segunda-feira, 20 de junho de 2011

Carol Welsman ou “Afinal, por que elas cantam em português?”

Carol Welsman e seu piano
Carol Welsman é uma canadense de belo porte – deve ter, pelo menos um metro e oitenta de altura –, bonita, boa pianista e cantora. Com esses predicados poderia ter sido uma “pré” Diana Krall. O destino sorri mais para uns do que para outros. Além de Carol, lembro de Karrin Allyson, que possui mais ou menos os mesmos atributos. A discussão de dizer qual das três é melhor, facilmente, cairia no terreno da subjetividade. Objetivamente, os predicados de Krall se encaixaram melhor no mercado: desfrutou a felicidade de ter sido contratada por uma grande gravadora de jazz – a Impuse, e depois, a Verve –; foi “descoberta” pelo baixista Ray Brown e estudou piano com Jimmie Rowles; e, obviamente, é um talento explosivo em forma de uma bela mulher.

Krall pode ter mais atributos que as duas citadas, igualmente. Allyson, contratada por outra boa gravadora – a Concord – tem uma “fachada” tão boa quanto a da canadense, é boa pianista, apesar de, pouco se apresentar tocando-o, e possui uma voz levemente anasalada, irresistível e afinadíssima. Das três, a voz de Carol é a mais comum, mas é ótima no piano; como Krall, canta sentada ao piano.

Nem conhecia Carol Welsman até sua apresentação no Bourbon Street Music Club, São Paulo, 2003. O amigo Carlos Conde sempre recebia ingressos para as apresentações de jazz por conta de seu programa semanal na Rádio Cultura. A prioridade era a Dôra, sua mulher; mas quando não ia, sobrava para nós. Desse jeito, vi John Pizzarelli até enjoar, pudemos – a mesa era só de homens nessa vez – comentar sobre a boa forma física, bem ao gosto dos brasileiros, de Nnenna Freelon, ver o “efeito sanfona” agindo em Jane Monheit e, antes de tudo, compartilhar belas apresentações com o saudoso Conde.

O autógrafo à direita, na vertical
Ver Carol emergir no pequeno palco do Bourbon foi uma bela surpresa. Era uma bela senhora (43 anos na época), alta e felinamente esguia, com uma roupa que lhe realçava o corpo, e descalça; e eu que pensava que apenas Maria Bethânia e De Kalafe (alguém sabe quem é ela? Resposta no fim do texto) tinham o direito de cantarem descalças… A visão daquela mulher de cabelos claros ao piano impressionava. À habilidade no piano somava-se a voz clara e afinada e, presença de palco, principalmente.

Nem me recordo do repertório da apresentação. Lembro mesmo da grata surpresa de “descobrir” mais uma boa cantora. Esse foi meu prazer maior. Ao final do show, como de costume, quando estava com o Conde, fomos até o camarim. Muito simpática, trocou algumas palavras conosco e até ganhei um autógrafo no CD The Language of Love.

Refiro-me com certa frequência aos cantores internacionais cantando em português (http://bit.ly/miv8gt, http://bit.ly/m9Yu1j, http://bit.ly/kGTsht, http://bit.ly/ipS62M). Para continuar na toada, ouça Samba de Uma Nota Só. O interesse de Welsman é mais ou menos antigo: teve discos produzidos por Oscar Castro Neves. Tenho uma teoria: todas as que ouviram o Mais Que Nada, de Jorge Benjor, com a banda de Sergio Mendes, ficaram com vontade de cantar uma música em português. Coincidência ou não, Castro Neves estava lá, com Sergio Mendes.



Ouça e veja o belíssimo dueto de Carol Welsman e Djavan em Oceano.



Nota: De Kalafe surgiu nos anos 1960. O visual hippie – cabelos longos e “despenteados” e o costume de se apresentar vestida com uma longa bata branca – representava, de certo modo, um ato de rebeldia em relação à ditadura militar no Brasil. Participou de festivais de música e apresentou-se em programas da antiga TV Record. Sumiu. Mas esse “desaparecimento” se deu porque foi morar no México, se não me engano. E parece que é bem conhecida no mercado latino. Algum internauta brasileiro a “descobriu” em uma série de TV mexicana chamada Capadocia, pela HBO, fazendo uma participação especial. Ah, esqueci: a diferença é que ela cantava descalça, antes de Cesaria Évora.

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