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| Nina Simone, uma das intérpretes de Don’t Explain |
A dor é ótima inspiradora para a criação de obras geniais, e não é só na música. E é por isso que adoro músicas tristes; porque muitas delas são obras primas. Trágico? Nem tanto. Sádico? Nem tanto. Sou obrigado, no entanto, a admitir que estou tendo prazer por conta da dor alheia.
Don’t Explain é uma das minhas “torch songs” preferidas. É uma música cantada por mulheres. No jazz foi interpretada por Nina Simone, Helen Merrill, Natalie Cole, Etta James, June Christy, Anita O’Day, Dee Dee Bridgewater, Nnenna Freelon, Rosemary Clooney, enfim, por todo o primeiro time feminino. As exceções são Robert Palmer, Lou Rawls e Damien Rice, são os que lembro agora. No caso do último, é um duo com Lisa Hannigan (acho que é mulher ou namorada dele). Sua participação é pequena e canta num registro agudo, a ponto de se confundir com a voz de Lisa. Combina.
Tocada apenas, há uma infinidade de interpretações: John Coltrane, Dexter Gordon, Chet Baker, Jim Hall, Steve Kuhn, Wynton Kelly, para citar algumas. Apesar de ser, basicamente, um standard jazzístico, caiu no gosto de intérpretes “pops”. A melhor, sem dúvida, é a de Cat Power. Ouça e você vai ver que não estou mentindo.
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Há uma versão disponível com Lisa Stansfield no YouTube, mas é de uma apresentação em um clube de jazz londrino, o Ronnie Scott. O som do sax tenor logo no início diz tudo.
Outra interpretação clássica é a de Nina Simone. Como Cat Power, a americana é especialista em “torch songs”. Dá até vontade de cortar os pulsos.
Dentre as instrumentais, ouça a de Wynton Kelly. A guitarra é de Kenny Burrell.
Ouça também uma interessante interpretação de Malia, cantora nascida na República de Malawi, antiga colônia inglesa.

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