quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E de Eels

“Hugh Everett III (11 de novembro, 1930 – 19 de julho, 1982) foi um físico estadunidense que propôs a interpretação de muitos mundos (IMM) da Física Quântica, que ele chamou formulação do ‘estado relativo’.” Isso está no Wikipedia. Esse cientista, quando jovem, andou trocando correspondência com Albert Einstein debatendo se o que “mantinha o universo coeso era algo aleatório ou unificador”.

O pai de Hugh era um militar americano e a mãe – poeta “atormentada” –, Katharine Kennedy. Hugh casou-se com Nancy e teve dois filhos: Elizabeth Ann e Mark Oliver. Mark não mostrou nenhuma aptidão para a Matemática e nem para a Física, mas interessou-se pelos discos que a irmã Elizabeth ouvia. Ela ouvia After the Gold Rush, de Neil Young, todos os dias. É o que consta na biografia do jovem chamado pelos amigos de “M.E.”. Com seis anos, descobriu numa garagem da vizinhança uma kit de bateria de criança posto à venda. Conseguiu comprá-lo com a bondosa ajuda dos pais. Para a desgraça deles, tiveram de suportá-lo “batendo” aquela bateria por dez anos seguidos.

Quando tinha 19 anos, encontrou seu pai morto. Sua irmã “densa” cometeu o suicído em 1996. Com esse histórico familiar tinha a chance de tornar-se um rapaz problemático ou poderia canalizar esse “histórico” para alguma coisa criativa, como ser escritor. Mas seguiu uma outra via.

Estava “escrito” que Mark se tornaria músico quando crescesse e não um cientista, como o pai. Quando tinha vinte anos registrava incessantemente as composições que escrevia num gravador de segunda mão de quatro canais. Aos 24, pegou o carro, viajou quase cinco mil quilômetros até Los Angeles. Não conhecia ninguém. Depois de tanto compor e gravar na solidão dos lugares que habitou, evoluiu e, afinal, tinha um bom material em mãos. Conseguiu um contrato com a Polydor Records, diminuiu o “M.E.” para “E”, simplesmente. Gravou solo e depois formou a banda Eels.

Dois tempos de E: em 2000 e 2010

Uma banda com um nome de apenas quatro letras e um líder chamado E; não seria nada surpreendente de que se esperasse um som diferente. Não era rock, não era pop, era, simplesmente um som “eels”. Com seu piano Wurlitzer, a guitara e voz melancólica, suas composições, para quem pouco o conhece, podem ser ouvidas em Shrek 1 (My Beloved Monster), Shrek 2 (I Need Some Sleep). Souljacker part I (que faz parte do álbum Souljacker, 2002) teve um clipe dirigido por Wim Wenders e foi realizado numa prisão de Berlin (veja abaixo).

Depois de terem lançado Beautiful Freak (1996), Electro-Shock Blues (1998), Daisies of the Galaxy (2000) e Souljacker (2002), gravaram mais alguns discos que não ouvi. Como não foram lançados no Brasil, meio que esqueci deles. O “reencontro” acontece com Tomorrow Morning, que saiu em setembro agora. Belo CD, bom como sempre. Ele faz parte de uma trilogia – Hombre Lobo (2009) e End Times (janeiro de 2010) são os anteriores. Levemente estranho, o Eels ainda surpreende.

My Beloved Monster, em Shrek 1:



I Need Some Sleep, em Shrek 2:



Souljacker Part I:

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