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| A capa de Light My Fire, de Elias |
Antes de reproduzi-lo, cito alguns comentários dos leitores do Nassif.
Um que considero ser uma confirmação do que digo é a de ‘GalileoGalilei”: “Curiosamente eu achava, já no histórico álbum Eliane Elias Plays Jobim, Eliane grava a faixa Por Causa de Você de dois modos: uma instrumental, sublime e a outra, francamente, desnecessária, acompanhada por voz.”
A maioria, no entanto, foi negativa:
• Um tal “Sklogw” disse “Esse cara não entende nada de jazz. A Eliane Elias é uma grande pianista e uma espetacular cantora, com um timbre delicioso, uma técnica apurada e um suingue único. Atributos, aliás, que compartilha com a não menos ótima Diana Krall.”
• De Alberto Manoel Ruschel Filho: “Vai um pedido aí, Gwen: Deixa a Eliane cantar! Deixa ela tocar! Ouça sem mal-humor, relaxe e goze. E mais, deixe as pessoas ouvirem. Cada ouvido "vê" o que quer, né?
• Dulce: “‘Cabe aqui indagar por que resolveu cantar. Só porque é afinada?” É dose...ler uma crítica nestes termos. Só ??? É condição NÚMERO UM para alguém abrir a boca, e cantar, em público. ‘É, porém, bem superior com as mãos.’ Ora, desde quando alguém tem direito de limitar os talentos alheios, só porque um deles é de qualidade excepcional? Me poupe, "Só"!!!!
Uma foi bem preconceituosa, dirigindo-se à minha origem (deve achar que sou japonês): “Nassif. Tocar piano como ela toca autoriza, a linda Eliane, a fazer o que bem entender!! O equívoco é do Sakamoto!” Esse assinou como Jairog99z9.” Bom, se ele acha Ryuichi Sakamoto um equívoco, acho que ele deve ouvir uma pouco mais de música.
O texto de Antonio Gonçalves Filho (quem quiser o acesso, http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-verao-de-eliane-elias-,822608,0.htm)
Lançado no ano passado nos EUA, Light My Fire recebeu críticas positivas nos principais jornais (The New York Times) e revistas (Down Beat). No entanto, a expectativa dos críticos norte-americanos parecia mesmo a de ter um disco para ouvir no verão, como sugere a Down Beat. Light My Fire é justamente isso. Faltou um produtor para que o CD da cantora e pianista Eliane Elias resistisse além de uma temporada. O primeiro impedimento à perenidade é o repertório incoerente. As composições são inconciliáveis. Chamar Gil para um dueto em Aquele Abraço e programar como faixa seguinte Light My Fire, megahit de Jim Morrison, é uma inconsequência, agravada pelo cover dianakralliano e o arranjo bossanovista. A incômoda proximidade com Diana Krall (também boa pianista e cantora, como Eliane Elias) não se limita à emulação do estilo musical. As roupas e os cabelos cuidadosamente despenteados são os mesmos. Mais uma vez: falta um produtor num disco que tem instrumentistas como Romero Lubambo e músicos que são também ótimos arranjadores (Oscar Castro-Neves). É frustrante a tentativa de recriar a clássica Take Five com um vocalise na linha de Gary McFarland, trocando as invenções do piano de Brubeck pelo baixo do marido Marc Johnson e o trompete de Randy Brecker. Uma diluição da verve experimental do compositor Paul Desmond. Além disso, que falta faz Teo Macero.
O amigo Alberico Cilento teve aula com Eliane Elias e gosta muito dela e gosta de sua voz, apesar de considerá-la “straight”. Falei um pouco mal dela, como crítica. Para quem não “gosta” dela, até que estou bem, comparado a alguns de seus admiradores: tenho 12 CDs de Elias.
Vamos ouvir um interessante Oye Como Va (é de Tito Puente, mas as gerações novas devem conhecê-la na interpretação de Santana), cantado em português e em inglês, meio mambo, meio samba, com direito ao refrão “Laia ladaia sabatana ave-maria”. Está no CD Around the City (Bluebird, 2011)

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