Ao colecionador importa ter. Seu prazer reside na posse. O grupo Folha lançou uma série de CDs de Antônio Carlos Jobim. É um “complete” dele. São em formato de um livrinho, com capa dura. Saem do padrão dos “jewel box”, o que dificulta guardá-los com o restante de nossos CDs.
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| Marina Lima é o destaque de Tom no Feminino |
Em Tom no Feminino estão intérpretes ligados ao repertório bossanovista como Sylvia Telles, Dolores Duran, Joyce e Leila Pinheiro. Até aí, tudo bem: você as conhece. Outras, certamente, você não comprou aquele CD só porque tem uma música do Jobim. São essas as que interessam. Como, por exemplo, Elza Soares cantando Só Danço Samba, Teu Castigo, por Dalva de Oliveira. Alguém conhece? É uma gravação de 1955, com arranjo do próprio Jobim, antes da explosão da bossa nova. O compositor era contratado da gravadora EMI como arranjador.
Tenho Teu Castigo em uma caixa com quatro CDs com o melhor de Dalva, lançado especialmente como brinde que a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) distribuiu aos seus fornecedores. Brindes são uma coisa estranha, pois quem os recebe nem sempre se contenta. É pior do que presente. Por essa razão tenho a caixa. Quem ganhou não gostava nem um pouco de Dalva de Oliveira. O mesmo aconteceu com uma caixa especial com quatro discos essenciais de Clementina de Jesus, distribuída pela Petrobras, que o amigo e jornalista da Empresa, Carlos Grandin, na época em que fora distribuída, me arrumou.
Outra que poderia ser considerada “não bossa nova”, apesar de, ironicamente ser a intérprete de um dos primeiros álbuns “bossa nova”, o clássico Canção do Amor Demais, pelo pequeno selo Festa, com arranjos de Jobim e participação de João Gilberto, é Elizete Cardoso. No projeto inicial, o jornalista Irineu Garcia, que fundou a Festa para gravar poetas brasileiros, queria Dolores Duran, amiga de Vinícius de Moraes e de Tom. Ela não deu muita pelota porque não queria dividir parcerias alheias, já que era compositora também. Elizete era contratada do selo Copacabana, importante gravadora na época, mas depois de uma negociação, foi a escolhida. João Gilberto, que tocaria violão nas gravações, não gostou da escolha: detestava o vibrato da cantora. Terminou por topar. Canção do Amor Demais, com tiragem inicial de 2 mil exemplares, tinha tudo para virar encalhe. Aconteceu o contrário. Virou raridade disputada por colecionadores. O disco de Elizete precede ao lançamento de Chega de Saudade, em disco 78 rpm, de João Gilberto, que é considerado o marco inicial da bossa nova. Na coleção da Folha, a faixa escolhida foi Aula de Matemática, que não faz parte de Canção do Amor Demais.
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| Capa do LP de Norma Bengell, lançado em 1959 |
Norma Bengell gravou um disco – Ooooooh! Norma – em 1959, muito bom. Gravou outros, mas este é o melhor. A capa é um deslumbre. Aproveitaram a onda e Norma faz um estilo sensual de cantar, meio Julie London. Fora do Brasil, estrelas que faziam o gênero “pin-up”, como Brigitte Bardot e Marilyn Monroe também gravaram seus discos. Além de Bengell, outra atriz se aventurou pela música. Odette Lara canta uma versão matadora de Samba em Prelúdio, em Vinícius e Odette Lara, lançado em 1963 pela Elenco.
O maior destaque é Eu Sei Que Vou Te Amar, com Marina Lima. É uma intérprete maior: imprime seu estilo, como sempre. Esta canção está em Abrigo (1995). No mesmo disco, canta também, de Jobim, Samba do Avião.
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Ouça – não está no CD lançado pela Folha – Garota de Ipanema. É outra grande leitura de Marina Lima.
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