quinta-feira, 19 de maio de 2016

Quando dá tudo certo para Ranee Lee

Ranee Lee e o pianista Oliver Jones
Um lugar com boas cantoras é o Canadá. Além da conhecidíssima Diana Krall. Mais ou menos da idade de Diana, tem Carol Welsman, tão bela quanto a mulher de Elvis Costello, é também boa pianista. Outra com os mesmos quesitos, pouco mais nova que Diana é Holly Cole. Menos conhecida é Susie Arioli, nem tão bela, mas que não faz feio.

Dentre as mais novas que as citadas, destacam-se a russa-canadense Sophie Milman, uma bela e charmosa loura com ótima presença de palco, Emilie-Claire Barlow, Laila Biali, boa ao piano e nas vozes, e Niki Yanofsky, que bandeou-se para o pop nos últimos tempos.

Mais velha que todas as citadas é Ranee Lee, que merecia ser mais conhecida. Nascida em Nova York, mudou-se para o Canadá aos 18 anos e por lá construiu uma sólida carreira. Como nasceu em 1942, experiência é o que não lhe falta. Tem pouco mais de uma dezena de álbuns gravados, mas apresenta-se com frequência em clubes e teatros. Um de seus destaques é o álbum duplo Dark Divas, a partir de musical do mesmo nome, concebido e dirigido por Lee, em que aborda o repertório de intérpretes como Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Dinah Washington, Pearl Bailey, Josephine Baker, Lena Horne e Billie Holiday.

Um dos clubes que Lee costuma se apresentar é o Upstairs Jazz Bar & Grill. É um dos melhores lugares para se ouvir jazz em Montréal. Uma dessas apresentações virou o álbum Live Upstairs (JustinTime, 2009). É acompanhada pelo marido guitarrista Richard King, o pianista John Shadoqy, o baixista Morgan Moore e o baterista Dave Laing. As dez faixas do CD abrangem vários estilos e épocas.

O bom desses discos ao vivo é a oportunidade de eternizar aquelas noites especiais, em que tudo dá certo, a banda está afiadíssima e a interação com o público é mágica. Não sei se o álbum é o registro de uma noite apenas, mas parece que tudo estava perfeito com Ranee Lee e seus músicos. Sua voz lembra um pouco a da brasileira Rosa Maria, hoje esquecida, e a da americana Mary Stallings.

Um dos números apresentados não é do repertório usual do jazz, mas é um clássico: Fire and Rain. Ouça.




Outro tema que foge um pouco do que rotulamos como jazz é A Crooked Road, de Pat Metheny e letra de Samantha Moore. Ouça.




Um destaque é A Time for Love, genial canção de Johnny Mandel. Ouça.



Algumas recomendações
Capa com autógrafo para o Carlos Conde
Além de Live Upstairs, merece serem conhecidos os seguintes álbuns:
Deep Song (2012) – Nesse CD é acompanhada por Oliver Jones, um dos melhores pianistas canadenses, e o veterano baixista Milt Hinton.
Dark Divas (2000) – álbum duplo com belo repertório de clássicos em que homenageia grandes cantoras americanas negras.
Just You, Just Me (2005) – Duo com o pianista Oliver Jones.
Seasons of Love (1997), com participação de especial de David Murray.
I Thought About You (1994) – Ranee canta três temas brasileiros: One Note Samba, No More Blues e The Island.
What’s Going On? (2013) – É o álbum mais recente de Ranee.


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