sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Sun Speak. Ou por que é bom ser curioso
Há muito perdi a conta do que tenho ou não tenho. Pelo perfil de colecionador, gosto de ter, possuir. Não ouço rádio desde quando tinha 20 anos, nem no carro, e até hoje não sou assinante do Spotify. Lembro de, muito tempo atrás, empolgado com a música “Hey Ya”, do Outkast, ter mostrado para as minhas sobrinhas, quando eram umas pequenas de 12/13 anos, como uma novidade.Gozaram da minha cara. Fizeram juntas a dancinha do videoclip. O que achava ser uma novidade, tinha sido hit dois anos antes.
Bom, quem conhece uma banda chamada Sun Speak? Pois é. Você conhece? Geralmente, ouço primeiro, e se gostei, vou saber quem é ou quem são. Como a The Black Keys, que nem deve mais existir, é uma banda de dois componentes, mas são de música instrumental. Como a dupla de Akron, EUA, é formada por um guitarrista e um baterista.
O guitarrista Matt Gold e o baterista Nate Friedman se conheceram quando estudavam na tradicional Oberlin College, Ohio, mas a ideia de tocarem juntos aconteceu alguns anos depois.
A música do Sun Speak nasce do improviso. Ficam horas improvisando e, segundo Friedman, “de vez em quando, bastam três segundos de música para surgir uma centelha que propicia um tema para uma nova música.” Gold afirma que “essa técnica de improviso revela o processo de composicão e execução bem diferente” em relação ao que ambos fazem em outros grupos em que estão envolvidos.
Desses longos improvisos, as “centelhas” se transformam em temas para as composições que, segundo um crítico da Chicago Jazz Tribune, são tão “cinemátográficas, que poderiam servir para um estudo de uma trilha sonora.” Em “Moon Preach” predomina o que pode ser chamado de “soundscapes”, paisagens sonoras, sons que nos levam a construir paisagens imaginárias, ou que nos levam a concebê-las sensorialmente. A guitarra de Matt Gold nos leva a um estado de contemplação, à introspecção, às vezes, lírica, um pouco mais dramática, em outros momentos, sem efeitos mirabolantes, sob a marcação multifacetada da bateria de Friedman.
Palavras e versos nos remetem a construir imagens a partir do que é cantado ou dito; sons são mais abstratos e nos impelem a uma interpretação mais sensorial. Há uma elegância em como esses sons que, por meio da guitarra, em “Moon Preach”, lançado agora em 2020, e a bateria que se amalgama, com o acréscimo do sintetizador análogo e o Wurlitzer de Daon Pierson, resultando em uma bela alquimia sonora colorida e multifacetada. Cada faixa desse álbum nos carrega por sensações únicas, em uma ambiência que mostra todo o poder da música instrumental. Pura arte abstrata. É a abstração que nos impele a construir paisagens de acordo com o universo de cada um de nós.
Dentre as minhas preferidas estão “Alaska”, a faixa que abre o disco, e “Mbira”. Provavelmente, suas preferidas podem ser outras. Ouça.
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