quinta-feira, 24 de maio de 2018

Um ser de outro planeta chamado David Sylvian

David Sylvian é estilo na música e no visual
Há muito tempo, empolgadíssimo por ter comprado na Music Box, uma pequena loja na Praça Villaboim, em Higienópolis, São Paulo, o álbum Brilliant Trees (1984), veio um amigo que supostamente era um conhecedor de música erudita, bem, até que entendia, mais que eu, naquela época. Conhecia David Sylvian como um dos membros do grupo Japan. O resultado não foi dos melhores. Disse algo como “que cara afetado” e ainda gozou de mim cantarolando algo imitando Sylvian. Como ele gostava e tocava piano até que bem, coloquei as partes em que Ryuichi Sakamoto, Steve Nye e Richard Barbieri tocavam piano ou sintetizador. Não funcionou. Não me afetou também pela razão de que tinha gostado muito do disco em que tinha músicos participantes como Jon Hassel e os citados antes, Holger Czukay e Kenny Wheeler.


Ouça a música título.



Uns anos depois, 1986, talvez, fui a Nova York e comprei meu primeiro tocador CD player. Além de cerca de 60 LPs comprei cerca de 20 CDs para estrear o aparelho. Um deles era Gone to Earth. Fiquei absolutamente hipnotizado e maravilhado desde a primeira audição. Ouço com emoção até hoje Laughter & Forgetting e Before the Bullfight, duas faixas em sequência antes da música título, com solos sublimes de Kenny Wheeler ao trompete e flugelhorn. O violão e a guitarra de Bill Nelson é outro destaque.

Nunca sabemos direito o por que de elegermos os nossos álbuns preferidos dentre os milhares que ouvimos. Existem questões sentimentais, conjunções de quando ouvimos pela primeira vez etc. Mas fato é que é um dos meus “desert island records”.

Tudo é muito perfeito em Gone to Earth, desde a bateria excepcional de Steve Jansen, as “atmosferas” de Richard Barbieri, as participações de Ian Maidman no contrabaixo e de Mel Collins no sax soprano.

Ouça Laughter & Forgetting, que fica perfeita com a seguinte (Before the Bullfight). A guitarra e o violão de Bill Nelson são destaques, junto ao solo de Kenny Wheeler.



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