quinta-feira, 25 de abril de 2013

Richie Havens morre

Richie Havens e o polegar em ação
No primeiro dia de Woodstock, muitas das atrações não tinham conseguido chegar devido ao congestionamento quilométrico ocasionado pela multidão que chegava. Richie Havens foi o primeiro a se apresentar. Os organizadores pediram que alongasse sua apresentação por essa razão. Entrou um negro vestido com uma bata alaranjada que ia até abaixo do joelho calçando sandálias de couro. Pura energia. Havens estraçalhava o violão, que parecia ter as cordas afrouxadas pela força que as martelava, tocando de um modo diferente, pressionando as cordas superiores com o polegar. Detalhe: não tinha um dente na boca. A canção que ficou gravada na memória foi um improviso sobre a tradicional Motherless Child e intitulada Freedom. Antes de Woodstock, Havens havia lançado vários álbuns, mas ficou conhecido mesmo pela sua atuação no festival.

Pela postagem do amigo Antonio Fernando G. Dias no Facebook, terça de manhã, fico sabendo que Richie Havens faleceu, aos 72 anos, de um ataque de coração fulminante. É certo que continuou gravando (mais de uma dezena de discos), mas acompanhei pouco. Mesmo assim, ouvi três deles: Sings Beatles and Dylan (1987), Connections (1980) e Cuts to the Chase (1995). A voz áspera continuou a mesma, no entanto, “domada” por instrumentações mais buriladas. O disco em que canta Bob Dylan e Beatles é bem fraco. Músicas poderosas como Lay Lady Lay e All Along the Watchtower, que poderiam servir de bom veículo para a interpretação crua de Havens, como o resto do disco, têm arranjos sofríveis. A única que se salva é Working Class Hero. Dos três, o meu preferido é Cut to the Chase. Nele há uma bela interpretação de Old Love, de Eric Clapton, e a outra muito boa, talvez a melhor do álbum, é The Hawk, de Kris Kristofferson. Confira.


Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.


Veja Richie Havens em Woodstock cantando Freedom.

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