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| Joe Pass e sua companheira |
Em 1963 foi agraciado com o “New Rising Star” pela revista Downbeat. Já estava com 34 anos. Não era tão jovem. Livre da dependência, estava tocando com Gerald Wilson, Bud Shank, Les McCann e George Shearing. Desde criança tinha revelado especial talento com a guitarra e, com 14 anos, estava tocando profissionalmente, participando de turnês pelos EUA. Quem sabe, por ser tão jovem e na estrada, isso o tenha feito envolver-se no mundo fascinante das drogas. Bom, não foi tão fascinante. Passou parte importante da vida em penitenciárias e clínicas. A sorte foi que Pass nunca deixou de praticar nas cordas. Quando se libertou efetivamente das drogas, chegou a gravar um disco chamado The Sounds of Synanon. Synanon era o nome da clínica em que passou dois anos e meio internado.
Retomada a carreira, participou de programas de TV como os de Johnny Carson, Merv Griffin e Steve Allen e acompanhou intérpretes como Sarah Vaughan, Della Reese, Frank Sinatra, Joe Williams e Johnny Mathis. Era comum bons músicos de jazz participarem de programas de TV. Mesmo hoje, celebrados músicos tocam na banda do programa de David Letterman, por exemplo.
Logo no início dos anos 1970, passou a gravar na Concord Jazz, mas o período mais (re)conhecido é o de quando foi para a gravadora Pablo, de Norman Granz, famoso por ter criado a Jazz at The Philharmonic, na Verve Records. À época, muitos torciam seus narizes para uma gravadora tão “mainstream”. Mas deixou seu legado. Contando com uma maioria de músicos experientes num tempo em que grassava o jazz-rock e o avant-garde, foi a casa de gente de primeiríssima como Duke Ellington, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Zoot Sims, Dizzy Gillespie, Oscar Peterson e Count Basie, plantel nem um pouco desprezível. E lá estava Joe Pass. Com sua guitarra discreta acompanhou muitos deles e registrou vários álbuns com seu nome como frontman.
No início dos anos 1980 – ou fins de 70? –, em um dos festivais de jazz que aconteciam em São Paulo, programaram um “guitar summit”. Os convidados eram três ou quatro. Não lembro mais de todos. Recordo só de que Barney Kessel. Lá entrou um senhor com um lenço amarrado no pescoço. Elegantíssimo. Joe Pass era o outro. Problema: o voo atrasara. Chegou Pass, atrasado, sim. Com aquele jeito de careta, de pai de família, calvo e de bigode antiquado, sentou-se no banquinho e começou a tocar. Joe é um dos maiores guitarristas de todos os tempos, e isso, basta. Tinha uma técnica especial fazendo o ritmo e os solos ao mesmo tempo.
Joe toca All The Things You Are.
Joe executa Oleo, de Sonny Rollins, em duo com Niels-Henning Ørsted Pedersen.
Veja uma apresentação de Pass em Hannover. Tem mais de uma hora. É uma boa oportunidade para se ver um mestre em seu instrumento em ação. Ouça Wave, de A. C. Jobim, em belíssimo solo (é o segundo número). A melhor parte, no entanto, está mais adiante: Ella Fitzgerald. Na gravadora Pablo, Joe Pass gravou muito com a cantora.

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