terça-feira, 24 de julho de 2012

Dias chuvosos e “Here’s That Rainy Day”

“Organização prevê plano contra chuva’. Este é o título de matéria que está no caderno de esportes da Folha de S. Paulo (18/7/2012). Nos dias que antecedem o início das Olimpíadas em Londres, seus organizadores têm inúmeras preocupações, quanto à segurança, por exemplo. Mas como se realiza em um país famoso pelo mal tempo, certas precauções são imprescindíveis. Londres é famosa pelos dias cinzentos, mas parece que os índices pluviométricos não são tão altos assim. Contudo, em todo torneio de tênis em Wimbledon, a chuva interrompe jogos. Agora, colocaram teto retrátil na quadra central. Como a gente está no mundo para quebrar escritas, na única vez em que estive lá, num mês de outubro, os dias foram ensolarados e especialmente belos. Lembro até hoje do céu azul sem nuvens, com um mundaréu de gente a passear em um fim de semana na região do Covent Garden.

Bem longe de Londres, no Hemisfério Sul, experimentamos dias chuvosos, e a paisagem que vejo da janela é muito feia (em qualquer estação, nesse bairro onde trabalho). A chuva que cai desde a madrugada me deixa melancólico. Quem sai na chuva, sai por necessidade. A situação ideal é ficar em casa, assistindo a uma “sessão da tarde”, ou na falta do que fazer, ver a vida “acontecendo” pela janela. A imagem da melancolia está, invariavelmente, ligada à contemplação.

Os dois parágrafos se referem a um estado de espírito e, porquanto ouço uma bela interpretação de Here’s That Rainy Day com George Shearing.

Van Heusen e Burke são autores de grandes standards
Duas coisas sobre Here’s That Rainy Day

A música foi composta por Jimmy van Heusen, com letra de Johnny Burke, em 1953. Foi cantada, pela primeira vez, por Dolores Gray, no musical Carnival in Flanders. O musical não vingou, mas a canção se tornou um clássico. Foi cantada por uma infinidade de intérpretes: Billy Eckstine, Frank Sinatra, Tony Bennett, Rosemary Clooney, June Christy, Perry Como, Ella Fitzgerald, Astrud Gilberto e muitos mais. O tema serviu para maravilhosas incursões instrumentais de Stan Getz, Joe Pass, Chet Baker, Bill Evans, Dave Brubeck, Art Farmer, enfim, pelo primeiro time do jazz. Dessa interpretações, possuo na minha CDteca trinta gravações diferentes, e no meu iTunes que ouço durante o trabalho, dezenove.

A segunda coisa é a lembrança de quando eu, a Daniela Secondo, o Oswaldo de Camargo e a Betha Hermano finalizávamos o livro Ação sobre a Pregação, uma coletânea de depoimentos sobre Mario Covas. O aparelho de som está sempre ligado, mesmo nas horas de trabalho. Nunca me atrapalhou. Lembro, até hoje, quando rodava o CD Nobody Else But Me, de Stan Getz, de Betha ter dito que era uma de suas baladas preferidas. A Betha entendia muito de música. Ficou a saudade dos “happy hour” que fazíamos perto das 20h. Era a hora da pausa. Tomávamos um scotch – menos a Dani, que não era de beber –, e depois, continuávamos o nosso trabalho.

Betha, você não está mais aqui, mas essa é pra você. Nessa interpretação, Getz é acompanhado por Gary Burton no vibrafone, Gene Cherico no contrabaixo, e Joe Hunt na bateria. Foi gravada em 4 de março de 1964.

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