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| A inspiradora Alfonsina Storni |
A Alfonsina da música existiu realmente. Foi a poeta Alfonsina Storni. O autor do clássico “Missa Criola”, uma das grandes expressões da música regional, com centenas de clássicos, não a conheceu, mas seu pai sim. Foi sua aluna e Ariel deve ter ouvido relatos do triste fim de Alfonsina.
O mar, na vida de Alfonsina, está representado em três momentos. Nasceu na Suiça e atravessou-o para ir morar em uma cidade do interior da Argentina. Posteriormente, mudou-se para Buenos Aires, tornou-se professora e foi uma das primeiras mulheres a frequentar os círculos literários, essencialmente masculinos, no fim do século 19 e início do 20. Em 1935, banhava-se no mar quando uma onda a derrubou e deixou-a desacordada. Quando recobrou a consciência, percebeu que um nódulo em seu peito doía muito. Era um tumor maligno na mama. Ao extirpá-lo, eram duas cicatrizes: a física e a emocional. Alfonsina, que antes revelara sintomas de depressão e paranóia, isolou-se mais ainda.
Com seu filho, Alfonsina hospedou-se em um hotel de Mar del Plata. Em 25 de outubro de 1938, de madrugada, saiu do hotel e foi à praia de Perla. Segundo alguns biógrafos, jogou-se de um quebra-mar. Ariel preferiu a versão romântica de que ela foi caminhando lentamente mar adentro. “Cinco sereias te levaram/ Por caminhos de algas e de coral/ E cavalos marinhos fosforescentes farão/ Uma ronda ao teu lado/ E os habitantes da água vão jogar/ Logo ao seu lado”, são os versos finais da canção.
O suicídio esteve sempre a rondar a vida de Alfonsina. Teve uma relação estreita com o escritor uruguaio Horacio Quiroga, a quem dedicou um poema após sua morte ingerindo cianureto. Quando inscreveu-se em um concurso literário, em 1938, perguntou: “¿Y si uno muere, a quien le pagan el premio?”
“Alfonsina y el mar” tem centenas de registros, inclusive em versões instrumentais.
Ouça-a com Mercedes Sosa.
Outra versão muito boa é a do espanhol El Cigala.
“Alfonsina”, pelo seu compositor, Ariel Ramirez.
A portuguesa Cristina Branco é outra a cantar “Afonsina”.
Até de intérpretes da música erudita cantaram a canção de Ariel Ramires. Veja José Carreras, com a Vienna Symphonic Orchestra.

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