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| A capa do álbum All Is Well, de Lisa Simone |
Na vida, entretanto, vemos muitos seguindo a carreira de seus pais. Decerto, nem todos são gênios como Picasso, então, fica mais fácil. Filhos de atores tornam-se atores, filhos de arquitetos, apesar do desestímulo paterno, resolvem estudar arquitetura, filhos de cantores viram cantores. A escrita de que filhos não conseguem ser melhores pais nem sempre se confirma. Um gênio como Dorival Caymmi deixou rebentos talentosos como Nana, Dori e Danilo. Podem não ser melhores, mas não fazem feio. É insofismável a maestria de Dori como compositor e arranjador e de Nana como cantora. Mas são exceções. Se existem Dori e Nana, existe um Frank Sinatra Jr. que tenta emular o pai, um Mercer Ellington que não conseguiu ser tão genial quanto o pai Duke; se bem que, talvez, nunca tenha sido o seu propósito.
Seria uma surpresa caso surgisse uma filha de Nina Simone cantora. Em uma conta rápida, em 2014, se Nina nasceu em 1933, que idade teria a sua filha? Pelo jeito, tudo aconteceu um pouco mais tarde para Lisa, ou melhor, Lisa Celeste Stroud. Nina tinha 29 anos quando ela nasceu. Ninguém se torna cantor de uma hora para outra, digo, bom cantor. Essa é a surpresa ao se ouvir All Is Well, lançado há pouco.
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| Lisa e a mãe Nina Simone |
Sob o peso simbólico de ser filha de alguém tão genial como Nina, Lisa deve ter pensado bem no que queria ser. Estudou engenharia civil e foi trabalhar na Força Aérea Americana. Eventualmente, enquanto estava baseada na Alemanha, passou a cantar. De volta à América, passou a atuar em musicais. Trabalhou nas montagens de Jesus Christ Superstar e Rei Leão. Fez algumas participações com a mãe e em tributos a ela.
Agora, com 46 anos, lança All Is Well. Já na primeira audição, percebe-se que não é uma estreante inexperiente. Os anos cantando e atuando quase diariamente em musicais ajudaram-na a moldar um estilo, bem diferente do de sua mãe, para a sua e nossa sorte. A convivência com a mãe também deve ter ajudado. Desde que os pais se separaram, Lisa viajava com Nina em suas apresentações pelo mundo.
Uma das razões da boa qualidade desse álbum são os arranjos e a guitarra e o violão de Hervé Samb. Contribuem também as batidas seguras da bateria de Sonny Troupé e do baixo acústico de Reggie Washington. O violão de Hervé lembra um pouco a tocada relaxada de Dave Matthews e encaixa-se perfeitamente com o tom das canções.
Veja Hervé e Lisa em Al Is Well.
Um dos pontos altos é Revolution.
Lisa manda bem nos standards. Veja Lisa e banda em Autumn Leaves.


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