Acaba de ser lançado “Conspiracy”, do guitarrista Terje Rypdal. É uma volta do norueguês à sonoridade com que o conhecemos em seus primeiros álbuns pela ECM. Ele não pode ser classificado no gênero “jazz”, se formos mais ortodoxos. É um músico que privilegiou, desde o início da carreira, o instrumental.
Se for necessário um rótulo, diria que tem o rock como fonte para as suas aventuras sonoras. Antes de passar a gravar pela ECM, aí considerando a mão de seu dono e produtor, Manfred Eicher, montou a banda The Vanguards, inspirado na inglesa Shadows e The Ventures. Curiosamente, estudou piano e trompete no Conservatório mas a guitarra, foi autodidata.
As portas para gravar na ECM se abriram por meio de sua cooperação com Jan Garbarek e Jon Christensen. Com sua formação em conservatório, Rypdal compôs a 1ª Sinfonia, comissionado pela Televisão Norueguesa. No mesmo ano de 1975, gravou “Odissey”, álbum com a sonoridade do jazz-rock fusion. O produtor e dono da gravadora alemã explorou bem esse ecletismo musical dele. Cada álbum lançado explorava um viés diferente. Um ano antes, pela ECM, lançou “Whenever I Seem to Be Far Away”, peça belíssima e soturna, com orquestra e instrumentos eletrônicos como o mellotron. Cada disco explorava um caminho diferente. O comum em todos eles era a voz única de sua guitarra. Era e é inconfundível, sendo suas composições de cunho erudito ou não.
“Conspiracy”, tem Ståle Storløkken nos teclados, Endre Hareide Hallre no Fender Precision e no baixo fretless e Pål Thowsen na bateria, lembra muito os primeiros álbuns dele na ECM. Nem tão roqueiras, sua guitarra é climática, evocando paisagens desoladas. São sons que criam atmosferas, em distorções com notas longas que criam uma tensão dramática, melancólicas e por vezes pungentes. É muito bom ver que certas pessoas não sucumbiram ao tempo. Continuam com suas energias vitais altas. E pensar que Elvis Presley, por exemplo, morreu com 42 anos e tinha se tornado uma caricatura de si mesmo. Rypdal está com 73 e ainda é capaz de nos emocionar. “Conspiracy” tem algo de nostalgia, decerto. Faz-nos lembra de uma úsica que nos emocionou há quase 50 anos. Não é qualquer um que nos resgata essa memória.

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