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| Matthew Garrison, Ravi Coltrane e Jack DeJohnette |
Se me perguntarem hoje, diria que o meu preferido é Jack DeJohnette, por uma razão bem simples: está vivo e continua na ativa. Infelizmente, Tony, apesar de dois anos mais novo que Jack, morreu cedo; aos 52 anos teve um ataque cardíaco após uma cirurgia de vesícula. Vivo, estaria tão na ativa quanto Jack, com certeza. Como este, sempre procurou ir além, explorando outros gêneros. Tocou até no Public Image Ltd., de John Lydon – Johnny Rotten, nos tempos dos Sex Pistols. Foi também um dos pioneiros do fusion jazz, com a Lifetime.
Brevemente, Jack
DeJohnette tem seu início ligado à cena do jazz de Chicago. É o berço da AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians), organização que em sua origem tem nomes da avant garde como Henry Threadgill, Muhal Abrahms e Roscoe Mitchell. Tocou na banda de Charles Lloyd. Saiu logo. Não era o que queria. Foi baterista de Abbey Lincoln, Jackie McLean e Bill Evans antes de entrar na banda de Miles Davis.
O destino aproxima Jack dos Coltranes e Garrisons
Mais de acordo com alguém que tem raízes na cena de Chicago, antes de Lloyd, tocou com Sun Ra e com John Coltrane. Foram apenas três vezes, na nova banda que o saxofonista montara com a mulher Alice Coltrane; era o segundo baterista; o primeiro era Rashied Ali. Dessas sessões de 1966, descobriram recentemente uma foto de Jack com John e Jimmy Garrison. Por uma dessas conjunções do destino, Ravi, filho de John, e Matthew, filho de Jimmy, estão tocando com aquele mesmo Jack, cinquenta anos depois.
Mais que os elos profissionais, existem os pessoais entre Matthew Garrison e Jack. Depois da morte de Coltrane, Jimmy entrou em depressão e tentou o suicídio. Nunca mais tocou pois na tentativa houve o comprometimento dos tendões. Morreu com 42 anos. Matt tinha cinco. Passou a infãncia com a mãe na Itália. Aos 18 anos teria de voltar aos Estados Unidos para fazer o serviço militar. Afilhado de DeJohnette, foi morar com ele e Lydia, sua mulher, em Woodstock. Mais tarde, entrou na Berklee College of Music.
Ravi Coltrane estudou no California Institute of Arts. Em 1991, Ravi e Matt tocaram juntos pela primeira vez com DeJohnette em uma jam improvisada em Woodstock na sua festa de aniversário, na qual também estavam Betty Carter, Kenny Burrell e Al Foster.
Os filhos de John Coltrane e de Jimmy Garrison, em razão das ligações familiares, tinham anteriormente recebido propostas de tocarem juntos. Mas isso só iria acontecer quando se juntaram a Jack e não por alguma sugestão de alguma gravadora ou produtor. Aconteceu porque talvez estivesse escrito nas estrelas que um dia as peças se encaixariam. Foi como o baterista afirmou em matéria da Downbeat (junho 2016): “Mas quando você combina a música com as conexões pessoais, o espiritual, o emocional, conexões históricas e familiares, ela passa a ter uma característica completamente diferente.”
Em movimento
O trio reuniu-se em fevereiro de 2013. Apresentaram-se em festivais e clubes. Houve uma primeira conversa com Manfred Eicher em Nova York, mas nada ficou definido. O produtor não queria que o álbum fosse um registro ao vivo, pois o anterior de Jack, Made in Chicago, fora. De 2013 até a gravação de In Movement, o período foi de muita experimentação em improvisos grupais. Quando entraram no estúdio para gravar, a banda estava madura e com o repertório mais definido.
A referência à John Coltrane não está somente pela participação de Ravi e de Matthew. A primeira faixa é a emblemática Alabama, composta por Coltrane depois do ataque da Klu Klux Klan a uma igreja batista, neste estado, causando a morte de quatro pessoas. Outra é a música Rashied, homenagem ao baterista de Coltrane. Os “Jimmys” de Two Jimmys são Jimi Hendrix e Jimmy Garrison, pai de Matthew. Duas composições são de Jack: Soulful Ballad e Lydia, que é o nome de sua mulher. Completam o álbum a música título, Blue in Green, jazz standard de Miles Davis e Bill Evans, e Serpentine Fire, da banda Earth, Wind and Fire. Os destaques são as duas últimas. O clássico de Davis tem um belo solo de Ravi, e em Serpentine Fire, o baixo elétrico de Matthew faz a diferença, sem contar a atuação de Ravi no saxofone soprano.
Com 73 anos, há mais de 50 anos como músico profissional e o velho Jack continua como um dos protagonistas da música. Participou da revolução fusion de Miles Davis e é o baterista de um dos trios mais longevos da história do jazz, com Keith Jarrett e Gary Peacock. Além das baquetas é um craque ao piano. Por conta disso, tem uma das baterias mais melódicas e poucos têm a sua versatilidade.
Assista ao vídeo promocional do álbum.
Como foi dito, no período anterior à feitura do álbum, o som do trio estava bem experimental. Veja-os em Lusanne, Suiça, em show de 2014.
Veja também o trio tocndo Wise One, no Blue Note de Milão.


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