quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Lady Gaga, quem diria, canta jazz

Lady Gaga e Tony Bennett [ph: Yves Herman ]
Até há pouco tempo, nem sabia quem era Lady Gaga e a confundia com Miley Cyrus. De tanto ser bombardeado por notícias , ou melhor, escândalos protagonizados por ambas, impossível ignorá-las. Mas, em termos musicais é fácil. De Miley, não tive como fugir da curiosidade de assistir ao tal vídeo de Wrecking Ball. Prestei mais atenção na parte visual e não lembro nem da música e nem da sua cara.

Vacilei bastante em ouvir um álbum recém lançado de Tony Bennett com Lady Gaga. Mas a curiosidade matou o gato. Bennett e Kurt Elling são as minhas vozes masculinas preferidas. Torço um pouco o nariz com esses álbuns de Bennett fazendo duetos com intérpretes da música pop.

Naquela vontade de perservar o bom conceito de que temos pelos nossos ídolos, apesar de ter na minha estante Duets II, não ouvi, com receio de decepcionar-me. É triste constatar que certos artistas vendem a alma para fugirem do ocaso. Ficaria muito chateado se percebesse que Bennett teria entrado para esse time.

Quando Frank Sinatra lançou aqueles dois álbuns de duetos com Bono Vox, Barbra Streisand Carly Simon e outros menos votados, o velho cantor de olhos azuis encontrava-se em franca decadência. Foi frustrante ouvir Frank com aquele fio de voz que nem de longe lembrava o grande intérprete que foi. A grande diferença entre ele e Bennett é que, apesar de quase nonagenário, continua pimpão, vivo e operativo. A voz continua boa, seu senso de ritmo é inigualável e não parece ter 88 anos.

Tomei coragem e resolvi ouvir Duets II. Tony não faz feio. Supera minhas expectativas. Já que ouvir esse disco está sendo um preparo para ouvir o recentíssimo Cheek to Cheek, dele com Lady Gaga, qual não é a minha surpresa ao ver que a primeira faixa é The Lady is a Tramp, com a própria. Terá sido escolhida a dedo? Pelo que sugere o título, combina bem com a intérprete. Por favor, não estou querendo, com isso, chamá-la de “vagabunda”, até porque, se não me engano, ela gosta dessa superexposição revelando seu lado mais vulgar de forma narcisista. A boa surpresa é de que dá conta do recado. É uma música “para cima”, com uma orquestra afinada. Além dela, há outros convidados ilustres como Amy Winehouse (um pouco fora de forma na linda balada Body and Soul), Norah Jones (na mediana Speak Low), Aretha Franklin (ótima em How Do You Keep the Music Playing), Sheryl Crow (a roqueira manda bem em The Man I Love) e Willie Nelson.

Veja Lady Gaga e Bennett em The Lady Is a Tramp.



Tomei coragem para ouvir o álbum de Tony e Gaga. Ela não tem uma voz marcante, um pouco limitada até, mas tem suingue, coisa que ajuda bem para interpretar esses standards consagrados. Várias, naturalmente, são com os dois, mas outras não. Lush Life e Everytime We Say Goodbye são cantadas por Gaga apenas.

Veja os dois cantando Anything Goes.



Veja os dois em I Can’t Give You Anything But Love.



A melhor surpresa vem na bonus track. É de uma apresentação ao vivo. Bang Bang (My Baby Shot Me Down) não seria tão conhecida se não tivesse sido incluída na trilha de um dos filmes de Quentin Tarantino. Composta por Sonny Bono, um dos lados da dupla Sonny & Cher, a versão clássica – e a utilizada por Tarantino – é de Nancy Sinatra, que você ouve depois da de Lady Gaga

Ouça.




A com Nancy Sinatra.


Uma última observação: que capa horrível a de Cheek to Cheek! Tony Bennett parece um boneco de cera e Lady Gaga, bem, ela é feia mesmo, mas era possível uma melhorada. Pelo que vejo, ela muda muito e deve gostar de “vestir” várias pessoas a cada instante.

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