terça-feira, 26 de julho de 2016

Depois de Esperanza Spalding, Katie Thiroux

É mais fácil imaginar Ray Brown ou Ron Carter a tocar o contrabaixo acústico a uma mulher. Com seus 1,96 metros, o baixo não fica tão desproporcional pra Carter, e, do mesmo modo,o tamanho não era impeditivo para Ray sair dançando com ele. Sem pretender ser misógino, o contrabaixo é para machos. Para contrariar esse juízo, tem surgido instrumentistas que resolveram encarar as suas dimensões avantajadas, e elas atendem pelos nomes de Esperanza Spalding, Nicky Parrott e Katie Thiroux, que, além de tudo, são belas e talentosas. E o mais incrível: cantam também.

Das três, a mais conhecida é Esperanza Spalding. Carismática e inquieta, transitando pelo jazz como contrabaixista, tendo participado da banda do consagrado saxofonista Joe Lovano, é bem conhecida dos brasileiros, por ter em seu repertório clássicos da bossa nova, como Samba em Prelúdio e Inútil Paisagem, e Ponta de Areia, de Milton Nascimento, é a artista mais arrojada, não apenas pelo seu visual, com cabelos à la Angela Davis, mas por suas aventuras como a de seu último álbum Emily’s D+Evolution, considerado um dos vinte melhores lançamentos do ano pela Downbeat.

Menos famosa, mas bem conhecida pelos que apreciam os álbuns lançados pela japonesa Venus Records, está mais para o mainstream do jazz, o que não invalida suas qualidades como contrabaixista e cantora de bons recursos e voz bem agradável, é Nicki Parrott.

A terceira
Katie Thiroux começou tocando violino, quando tinha quatro anos. Quando podia decidir por si, resolveu dizer à mãe que queria desistir do violino. Sugeriu que continuasse a tomar suas lições de música e passar a trocar contrabaixo. Descobriu o jazz e também que queria cantar. Enviou uma fita demo para Tierney Sutton e esta deu-lhe aulas de canto. Era uma menina ainda. Com 17 anos, ficou em primeiro no Los Angeles Jazz Society’s Shelly Manne New Talent Award. Por voos maiores, foi estudar na Berklee College of Music, em Boston. Recebeu o “master’s degree” pela California State University e voltou a morar em Los Angeles.

Em 2013, formou a banda com o bom guitarrista Graham Dechter, o saxofonista Roger Neumann e o baterista Natt Witeck. Quando foi gravar Introducing Katie Thiroux, chamou Jeff Hamilton para produzi-lo. Composto de alguns standards como There’s a Small Hoel, A Beautiful Friendship, The One I Love (Belongs to Somebody Else), Wives and Lovers, What a Beautiful Morning, Shiny Stockings e I’m Old Fashioned, três das composições são de autoria de Katie.

Introducing Katie Thiroux foi considerado o melhor disco de estreia de 2015, pelo Huffington Post, e ficou entre os cinco melhores, também como disco de estreia no NPR Jazz Critics Poll. Dan Bilawsky, no site allabout jazz, ressalta a qualidade das linhas do baixo acústico e a perfeita compreensão das letras das canções escolhidas. Na minha opinião, surpreende a qualidade do álbum, tanto que nem parece um disco de estreia.

Veja Katie em Wives and Lovers, de Burt Bacharach e Hal David.




Veja Katie em What a Beautiful Morning (Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II) e Ray’s Kicks (de sua autoria).




Katie canta There’s a Small Hotel.





Ouça Can’t We Just Pretend. O sax é de Roger Neumann.

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