Meus critérios do que acho que devo conhecer quando se trata de música pop, é peculiar e discutível: nomes estranhos atraem a minha curiosidade; e tenho interesse maior quando são negros, não pela cor, mas pelo registro da voz. Espero não ser visto como preconceituoso ao revelar os meus métodos de escolha. Desse modo, acabei por conhecer Monoswezi, Laura Mvula, Rokia Traoré, Sufjan Stevens, Lianne La Havas e Michael Kiwanuka. Dos citados, um apenas é branco.
Ouvi Michael Kiwanuka pela primeira vez na coletânea The Songs of Leonard Cohen Covered, encartada em um número da revista Mojo, em 2011. Era em Hey, That’s No Way to Say Goodbye. Era uma voz diferente. Tempos depois, ao ler críticas sobre Is Your Love Big Enough (2012), da inglesa Lianne La Havas, li uma referência a um outro talento em ascensão cujo nome era Michael Kiwanuka.
Há poucos dias foi lançado Love & Hate, seu segundo álbum. É mais sofisticado e burilado que o primeiro, com produção do músico e Dangermouse. Tem um início instrumental com um vocalzinho, uma guitarra que lembra David Gilmour (é de Kiwanuka mesmo) e uma orquestra. São cinco minutos até a entrada da voz de Michael. Ainda não tenho uma opinião mais afirmativa se acho o início bom ou chato, mas que impressiona na primeira audição, impressiona.
Depois desse início um tanto grandioso, é a vez de Called Black Man in a White World. O título é de impacto. Começa com Michael na voz e nas palmas – parece uma “work song” dos escravos americanos. Vai em um crescendo, entram uma guitarra, uma percussão e um pouco de cordas e ela vai se transformando, mas o realce vai para o refrão “Im a black man in a white world” repetido por um coro de fundo. Parece que foi a canção de trabalho do disco. Foi o primeiro single. Mas não parece com a maioria de suas canções, confessionais, meio lamurientas, queixosas.
E são nas lamurientas que sua voz funciona bem e atraem pelo registro caracteristicamente negra. Não fosse a instrumentação às vezes servindo mais como recheio, Michael poderia ser um intérprete voz e violão, algo como a atualmente sumida Tracy Chapman, que funcionaria tão bem quanto.
Ouça Falling.
Lamurienta? Um pouco. Alguns acharão um pouco chato, meio “oh, céus, oh, vida!”, mas que bela voz, que lembra vagamente a de Gary Brooker, do Procol Harum, menos metálica.
No show de lamúrias de Michael, estão lampejos de beleza. Confira I’ll Never Love.
Veja também uma apresentação de Kiwanuka cantando I’ll Never Love, One More Night e Cold Little Heart.
Ouça uma das melhores. É uma das minhas preferidas: One More Night.
Ouça a música de abertura Cold Little Heart.
Veja Kiwanuka em apresentação em Amsterdam cantando Cold Little Heart. Aqui, o registro é mais despojado do que a do álbum, talvez até mais interessante por isso.
Veja-o cantando Black Man in a White World, no programa de Jools Holand.

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