terça-feira, 22 de abril de 2014

Romero Lubambo, só e bem acompanhado

Romero Lubambo é só sorriso em
Na única vez em que tive oportunidade de ver Romero Lubambo tocando foi quando apresentou-se com Dianne Reeves no Bourbon Street. Não tem nada de estranho um brasileiro tocando com a cantora. Para quem não sabe, Dianne começou fazendo vocais na banda de Sergio Mendes. Romero é um sujeito simpático, expansivo, e sua forma de tocar tem a ver com isso.

Lubambo estudou música na adolescência, mas na hora do “vâmu vê”, foi cursar engenharia na PUC-Rio. Mas a música deve ter falado mais alto. Tomou coragem e foi tentar conquistar a América. Está lá desde 1985, ou seja, há quase trinta anos. Mas o Brasil, como aquela maldosa piada de que os nordestinos saem de lá, mas o nordeste não sai deles, Romero não traiu suas raízes.

Com Nilson da Matta e Duduka da Fonseca, todos com pés firmemente ficados em solo americano, formam o Trio da Paz. Romero tem parcerias importantes com Yo-Yo Ma e o cubano Paquito D’Rivera, aliás, homenageado em “Paquito en Bremen”, em seu álbum mais recente, do qual passo a falar daqui por diante: “Só: Brazilian Essence”.

Romero é um músico requisitado; além de Reeves, tocou com Michael Brecker, Jane Monheit, dentre outros, e é participante frequente quando brasileiros como Ivan Lins, Leny Andrade e Luciana Souza gravam ou apresentam-se além das nossas 200 milhas.

Contamos com ótimos violonistas locais como Marco Pereira, João Rabello, Rogério Caetano e Yamandu Costa, que poderiam muito bem estarem se destacando fora do Brasil. Outros, como Laurindo de Almeida, Los Indios Tabajaras (Natalício e Antenor Lima), Luiz Bonfá, Baden Powell, Oscar Castro-Neves, Carlos Barbosa-Lima, os irmãos Assad… bom, acho que estou esquecendo de alguns, mas, realmente, é um contingente bem grande, preferiram emigrar.

Não faltam clássicos da bossa nova na incursão solitária de Lubambo. Suas escolhas recaem em um belo “Insensatez”, “Brigas Nunca Mais”, “A Felicidade” (Jobim), e dois originais de Carlos Lyra (“Você e Eu” e “Coisa Mais Linda”). Completam a sua incursão solitária a óbvia “Aquarela do Brasil”, “Paquito in Bremen”, “Pedra Bonita”, de Mario Adnet, “Song for Kaya”, “Luísa”, “Samambaia”, “By the Stream” e “Laura”. O “só” do título é bom, porque é um álbum solo. O único momento em que está acompanhado, é com ele mesmo. Em “Coisa Mais Linda” é seu violão e ele cantando. E não é que nesse quesito, o rapaz se dá bem? Poderia até gravar um com violão e voz. Seria melhor que Eliane Elias, desculpe a ousadia de não gostar dela como cantora.

Ouça o álbum.





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