quinta-feira, 21 de julho de 2016

Coltrane próximo de Deus

Ao ouvir a edição expandida de Afro Blue Impressions, lançada em 2013, comemorando os 40 anos da gravadora Pablo, de Norman Granz, e 50 desses registros feitos ao vivo, impossível não dizer: nunca houve alguém como John Coltrane.

Granz, criador da gravadora Clef, em 1946, da Norgram e a Verve, em 1973 fundou o selo Pablo. Nasceu careta. Em plena década que sucedia os anos explosivos da guerra do Vietnã, dos movimentos de maio na Europa, criava um selo que tinha Ella Fitzgerald, Oscar Peterson, Dizzy Gillespie, Duke Ellington, Count Basie e outros considerados peças de museu pela juventude da época. Que peças! Os velhinhos mainstream ainda tinham muito a mostrar. Não fariam mais revoluções, no entanto, eram gênios que tinham muito a ensinar.

Fora isso, Norman foi buscar relíquias do passado como a série de álbuns com registros de Art Tatum, como pianista solo e em combos formados por craques como Milt Jackson, Ben Webster, Harry “Sweets” Edison e Roy Eldridge. Os álbuns que lançou de Zoot Sims, Joe Pass, Sarah Vaughan e Joe Turner são preciosos. Mas um deles é especial: o duplo Afro Blue Impressions, com registros do melhor quarteto de Coltrane com McCoy Tyner, Jimmy Garrison e Elvin Jones em excursão pela Europa.

Quando se pergunta quem é o maior saxofonista tenor, na maioria das vezes, o voto vai para Coleman Hawkins, Ben Webster ou Lester Young, ou até para Sonny Rollins ou Dexter Gordon e, por que não Coltrane? A resposta é: ele é único, não apenas como instrumentista, mas autor de uma obra sempre inquietante que continua a nos revelar novas faces a cada audição. Em 1963, enquanto Coltrane excursionava pela Europa, os Beatles começavam a fazer sucesso na Inglaterra e no ano seguinte iriam tocar pela primeira vez nos EUA.

Dentre os registros de Afro Blue Impressions estão Lonnie’s Lament, Naima, Chasin’ the Trane, Spiritual, Impressions, Cousin Mary, Afro Blue e I Want to Talk About You. Alguns números são absolutamente geniais, como a sequência My Favorite Things, Afro Blue, Cousin Mary e I Want to Talk About You, que é a minha preferida devido ao solo final de saxofone.


Veja John em I Want to Talk About You, grande jazz standard de Billy Eckstine.




Coltrane foi o único que sintetizou fúria, lirismo, melancolia e espiritualidade em um compasso. Tantas décadas depois, continua a ser a maior expressão no sax tenor.

Veja Coltrane em Afro Blue, de Mongo Santamaria.

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