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| Kenny Wheeler, um mestre no flugelhorn |
Dono de um sopro limpo tanto no trumpete como no flugelhorn, sem vibrato, era além de grande instrumentista e compositor, um grande arranjador. Enfim, era um músico completo. Quando passou a gravar pela ECM já era um músico pronto. Havia mostrado sua capacidade em Windmill Tilter - The Story of Don Quixote, com a orquestra de John Dankworth e participações dos “calouros” John McLaughlin e Dave Holland.
Wheeler participou ativamente da cena inglesa, tocando com vários nomes mais associados ao free jazz, como Evan Parker, Derek Bailey e o americano Anthony Braxton. Seu primeiro disco na ECM foi Gnu High, em 1974. Teve nada menos que Keith Jarrett, Dave Holland e Jack DeJohnette a executar suas composições. Nada mal. Da estreia até 1999, foram muitos álbuns como líder, membro do Azimuth (Norma Winstone nos vocais e John Taylor ao piano), e participações e colaborações em vários títulos com Ralph Towner, George Adams, John Abercrombie, Bill Frisell, Wadada Leo Smith, Paul Bley, Marc Copland, Fred Hersch, Bob Brookmeyer e muitos outros. Fora do ambiente do jazz, era o trumpetista preferido de David Sylvian. Suas participações em Brilliant Trees, Gone to Earth, Alchemy: An Index of Possibilities e Dead Bees on a Cake são marcantes.
Ouça Wheeler em Before the Bullfight, de Sylvian.
Ouça Smatter, de Gnu High.
Ouça Gnu Suite.
Veja Kenny Wheeler com John Abercrombie (guitarra), John Taylor (piano), Dave Holland (baixo) e Peter Erskine (bateria).
PURA ARTE Raríssimas vezes foram as vezes em que gravou standards como Body and Soul ou Summertime. Uma das exceções foi Nineteen Plus One, com a Colours Jazz Orchestra, de 2009, mas deve ter participado como convidado especial. Kenny é o “plus one”, pelo que fica subentendido no título.
Como a forma influi no conteúdo, sua música tem muito pouco do mainstream do jazz. Calcada fortemente na construção da melodia e no desenvolvimento das harmonias, são arquiteturas sonoras meticulosamente construídas. Como são, na maioria, composições próprias, sua música não se molda ao estilo dos que tocam músicas consagradas. Curiosamente, há um número bem grande de trumpetistas que seguem pelo mesmo caminho de Wheeler. Servem como exemplos Jeremy Pelt, Christian Scott, Wadada Leo Smith e o novato Ambrose Akinmusire. Em seus últimos álbuns, Scott e Smith, executam peças longas concebidas como suites.
Uma característica marcante nas composições de Wheeler é de que são tristes e densas, no geral. Seu estilo de execução também é tenso, sem nunca transparecer uma atmosfera mais relaxada. É de sua natureza mesmo. Na época das comemorações e das homenagens pelos seus 80 anos afirmou: "O que eu gosto de fazer melhor é escrever músicas tristes, e em seguida, deixando os músicos maravilhosos destruí-las. Eu não os quero tentando interpretar o que eles acham o que eu estou sentindo.” A vantagem é que sempre rodeou-se de músicos brilhantes como o pianista John Taylor (um dos mais mais frequentes), Dave Holland, Michael Brecker, Ralph Towner, John Abercrombie, Peter Erskine e Jack DeJohnette.
ALGUMAS RECOMENDAÇÕES
• Gnu High (ECM 1975). Primeiro da ECM, com Keith Jarrett, Dave Holland e Jack DeJohnette
• Deer Wan (ECM 1977). É melhor que o primeiro, com um lineup de primeira: John Abercrombie, Ralph Towner, Dave Holland e Jack DeJohnette
• The Widow in the Window (ECM 1990)
• Angel Song (ECM 1995), com Lee Konitz, Bill Frisell e Dave Holland. Esse é perfeito. É um dos melhores.
Ouça Kind of Folk.
Ouça Angel Song.
• Music for Large & Small Ensembles (ECM 1990).
Ouça Gentle Piece, com Norma Winstone.
O último gravado na ECM é A Long Time Ago, em 1999, como o citado acima, com formação maior. Neste são doze músicos, com ênfase nos metais. De 2005 até 2013, lançou álbuns com pequenas e grandes formações. Dentre os que ouvi, um muito bom é One of Many (saiu em 2011, mas é um registro de 2008), com John Taylor e Steve Swallow.
Ouça Canter #5. Preste atenção no baixo elétrico especial de Swallow.
A MORTE CHEGA Na quinta-feira, 18 de setembro, Kenny Wheeler faleceu, aos 84 anos. Não padeceu de alguma enfermidade como a que levou Charlie Haden. Em nenhum obituário foi dito do que morreu. O que importa é que manteve-se na ativa até o fim de seus dias. Em dezembro do ano passado gravou um novo disco nos estúdios da Abbey Road para a ECM, a gravadora que o lançou para o público mundial. Pouco antes de morrer ainda ouviu a miragem final. Deve ser o primeiro álbum póstumo de Kenny e o último que gravou.
Ouça Angel Song.
• Music for Large & Small Ensembles (ECM 1990).
Ouça Gentle Piece, com Norma Winstone.
O último gravado na ECM é A Long Time Ago, em 1999, como o citado acima, com formação maior. Neste são doze músicos, com ênfase nos metais. De 2005 até 2013, lançou álbuns com pequenas e grandes formações. Dentre os que ouvi, um muito bom é One of Many (saiu em 2011, mas é um registro de 2008), com John Taylor e Steve Swallow.
Ouça Canter #5. Preste atenção no baixo elétrico especial de Swallow.
A MORTE CHEGA Na quinta-feira, 18 de setembro, Kenny Wheeler faleceu, aos 84 anos. Não padeceu de alguma enfermidade como a que levou Charlie Haden. Em nenhum obituário foi dito do que morreu. O que importa é que manteve-se na ativa até o fim de seus dias. Em dezembro do ano passado gravou um novo disco nos estúdios da Abbey Road para a ECM, a gravadora que o lançou para o público mundial. Pouco antes de morrer ainda ouviu a miragem final. Deve ser o primeiro álbum póstumo de Kenny e o último que gravou.

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