terça-feira, 27 de março de 2012

Handbags and Gladrags com Rod Stewart e Gary Burton

Rod Stewart um “poco loco” (reprod.)
Hoje, Rod Stewart é um quase fantasma do que foi. Rod deve ter visto alguns no tempo em que trabalhou como coveiro.

No tempo em que Rod não era o que é hoje, gravou bons discos. Nos anos 1970 e 80, tinha muito “roqueiro” célebre, mas não nesse sentido atual em que, para ser “celebridade” basta aparecer num Big Brother da vida, ou ser apenas um ricaço “aparecido”, ou uma prostituta de alto coturno tentando passar a imagem de milionária. Na era das discotecas como a do Studio 54, de Nova York, a nicaraguense Bianca Jagger era célebre por ser a mulher de Mick apenas. Pela língua viperina de Truman Capote, esse que deixou de ser escritor para virar “carne de vaca” nas colunas sociais, soube-se que Bianca tinha um cecê (é assim na nova ortografia?) bravo, ou como se dizia também, “budum”.

David Bowie, Mick Jagger, Iggy Pop, Lou Reed e Rod Stewart eram protagonistas desse grande mundo de futilidades que Andy Warhol tinha antecipado. Mas eles não estavam preocupados em passar uma imagem de bom mocismo; muito pelo contrário: Lou Reed namorou por um tempo um travesti, Elton John não tinha saído do armário, mas o armário já tinha fugido dele; foram publicadas fotos de Mick Jagger, Lou Reed e David Bowie se beijando (parece que Jagger transou com Angela – “deu” até na música Angie – e com Bowie também. A droga da moda não era mais a maconha nem o ácido lisérgico, e sim, a cocaína. O pó e o álcool dava em poderosa combinação. A festa para os paparazzi eram esses astros e estrelas em seus momentos mais vexatórios. Quanto pior melhor. Mais que a celulite de Juliana Paes e de Caroline Dieckman, interessantes eram as imagens chocantes de Jagger travado, Elton John barbarizando. Rod Stewart não escapou. Há uma foto célebre dele pra lá de bêbado.

Abraços e beijinhos sem ter fim (reprod.)

O problema de Rod começou quando resolveu vestir terninhos brancos, jogar luzers nos cabelhos de vassoura de palha e colocar boné de marinheiro para cantar Sailing ou rodear-se de belas mulheres para sair bem na foto.

Depois de ter participado da banda de Jeff Beck (leia sobre ele cantando Ol’ Man River em http://bit.ly/HcRAMh), montou, com Ronnie Wood, o The Faces. Assinou contrato solo pela
Mercury. Seu primeiro álbum foi An Old Raincoat Won’t Ever Let You Down, em 1969. Grande disco! Depois, foi a vez de Gasoline Alley. Mas estourou mesmo com o seguinte: Every Picture Tells a Story. Maggie May vendeu muito. Lançou depois Never a Dull Moment. Paralelamente, seguiu com o The Faces.

An Old Raincoat Won’t Ever Let You Down (nos EUA chamou-se The Rod Stewart Album) é um disco de grandes interpretações. A primeira é Street Fighting Man, de Jagger & Richards. Muito boa; na guitarra e no baixo, lá está Ronald – mais tarde Ronnie – Wood, o futuro segunda guitarra dos Rolling Stones, companheiro no The Faces. Não é pesada como a original, mas é perfeita na voz “muito especial” de Rod. A seguinte é um belíssimo lamento: Man of Constant Sorrow. Em Blind Prayer é a vez do tecladista Ian Maclagan – outro companheiro do Faces – de abrir a música para as guitarras de Martin Pugh e Wood, e o violão acústico de Martin Quittenton. A música título é de autoria do cantor, assim como as duas seguintes (I Wouldn’t Ever Change a Thing e Cindy’s Lament). O disco é concluído com Dirty Old Town.

Pulei deliberadamente a quarta faixa. Handbags and Gladrags. É um original de Mike D’Abo, ex-Manfred Mann. É a melhor, na minha opinião do disco.

Se você não a conhece, dê uma ouvida aqui.



Há muito tempo não ouvia Handbags and Gladrags. Para minha surpresa, existe uma interpretação solo do vibrafonista Gary Burton em Alone at Last (Atlantic, 1972). Ele é uma dos que fizeram parte da minha“infância” musical. Conheci-o pelos discos lançados pela gravadora ECM. Quando passou a gravar na ECM já tinha dez anos de estrada; lançou o primeiro solo em 1961. Os duos que fez com o tecladista Chick Corea são excepcionais. Tive a chance de vê-lo em uma apresentação no auditório do Anhembi, em São Paulo.



Pode ser que alguns não sabem quem são as figuras na foto: Lou Reed, Mick Jagger e David Bowie (esquerda para a direita)

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