terça-feira, 30 de abril de 2013

Pat Metheny, o professor Pardal do jazz

A música de Pat muda, o cabelo continua igual
Hoje, um senhor de 58 anos, Pat Metheny continua músico irrequieto ou, como se dizia antigamente, “não sossega o facho”. Seu último projeto chama-se “Orchestrion”. É uma coisa meio de “professor Pardal” (era um inventor desastrado, personagem da Disney).

No encarte do primeiro álbum, de 2010, conta que quando passava férias na casa dos avós, em Manitowoc, Wisconsin, divertia-se com seus primos brincando com a coleção de cerca de 50 “piano rolls” que o avô Delmar Bjorn Hansen possuia. Para quem não conhece, no início do século XX tornou-se moda um piano preparado para tocar peças musicais sem a necessidade de um instrumentista. As músicas eram gravadas em rolos de papel perfurado. Há registros de gravações de George Gershwin, Maurice Ravel, Claude Debussy, Prokofiev, Jelly Roll Morton e de muitos outros nesse tipo de mídia. As perfurações em rolos ou fitas, no fundo, são precursores das fitas magnéticas e discos rígidos dos nossos atuais computadores. O “cérebro” das antigas máquinas de calcular eram fitas perfuradas. Todas as operações matemáticas eram programadas nelas.

Como é complicado explicar o que são esses pianos, veja um em funcionamento. A música é Swanee, de George Gershwin.




Metheny sempre teve gosto pelas experiências, não só musicais. A fim de explorar novas sonoridades encomendou um violão para a luthier Linda Manzer com 42 cordas. Veja-o tocando no Pikasso (é o nome do modelo).




Nas liner notes do álbum Orchestrion fala sobre o projeto:
“‘Orchestrionics’ é o termo que estou usando para descrever o método de desenvolvimento de uma música orientada à orquestração usando instrumentos musicais acústicos e eletro-acústicos que são mecanicamente controlados por uma variedade de meios usando solenóides e ar comprimido [pneumatics]. Com uma guitarra, caneta ou teclado eu sou capaz de criar um detalhado ambiente composicional ou, espontaneamente, improvisar com as peças sobre esta gravação em particular, mais inclinada para o lado da composição do espectro [leaning toward the compositional side of the spectrum]. Pat afirma que “o projeto é resultado de um sonho longamente acalentado que remonta a minha juventude.”

Obs: nas chaves deixei as partes em inglês que tive dificuldades em traduzir.

São dois os discos do projeto. O primeiro, Orchestrion, foi lançado em 2010, e agora em 2013, Orchestrion Project. Como tem dito, não deixará de atuar e gravar nos formatos tradicionais (solo, duetos, trios, quartetos, quintetos etc.). Na apresentação que fará no Brasil no BMW Jazz Festival, virá com a Unity Band. Não sei se os músicos que virão serão os mesmos do álbum (Chris Potter no sax, Ben Williams no baixo e Antonio Sánchez na bateria). Se for, o espetáculo está garantido. Veja o restante da programação do BMW em http://abr.ai/110mIqu.


Pat fala do projeto Orchestrion.




A engenhoca em funcionamento. Veja.




Veja Pat executando um trecho de Improvisation #2, que está no último Orchestrion Project.

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