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| Anoushka Shankar e a cítara |
Prudence Farrow resolveu fazer um curso de meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi na Índia. Aceita, levou a irmã Mia. Como o mundo é pequeno, os quatro Beatles tinham ido fazer a mesma coisa. Consequência desse encontro, compuseram Dear Prudence, preocupados com sua obsessão pelos exercícios de meditação.
George Harrison foi quem mais foi fundo na cultura hindu. Aprendeu o básico da cítara com Ravi Shankar. Um dos pioneiros em montar eventos em prol de grandes causas, foi o responsável por unir vários grandes intérpretes (todos amigos) para o Concert for Bangladesh. Shankar era um deles.
Em 1972, quando aconteceu o Concerto, Ravi já era uma celebridade. Havia se apresentado nos festivais de Woodstock e de Monterrey. No entanto, não era mais “virgem” de Ocidente. Menino ainda, excursionara com um grupo de dança pela Europa. Havia conhecido Yehudi Menuhim, um dos violinistas mais conhecidos da música erudita, em 1952. Muito tempo depois, ambos gravaram o clássico West Meets East (1968), pela inglesa Angel Records. É um dos primeiros discos em que o erudito se mescla ao popular. Só muito tempo depois inventaram um termo para classificar esse gênero: “crossover”.
Na década do slogan “paz e amor”, aquele ar de espiritualidade transmitido por sua música e por sua fala mansa era atraente e apaixonante. E, como do espírito o próximo passo é a carne, enroscou-se com a produtora musical Sue Jones. Foi uma união abençoada: dela nasceu Norah Jones.
Espiritualidade elevada, Shankar não deixava de cuidar bem da sua vida aqui na Terra. Em 1979, quando Norah nasceu, ainda estava casado com a dançarina Kamala Shastri, com quem ficou até 1981. O romance com Kamala datava de meados dos anos 1940, quando ainda estava casado com Ammapuma Devi, que foi sua primeira mulher. Confuso, não? Para ficar um pouco mais, em 1981, tivera uma outra filha, mas com Sukanya Rajan: Anoushka Shankar. O caso com a mãe de Norah durou até 1986. Após o rompimento, reatou com Sukanya, e daí, sossegou..
Ravi Shankar gerou duas filhas talentosissimas. Não é coisa que acontece todos os dias. É raro. Norah cresceu convivendo pouco com o pai. Não existe nada da música dele na mistura de folk, country e jazz de Norah.
Anoushka conviveu mais com o pai, quando ele e sua mãe reataram. Teve lições de cítara com ele e passou a se apresentar aos treze anos, revelando enorme musicalidade. E conseguiu desenvolver uma carreira independente, mesmo tocando o mesmo instrumento.
Mas, de certo modo, Anoushka segue por uma linha evolutiva iniciada pelo pai, que é o tal do “crossover”. Nascida em Londres, passando a infância nos EUA, fazendo apresentações na Índia, o resultado é uma música que transcende rótulos.
Depois de gravar cinco álbuns, em 2011 lançou seu primeiro por uma das maiores gravadoras de música erudita, a Deutsche Grammophon. O declínio das vendagens de música erudita fez com que a Deutsche e outras majors do setor como a Decca e a Virgin Classics passassem a procurar outras opções que seduzissem ouvintes mais jovens. Elvis Costello lançou um disco com a mezzo-soprano Anne Sofie Mutter incluindo composições do roqueiro “crossover”, de Lennon e McCartney, Burt Bacharach e Tom Waits. Sting lançou pela Deutsche três álbuns explorando o folclore britânico e canções de compositores antigos. Em movimento inverso, o “erudito” Gidon Kremer registrou obras de Astor Piazzolla, com participações como a de Caetano Veloso. Outro que abordou o tango e Piazolla foi o judeu argentino Daniel Barenboim em Mi Buenos Aires Querido, pelo selo Telarc. Este é um item imperdível para o amante da música.
No primeiro álbum para a Deutsche Grammophon, em Traveller, Anoushka reuniu músicos como Pepe Habichuela e Concha Buika, apresentando temas que unem a música indiana e a espanhola.
Assista à apresentação de Anoushka com as músicas de Traveller.
Agora, em 4 de outubro, foi lançado o álbum Traces of You. Ela conta com a participação do músico e produtor britânico de origem indiana Nitin Sawhney. É um disco mais “light” – ou menos frenético – que o anterior e mais ocidental. Traveller é melhor, o que não quer dizer que Traces não seja. É bom, também. É apenas questão de gosto. Anoushka conta com a participação da irmã Norah Jones em The Sun Won’t Set, Traces of You e Unsaid.
Assista ao vídeo oficial da música-título Traces of You, com Anoushka e Norah Jones. O clipe foi dirigido pelo marido de Anoushka, o cineasta Joe Wright, de Razão e Sensibilidade e Desejo e Reparação.
Ouça também Flight, composta e executada por Anoushka.
Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.
Quem assistiu ao Concert for George, ocorrido um ano após a morte de George Harrison, vai se lembrar dela. Veja aqui.

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