Cheguei a Lisa por meio de seu álbum recente, que tem um título interessante: Canyon Songs. Sem ter alguma referência dela, o que me chamou a atenção foi o nome de Larry Klein como produtor. Fãs de Madeleine Peyroux, Melody Gardot, Luciana Souza e, principalmente, Joni Mitchell, sabem quem é Larry. [sobre Larry Klein, leia http://bit.ly/21cIbjs]
Em termos de cantoras, Larry é o cara, não por ter sido casado durante anos com Joni e, atualmente, estar com a brasileira Luciana. Larry é um mago que tem produzido grandes discos com elas. Saindo um pouco do elenco das mais conhecidas, há pouco produziu Heartland, de Indra Rios-Moore [sobre esse álbum, leia http://bit.ly/1UeTzpE], e o resultado é excepcional.
Imagino que Klein não vai, simplesmente, aceitando produzir quem o procura. Deve ter um filtro. E, ademais, não creio que consiga tornar alguém medíocre em gênio. Não faço ideia de como Lisa chegou até ele. O certo é que Canyon Songs é um belo disco. As canções que o compõe são de autores americanos, a começar por Jim Morrison, com Riders on the Storm, o manjado Tom Waits, com Blue Skies (não é a conhecida de Irving Berlin) e All Stripped Down, o cult Elliott Smith, que pôs fim a sua vida em 2003, com Angeles, Joni Mitchell, com The Same Situation, e Shuggie Otis, hoje um tanto esquecido, mas um mestre do rhythm’n’blues, multi-instrumentista e bom guitarrista de blues, com Aht Uh Mi Hed. Completam a lista Stephen Stills, Warren Zevon, Rickie Lee Jones, James Taylor e Brian Wilson. Como se vê, não é um repertório lugar comum. Essa é uma das qualidades de Canyon Songs.
Por que é pouco conhecidas?
Depois de ter gostado de Canyon Songs, fui atrás de outros álbuns de Bassenge. O mais antigo que achei, foi A Sigh, a Song, de 2002. Percebo que o que está apresentado no disco lançado no ano passado está lá, a voz muito afinada, o repertório inteligente, de boas escolhas, com uma ou outra composição própria, alguns standards, surpresas como a escolha de um tema brasileiro, no caso, a belíssima Pra Dizer Adeus, de Edu Lobo, no CD, intitulada Adeus, clássicos modernos, como Blue, de Joni Mitchell, um Elvis Presley, com Blue Suede Shoes, cantado e tocado de forma interessante, com instrumentação minimalista, com um belo “walking bass”.
Ouça Pra Dizer Adeus.
Ouça Ol’ ’56, de Tom Waits.
Em álbuns posteriores que ouvi, Lisa continua boa na escolha do repertório, sempre fugindo do comum. Em A Little Loving (2006), canta In Between Days, de The Cure, Overload, do Sugarbabes, com The Thrill Is Gone. Aliás, neste, só para me contrariar, canta em alemão. É Ohne Dich, de Hildegard Knef. Em Going Home (2007), belíssimo disco, canta Lennon e McCartney (A Hard Day’s Night), Madonna (Like a Virgin), Paul Simon (Fifty Ways to Leave Your Love), Consuelo Velasquez (Besame Mucho) e Bart Howard (Fly Me to the Moon). Mistura fina.
Ouça Besame Mucho.
Ouça alguns trechos de Canyon Songs.
Ouça Riders on the Storm na íntegra. O trompete é de Till Brönner.
Ouça Blue Skies, de Tom Waits.

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