terça-feira, 13 de novembro de 2012

Chá para um ou para dois? O de Robert Plant é para um

Doris Day e Robert Plant
Tea for Two, composta em 1925, é do musical No, No Nanette. É de Vincent Youmans, com letra de Irving Caesar. É um dos grandes standards do cancioneiro americano. Foi gravada e tocada por meio mundo. Funciona bem cantada e, tocada apenas, também. Não foi Nick Hornby, em Alta Fidelidade, quem inventou a mania de listas dos melhores – as dez mais, os livros que se deve ler antes de morrer, etc. –, mas dali em diante, o inglês virou referência à mania, tão comum, de fazermos listas. No meu levantamento, tenho 37 interpretações diferentes de Tea for Two, o que comprova a popularidade desse tema de quase 100 anos de idade. Gosto, particularmente, dessa música no piano. Elegeria as de Nat “King” Cole, Art Tatum e de Bud Powell as melhores nesse instrumento. Existe uma no saxofone, excepcional, a de Lester Young, em The President Plays (Verve). “Presidente” era o apelido de Young. Com letras, pode-se destacar as de Anita O’Day, Bobby Short, Ella Fitzgerald, Lee Wiley, Jane Monheit e, é claro, a de Doris Day.

A letra de Caesar é a narração de um momento ideal do amor, o chá para dois e “nós dois com chá”. Refere-se àquelas horas em que se vive o amor sem que os amigos ou um parente possam estragá-lo, sem um telefone a atrapalhar o idílio. O chá para dois é o momento só dos dois.

O chá para uma pessoa, ao contrário, celebra a solidão, o tédio, distância e saudade: “Como é que vinte e quatro horas,/ baby, às vezes, parecem dias/ Oh, vinte e quatro horas/ Baby, às vezes, parecem dias/ Quando um minuto parece durar toda a vida.”

Tea for One é a última faixa de Presence, o sétimo álbum do Led Zeppelin. Como a banda andou “falada” nos últimos dias por conta do lançamento do DVD e exibição nos cinemas de Celebration Day, o último show deles, e Robert Plant se apresentou no Brasil, fiquei ouvindo o Zeppelin nesses dias em que andei aprisionado no trânsito paulistano. Quando ouvi esse blues, lembrei-me que tinha esquecido dele; e é tão bom quanto Since I’ve Been Loving You.

Agora, é ouvir (e ver) Tea for One.




E, que tal matar as saudades do Led Zeppelin ouvindo Since I’ve Been Loving You?




Doris Day. Em Saudades do Século 20 (Companhia das Letras, 1994), de Ruy Castro, Doris é um dos treze gênios do século passado. Não é pouco. Ouça Tea for Two, por Doris. Outro dia, “mataram” o arquiteto Oscar Niemeyer (sábado, 10 denovembro). Doris (nasceu em 1922) está vivinha da silva.



Nat “King” Cole interpreta Tea for Two. Essa é daquelas que não se pode perder. Maravilha pura.

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