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| Frank e Tom |
Um espertalhão americano criou a versão em inglês e ela virou The Girl from Ipanema. Ficou riquíssimo com essa e outras canções de Jobim, em versões, às vezes sofríveis. Como Marilyn e Alan Bergman, que se tornaram quase versionistas exclusivos das melhores canções francesas, Ray Gilbert o foi das músicas brasileiras da época da bossa-nova.
Foi marcada de touca de um músico que não devia estar tão preocupado com o dinheiro; se bem que existe aquela história, contada até pelo próprio compositor, de quando foi convidado a fazer um trabalho com Vinícius.
Em Em Minas ao Vivo, CD que foi lançado postumamente, com Jobim ao piano, em clima informal, fala bastante e, inspirado pelo lugar em que está, conta um monte de “causos”. Uma delas se refere, justamente, à história do “dinheirinho”: “O Lúcio Rangel me apresentou ao Vinícius, […] que me levou ao grande mundo carioca, em casas com pianos de cauda e aquelas senhoras bonitas, bem lavadas. […] Eu andava com uma pastinha cheia de arranjos, competindo com o aluguel. Perguntei: — Escuta, tem um dinheirinho nisso? O Lúcio ficou escandalizado: — Ô, Tom, esse aí é o poeta Vinícius de Moraes. Eu digo: — Ah, bom.” Vinícius estava procurando um parceiro para Orfeu da Conceição.
Em pouquíssimo tempo, Jobim não teve mais de brigar pelo “dinheirinho” do aluguel; e como João Gilberto, foi morar nos EUA. Outros fizeram o mesmo e surfaram na onda da bossa-nova. O mundo gravou Tom. Depois de tanto tempo, é natural que esse “mundo” encolha. Segundo matéria publicada em 18 de março em O Estado de S. Paulo, assinada por Roberta Pennaforte, pelos dados da Universal Music, editora de Garota de Ipanema, são 1.571 gravações em inglês contra 430 em português. Ainda, segundo a jornalista, Corcovado, Samba de uma Nota Só e Águas de Março, atualmente, são mais solicitadas do que Garota de Ipanema.
Apesar de as composições de Jobim serem basicamente “músicas com letra”, devido à riqueza melódica e harmônica, são veículos perfeitos para serem interpretadas apenas instrumentalmente. Muitas músicas de Tom viraram standards e são tocadas à exaustão por músicos de jazz. Em um terreno em que o que vale é o improviso, os temas do brasileiro são perfeitos.
Das últimas Garotas, por ser tão heterodoxa, uma me chamou a atenção: a de Pat Metheny em What It All About (Nonesuch, 2011). É um disco-solo do americano. Não é o seu primeiro. Pat explora ao máximo as possibilidades do violão e da guitarra e é músico audacioso e desassossegado, sempre inovador. Goste-se ou não, Pat “desconstruiu” Garota.
Foi marcada de touca de um músico que não devia estar tão preocupado com o dinheiro; se bem que existe aquela história, contada até pelo próprio compositor, de quando foi convidado a fazer um trabalho com Vinícius.
Em Em Minas ao Vivo, CD que foi lançado postumamente, com Jobim ao piano, em clima informal, fala bastante e, inspirado pelo lugar em que está, conta um monte de “causos”. Uma delas se refere, justamente, à história do “dinheirinho”: “O Lúcio Rangel me apresentou ao Vinícius, […] que me levou ao grande mundo carioca, em casas com pianos de cauda e aquelas senhoras bonitas, bem lavadas. […] Eu andava com uma pastinha cheia de arranjos, competindo com o aluguel. Perguntei: — Escuta, tem um dinheirinho nisso? O Lúcio ficou escandalizado: — Ô, Tom, esse aí é o poeta Vinícius de Moraes. Eu digo: — Ah, bom.” Vinícius estava procurando um parceiro para Orfeu da Conceição.
Em pouquíssimo tempo, Jobim não teve mais de brigar pelo “dinheirinho” do aluguel; e como João Gilberto, foi morar nos EUA. Outros fizeram o mesmo e surfaram na onda da bossa-nova. O mundo gravou Tom. Depois de tanto tempo, é natural que esse “mundo” encolha. Segundo matéria publicada em 18 de março em O Estado de S. Paulo, assinada por Roberta Pennaforte, pelos dados da Universal Music, editora de Garota de Ipanema, são 1.571 gravações em inglês contra 430 em português. Ainda, segundo a jornalista, Corcovado, Samba de uma Nota Só e Águas de Março, atualmente, são mais solicitadas do que Garota de Ipanema.
Apesar de as composições de Jobim serem basicamente “músicas com letra”, devido à riqueza melódica e harmônica, são veículos perfeitos para serem interpretadas apenas instrumentalmente. Muitas músicas de Tom viraram standards e são tocadas à exaustão por músicos de jazz. Em um terreno em que o que vale é o improviso, os temas do brasileiro são perfeitos.
Das últimas Garotas, por ser tão heterodoxa, uma me chamou a atenção: a de Pat Metheny em What It All About (Nonesuch, 2011). É um disco-solo do americano. Não é o seu primeiro. Pat explora ao máximo as possibilidades do violão e da guitarra e é músico audacioso e desassossegado, sempre inovador. Goste-se ou não, Pat “desconstruiu” Garota.
Ouça.
Outra recente é a da cantora Lisa Lindsley. Poucos a conhecem, inclusive eu. Como a bela loura gravou Garota, vamos ouvi-la. Está em seu disco de estreia Everytime We Say Goodbye. Não se destaca em relação aos milhares de outros registros, mas o piano de George Mesterhazy é muito bom. O CD ganhou 3 estrelas pela Downbeat, o que não significa muita coisa.
Ouça.
Tom Jobim e Frank Sinatra. No medley: Change Partners, I Concentrate on You e The Girl from Ipanema.
Ouça.
Tom Jobim e Frank Sinatra. No medley: Change Partners, I Concentrate on You e The Girl from Ipanema.

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