O pai de Hugh era um militar americano e a mãe – poeta “atormentada” –, Katharine Kennedy. Hugh casou-se com Nancy e teve dois filhos: Elizabeth Ann e Mark Oliver. Mark não mostrou nenhuma aptidão para a Matemática e nem para a Física, mas interessou-se pelos discos que a irmã Elizabeth ouvia. Ela ouvia After the Gold Rush, de Neil Young, todos os dias. É o que consta na biografia do jovem chamado pelos amigos de “M.E.”. Com seis anos, descobriu numa garagem da vizinhança uma kit de bateria de criança posto à venda. Conseguiu comprá-lo com a bondosa ajuda dos pais. Para a desgraça deles, tiveram de suportá-lo “batendo” aquela bateria por dez anos seguidos.
Quando tinha 19 anos, encontrou seu pai morto. Sua irmã “densa” cometeu o suicído em 1996. Com esse histórico familiar tinha a chance de tornar-se um rapaz problemático ou poderia canalizar esse “histórico” para alguma coisa criativa, como ser escritor. Mas seguiu uma outra via.
Estava “escrito” que Mark se tornaria músico quando crescesse e não um cientista, como o pai. Quando tinha vinte anos registrava incessantemente as composições que escrevia num gravador de segunda mão de quatro canais. Aos 24, pegou o carro, viajou quase cinco mil quilômetros até Los Angeles. Não conhecia ninguém. Depois de tanto compor e gravar na solidão dos lugares que habitou, evoluiu e, afinal, tinha um bom material em mãos. Conseguiu um contrato com a Polydor Records, diminuiu o “M.E.” para “E”, simplesmente. Gravou solo e depois formou a banda Eels.
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| Dois tempos de E: em 2000 e 2010 |
Uma banda com um nome de apenas quatro letras e um líder chamado E; não seria nada surpreendente de que se esperasse um som diferente. Não era rock, não era pop, era, simplesmente um som “eels”. Com seu piano Wurlitzer, a guitara e voz melancólica, suas composições, para quem pouco o conhece, podem ser ouvidas em Shrek 1 (My Beloved Monster), Shrek 2 (I Need Some Sleep). Souljacker part I (que faz parte do álbum Souljacker, 2002) teve um clipe dirigido por Wim Wenders e foi realizado numa prisão de Berlin (veja abaixo).
Depois de terem lançado Beautiful Freak (1996), Electro-Shock Blues (1998), Daisies of the Galaxy (2000) e Souljacker (2002), gravaram mais alguns discos que não ouvi. Como não foram lançados no Brasil, meio que esqueci deles. O “reencontro” acontece com Tomorrow Morning, que saiu em setembro agora. Belo CD, bom como sempre. Ele faz parte de uma trilogia – Hombre Lobo (2009) e End Times (janeiro de 2010) são os anteriores. Levemente estranho, o Eels ainda surpreende.
My Beloved Monster, em Shrek 1:
I Need Some Sleep, em Shrek 2:
Souljacker Part I:

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