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| Claude Williamson, em 1956 |
Um deles — conheço alguns que gostam muito — é Claude Williamson. Lançou poucos discos. Iniciou no jazz depois de cursar a New England Conservatory, em Boston, EUA, acompanhando Charlie Barnett. Mudou-se para a California e tocou com muita gente associada ao som “west coast”. Acompanhou Art Pepper, Bud Shank, Red Norvo e, por dois anos, a gloriosa cantora June Christy, antiga crooner da orquestra de Stan Kenton. Substituiu Russ Freeman, outro egresso da banda de Kenton, na Lighthouse All Stars. Afastou-se do jazz e, contratado da rede de TV NBC, tocou no programa de Andy Williams e, como empregado tem de ir para onde o dono manda, no da dupla Sonny & Cher. Gerações mais recentes conhecem Cher por seu jeito extravagante de se vestir (uma periguete sênior dos States), mas ela começou em dupla com o antigo marido bigodudo. Sonny Bono despareceu. Cher é um exemplo, comoTina Turner, das mulheres que deram certo depois que saíram do jugo de seus homens.
Mesmo não fazendo parte da “panelinha” dos que têm Williamson como “segredo”, possuo dez registros em disco dele. De quando em quando, me ponho a ouví-lo no meu iPod ligado no falante Altec Lansing que fica no meu quarto. Há duas noites, serviu para embalar o início do meu sono. Entre desperto e naquele átimo da sensação de não se saber acordado ou dormindo, notas de piano me chamaram a atenção e, sem saber se era sonho ou realidade, pensei comigo: conheço esse tema. Nessa hora, já me sentia desperto. Era Claude Williamson e a música, Moonlight in Vermont.
Claude deveria, por obrigação, tocá-la. Nasceu em Vermont, um dos menores e menos populosos estados norteamericanos. Localizado na ponta leste que divide fronteira com a região de Quebec, Canadá, chama-se Vermont, em razão dos verts monts que compõem a sua paisagem. É, guardadas as proporções, algo como a versão brasileira da região da serra da Mantiqueira que divisa Minas Gerais e São Paulo. Temos até uma cidade chamada Monte Verde (faz parte de Camanducaia). Como aqui, Vermont é uma região turística; é a Campos do Jordão dos novaiorquinos.
Moonlight in Vermont foi composta por Karl Suessdorf e a letra é de John Blackburn. Ganhou o primeiro registro na voz de Margaret Whiting, em 1945 (segundo a Wikipedia, foi em 1944). Muitos intérpretes gravaram Moonlight in Vermont. São imperdíveis as gravações de Betty Carter, Sarah Vaughan e, principalmente, a de Ella Fitzgerald com Louis Armstrong.
Margaret é menos conhecida do que as citadas acima, mas está no panteão das grandes cantoras americanas. Filha de Richard Whiting, compositor de Hooray for Hollywood, Too Marvelous for Words e Sentimental and Melancholy, as duas últimas em parceria com Johnny Mercer, tornar-se cantora foi um passo natural. A casa dos Whiting era frequentada por Maurice Chevalier e Al Jonson e um dos melhores amigos foi Johnny Mercer, compositor também, que, mais tarde, fundou a gravadora Capitol. É uma pena que tenha Richard morrido cedo – 46 anos. Orfã, muito cedo, Maggie, como era chamada em casa e pelos amigos, teve o apoio de Mercer para tornar-se uma das grandes intérpretes da música americana.
Depois desse blah blah todo, melhor ouvir a gravação de Whiting. Minha discoteca tem falhas como a de nela não constar nenhum CD de Luan Santana (nem nunca ouvi a tal música famosa de Michel Teló), mas discos de Whiting fazem parte dela. Felizmente. E é por isso que tenho a gravação de 1945 e a de 1954. A disponibilizada é a mais antiga.
Não posso deixar de colocar a de Claude Williamson. É mais ou menos recente: é de 2000. Williamson, depois de ficar afastado do jazz, quando trabalhou na televisão, voltou a gravar jazz no fim dos anos 1970. Aqui é acompanhado por Bill Crow no baixo e David Jones na bateria. O CD é da Venus, gravadora japonesa que se especializou em registrar, principalmente, música no formato piano, baixo e bateria. É coisa fina.
Um registro excepcional, como disse, é o de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong pelo selo Verve. Parece que estamos em Vermont, sem nunca termos ido para lá. Prestando-se atenção na letra (“Telegraph cables, how they sing down the highway/ And they travel each bend in the road/ People who meet in this romantic setting/ Are so hypnotized by the lovely// Evening summer breeze/ The warbling of a meadowlark/ Moonlight in Vermont”), temos essa impressão. Quando Ella, até ouvimos os trinados de uma cotovia.

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