quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Terje Rypdal, Miroslav Vitous e Jack De Johnette

Jack DeJonhette, Miroslav Vitous e Jack DeJohnette (esq. para a direita)
 

Logo no início da década de 1970, começaram a surgir menções a uma gravadora alemã chamada ECM. Tendo lançado o primeiro disco em 1969 — “Free at Last”, do pianista Mal Waldron —, Manfred Eicher causava um pequena revolução no mundo fonográfico. Primeiro: não era um selo americano, mas gravava americanos, além de europeus, evidentemente. 

O ano de 1975 foi o da consagração da ECM ou quando o mundo a descobriu. “The Köln Concert”, de Keith Jarrett, foi o álbum solo mais vendido da história no jazz. Além de Jarrett, Eicher trouxe Chick Corea para o seu selo e acreditou em um jovem talento, o guitarrista Pat Metheny, que estreou tocando na banda de Gary Burton.

Um dos grandes feitos do alemão foi dar espaço aos músicos do continente europeu, outrossim. Uma coisa que deu certo foi a de juntar músicos de seu plantel, que nunca tinham se reunido antes. Foi assim que Jarrett passou a ter seu quarteto “versão européia”, com Jan Garbarek, Palle Danielsson e Jon Christensen, além do americano, composto por Dewey Redman, Charle Haden e Paul Motian.

Essas formações “móveis” eram como as cirandas brasileiras: Paul Bley gravava com John Surman, que gravava com Miroslav Vitous, que gravava com Jack DeJohnette, que gravava com Keith Jarrett, que gravava com Charlie Haden, que gravava com Don Cherry, que gravava com Naná Vasconcelos, que gravava com Jan Garbarek, que gravava com Egberto Gismonti e, assim por diante.

Desses grupos transitórios, um dos meus preferidos foi o que reuniu Terje Rypdal, Miroslav Vitous e Jack DeJohnette. O sucesso da ECM ecoou no Brasil e o disco dos três, intitulado apenas com os nomes deles foi um dos que saiu em versão nacional, não me lembro se na primeira ou segunda leva de lançamentos. Assim tivemos contatos com a música que seu criador usou como slogan “o mais belo som depois do silêncio”. 

No álbum em que tocaram juntos pela primeira vez, de 1979, duas composições são de Rypdal, duas de Vitous e as duas últimas, dos três. Os destaques são “Den Forste Sne” (Rypdal), “Believer” (Vitous) e Seasons (Rypdal, Vitous, DeJohnette). A combinação do som da guitarra tensa e inttensa combina muito bem com o estilo meio dramático, em alternâncias abruptas de andamento. Jack DeJohnette é um daqueles bateristas que se adequa em qualquer formação.

Em 1981 reuniram-se novamente e resultou no álbum “To Be Continued”, não tão bom quanto o primeiro, mas com dois títulos excepcionais: “Maya” e ‘Toplue, Votter & Skyerf”, ambas de Rypdal. Neste, o norueguês, além da guitarra toca flauta, Vitous, o contrabaixo elétrico, e Jack DeJonhette, vocais, na última faixa.

Ouça os destaques nessa playlist.


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