Duas coisas sobre Stairway to Heaven
1. Em uma comédia dos anos 1990 – não vou lembrar agora, mas desconfio que tenha sido Wayne’s World – um dos protagonistas entra numa loja de instrumentos musicais. Pega uma guitarra para testá-la. Quando vai tocar, vê uma placa com os dizeres: “No Stairway to Heaven”. Guardadas as proporções, era como no Brasil há tempos. Onde havia um violão, alguém chegava e dedilhava Garota de Ipanema ou Chega de Saudade. Stairway to Heaven virou uma praga. Era a música que qualquer pretendente a guitarrista tocava, era a que todas as estações de rádio executavam, até as bregas. O excesso foi tão grande que nem Jimmy Page e Robert Plant aguentavam mais. Nunca mais a interpretaram em shows.
2. Em razão da vinda de Paris de uma amiga e seu marido a São Paulo, convidei algumas pessoas para um jantar na minha casa. Devíamos estar em umas quinze. Terminado o jantar, foram “obrigados” a participar da minha sessão “novidades musicais/cinematográficas”. Possuia, naquela época, vários Laserdiscs, considerado uma evolução das antigas fitas em VHS. Acabou não pegando e foi logo substituído pelos DVDs, de melhor qualidade de imagem e muito mais práticos. Os DVDs tinham capacidade de armazenar, no máximo 60 minutos em cada face de um discão pesado de 30 cm de diâmetro, enquanto um DVD tinha apenas 12 cm e comportava mais de duas horas de gravação. Possuir um aparelho de Laserdisc era coisa para poucos. Cada um custava algo próximo de 5 vezes do preço de um DVD atualmente. Cheguei a ter mais de 100 – hoje, não valem um tostão. Tinha filmes, shows musicais, apresentações de jazz, música clássica e óperas. A “atração” principal para os amigos, por muito tempo, foi o show Pulse, do Pink Floyd. Demorou anos para ser disponibilizado em DVD (saiu só em 2006), acho que, por conta de problemas contratuais com Roger Waters, que havia saído da banda, portanto era coisa de acesso para uns poucos. Está acontecendo a mesma coisa, agora, para sua versão ser lançada em blu-ray, creio. Nem anunciado está.
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| Esther Williams, bela até debaixo d’água |
Outro Laserdisc que fazia sucesso nas minhas sessões era o That’s Entertainment, uma coleção de melhores momentos dos musicais de Hollywood da MGM. O que houve de melhor está lá: Gene Kelly, Fred Astaire, Carmen Miranda, Judy Garland, Donald O’Connor, Mickey Rooney fantasiado de Carmen Miranda cantando Mamãe Eu Quero, e muito mais.
O amigo Renato M. é um cara engraçado; se tivesse público, então… Naquela noite estava endiabrado. Tinha falado mal do Oscar Niemeyer – a maioria dos presentes era formada em arquitetura –, e chamou Tomie Ohtake de “Tomei um Táxi”.
Um dos trechos de That’s Entertainment é dedicado à Esther Williams. Antes de tornar-se atriz era nadadora. A eclosão da 2ª Grande Guerra abortou o seu sonho de participar de uma Olimpíada. A vida, no entanto, não lhe foi malvada: de belos traços, teve a oportunidade de virar atriz. Juntou o talento na água à representação e ficou conhecida como a “Sereia de Hollywood”. Uma história que guarda semelhanças é a de Johnny Weismuller, o eterno Tarzã. Conquistou cinco medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1924 e 1928. De bela fachada e físico privilegiado, caiu nas graças de Hollywood. Como ator deixou a desejar. Depois de deixar de ser Tarzã, virou o Jim das Selvas. Como ator, não rendeu mais que isso. Esther, ao contrário, sobreviveu melhor e ficou contratada por 15 anos pela MGM e brilhou em alguns filmes de belas coreografias aquáticas. Assista ao trecho destinado a Williams em That’s Entertainment em http://youtu.be/9jUjhrDhFuM.
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| O pequeno Webb na bateria e Ella à frente |
Pois então; estávamos nesse trecho do documetário e saiu com um de seus trocadilhos instantâneos: “Isso aí é o ‘Stairway to Williams‘.” Todos caíram na gargalhada, menos sua mulher. E ainda disse: “Renato, pare com essas gracinhas; só você que está achando engraçado.” Todos riram muito com Renato, menos ela.
Ella canta. Stairway to the Stars foi composta por Mitchel Parish, Matt Melneck e Frank Signorelli. Consta que a primeira gravação é de 9 de maio de 1939 pela orquestra de Glenn Miller, com vocal de Ray Eberle. A gravação de Ella Fitzgerald com a orquestra de Chick Webb, seu “chefe” à época, é de 29 de junho de 1939. Em início de carreira – era uma garota de 22 anos – já mostrava ao que tinha vindo. Na minha opinião, até hoje, é uma das melhores interpretações. Ouça aqui.
Stairway to the Stars com Ella Fitzgerald
Mood for a Day, do Yes, por Steve Howe.
Stairway to the Stars com Ella Fitzgerald
Mood for a Day, do Yes, por Steve Howe.
Não vou disponibilizar Stairway to Heaven. Como Page e Plant, não aguento!


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