México, se não me engano. E parece que é bem conhecida no mercado latino. Algum internauta brasileiro a “descobriu” em uma série de TV mexicana chamada Capadocia, pela HBO, fazendo uma participação especial. Ah, esqueci: a diferença é que ela cantava descalça, antes de Cesaria Évora.


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