quinta-feira, 12 de maio de 2016

Radiohead queima a bruxa

Na semana passada, sem alguma explicação, os perfis da banda Radiohead sumiram do Facebook, do Google+, suas páginas ficaram em branco no twitter, e no site oficial, também. Estranho, muito estranho, mas ficou no ar que algo estava para acontecer. Especulou-se que estariam para lançar um novo álbum.

Previsão correta. No dia 3, anunciaram o lançamento do novo – o nono – álbum para o dia 8, domingo. No mesmo dia, lançaram o vídeo promocional Burn the Witch. Dois dias depois, foi a vez do clipe Daydreaming, dirigido por Paul Thomas Anderson, diretor de Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), filme em que a trilha sonora é de Jonny Greenwood,

Essas duas canções do clipe são as primeiras do álbum A Moon Shaped Pool, A primeira é a mais agitada do disco, a segunda é bem etérea, bem Radiohead, assim como Decks Dark, com efeitos eletrônicos e melancólica. Melancólica também é a balada Glass Eyes, A voz de Thom Yorke, frágil, combina perfeitamente com o clima um tanto asfixiante das instrumentações que lembram um pouco as viagens sonoras do Massive Attack. É uma mistura de densidades construídas com sons eletrônicos em contraste com sonoridades acústicas esparsas do violão ou do piano.

As músicas, no álbum, curiosamente, estão em ordem alfabética, o que sugere que não tenha sido produzido levando-se em conta alguma sequência de climas ou um conceito pré-determinado senão esse. Sendo assim, a primeira é Burn the Witch, e a última, True Love Waits que, inclusive, é uma das que são conhecidas pelos que foram aos shows da banda. Esta é de 1995. Aliás, alguns críticos especulam que esse é o último disco deles em razão de apenas cinco das onze são inéditas. De qualquer modo, Yorke, Greenwood e seus companheiros não fazem feio. Apesar de não apresentarem algo que possa ser rotulado como revolucionário ou inovador, é um dos grandes lançamentos do ano. É a impressão de sempre: beleza melódica acompanhada de um certo estranhamento, um algo fora de lugar, como aquele estranho olhar de Thom.

Veja Thom cantando True Love Waits.





Veja o clipe de Burn the Witch.





Veja o de Daydreaming, dirigido pelo diretor de Magnólia e de Ouro Negro.




O mercado mudou muito. Quase ninguém mais compra CDs. Com a disseminação de downloads ilegais, para quê pagar por algo possível de estar disponível de graça? Ilegal? Sim. Mas não teria sido ilegal valores escorchantes para uma mídia que tem custo de 2 reais e é vendido por 30, 35? Quer dizer que o resto vão para as gravadoras, artistas e vendedores. Entre zero e 35 reais, a tentação de não se pagar nada é irresistível, principalmente, ao jovem que vive de mesadas dadas pelos pais. A solução é apresentar produtos com diferenciais que os torne atraentes ao consumidor. Curiosamente, em vez de torná-los mais baratos, fazem produtos luxuosos e que custam muito caro. Não é diferente com A Moon Shaped Pool. Eles criaram um site exclusivo para a venda do álbum em vários formatos. Se te interessa, vai lá: http://www.amoonshapedpool.com/

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