quinta-feira, 24 de abril de 2014

Damon Albarn. Enfim Só.

Albarn e seu antigo “inimigo” Liam Gallagher
Indagado pelo repórter sobre a razão de Everyday Robots ser tão melancólico, Damon Albarn responde-lhe citando Peter Ackyroyd, um historiador da cultura londrina: “[Peter] defende que sempre há um inverno na escrita dos anglo-saxões. Estou de acordo. Sempre há algo com o ambiente, com aquilo que te rodeia nesta ilha, que conduz à melancolia. Pode ser uma manhã com nevoeiro ou o silêncio de uma bela noite de verão. Ou essa estranha escuridão que convida à fuga. É uma parte essencial de viver aqui.”

Modern Life Is Rubbish, segundo álbum do Blur, lançado em 1993, é considerado o início do Britpop. O pop britânico significou o fim do grunge. De acordo com Pablo Guimón (El País, 12/4/2014), “diante daqueles cabeludos sensíveis e atormentados, eles defendiam a frivolidade e a preguiça. Não era a socidade capitalista que os oprimia e os impedia de se realizarem. Eram eles mesmos.” Coincidentemente, na mesma semana em que era lançado Boys and Girls, primeiro single de Parklife, o melhor álbum da banda, Kurt Cobain suicidou-se.

Veja o Blur cantando This Is a Low, de Parklife, em apresentação recente, de 2012.




Bandas são fadadas a acabar. Existe algo de juvenil na formação de conjuntos de rock. Geralmente são rapazes que se conhecem nas escolas ou pelas redondezas e resolvem tocar. Chega uma hora em que eles crescem, casam, têm filhos etc. e passam a ter interesses diferentes. Aquela união de garotos e garotas que enchem a cara, drogam-se e divertem-se irresponsavelmente tem período de validade. É por isso que a maioria tem vida curta. Há exceções, evidentemente, como o U2 ou os Rolling Stones. Mas Mick Jagger e Keith Richards não estão mais farreando juntos. Encontram-se casualmente para gravarem um novo disco ou excursionarem. Não existe mais aquela relação de turma. Foi o que aconteceu com o Blur. Seus dois principais nomes, Damon Albarn e o guitarrista Graham Coxom, partiram para projetos pessoais. Não que foi o fim da banda, mas o resto são reatamentos sem a velha paixão.

O projeto de Albarn foi a criação de uma banda virtual, o Gorillaz. Fez um tremendo sucesso. O que parecia uma brincadeira, com membros saídos da cabeça dele e do quadrinista Jamie Hewlett, era coisa séria. Venderam milhões de discos.

O clipe oficial de Feel Good Inc., do Gorillaz.




Outra banda que teve sua participação foi The Good, The Bad & The Queen, com Paul Simonon (ex-Clash), Simon Tong (ex-Verve) e Fela Kuti. Tanto aqui como no Gorillaz, o que fica reforçado é a marca de Damon. Em algum momento seria inevitável que lançasse um álbum com seu nome na capa.

Assista à apresentação de The Good, The Bad & The Queen tocando Kingdom of Doom no programa de Jools Holland.




Everyday Robots, a ser lançado em 28 de abril, não é o primeiro solo. A verve melancólica presente em belas canções dos tempos do Blur, como This Is a Low, End of Century, To the End e Badhead, do álbum Parklife, estão mais que presentes nesse disco. Não são canções de impacto, pois são reflexivas. São econômicas na instrumentação, mas não fica nada a dever aos que gostam de Damon e acompanham sua carreira.

Veja o clipe oficial de Everyday Robot.



Outra do álbum é Lonely Press Play.


Albarn já havia cantado essa música em um show.



Mais uma: Heavy Seas of Love.

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