domingo, 20 de setembro de 2020

A prisão sem grades de Jafar Panahi



Por manifestar-se contra Mahmoud Ahmadinejad e apoiar o candidato adversário à presidência do Irã, Jafar Panahi, foi acusado de fazer propaganda anti-islâmica. Foi proibido de filmar e ficou em prisão domiciliar.

Panahi foi assistente de Abbas Kiarostami, o cineasta iraniano mais conhecido e reconhecido pelo Ocidente, premiado várias vezes no Festival de Cannes. Do mestre, herdou a capacidade de fazer cinema com poucos recursos. “Táxi Teerã” é um ótimo exemplo. Cria um microcosmo da realidade iraniana. É cinema de resistência.

Sem entrar em detalhes sobre o filme, sem spoilers, reproduzo a fala de uma advogada, amiga dele, no táxi: 

“Sabe, Jafar, fazem tudo para nós sabermos que estamos sendo vigiados. Conhecemos os métodos deles. Eles criam um histórico político. Você vira um agente da Mossad, da CIA ou do MI-5. Para completar, adicionam um escândalo sexual. Eles fazem a rua virar uma prisão. Você está livre, foi libertado, mas a rua virou uma grande prisão. Transformam seus melhores amigos nos seus piores inimigos, até você achar que a única saída é fugir do país ou se enfiar num buraco. Na minha opinião, é melhor deixar isso pra lá. É isso. E não coloque no filme isso que eu falei, senão vão dizer que você denegriu a realidade. Vai arrumar mais problemas ainda.”

Só esse trecho, que está no final, vale ver o filme. Tudo o que acontece dentro do táxi resulta na síntese do que é viver sob uma ditadura. O Brasil está perto disso. E, vamos combinar, nosso presidente é muito mais tosco e primário que os aiatolás. Precisamos enfrentar a ditadura dos ignorantes.

Disponível no Globoplay.

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