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| Without a Net, de Wayne Shorter é o melhor do ano |
1. Wayne Shorter Quartet, Without a Net (Blue Note)
2. Wadada Leo Smith, Ten Freedom Summers (Cuneiform)
3. Sam Rivers/ Dave Holland/ Barry Altschull, Reunion: Live in New York (PI)
4. Joe Lovano, Cross Culture (Blue Note)
5. Charles Lloyd & Jason Moran, Hagar’s Song (ECM)
6. Ryan Tuesdell, Centennial: Newly Discovered Works of Gil Evans (ArtistShare)
7. Branford Marsalis Quartet, Four MFs Playin’ Tunes
8. Kurt Rosenwinkel, Star of Jupiter (WomMusic)
9. Christian Scott, Christian aTunde Adjuah (Concord)
10. Neneh Cherry/ The Thing, The Cherry Thing (Smalltown Supersound)
Dos 30 listados, alguns destaques:
Anat Cohen, Chiaroscuro (Anzic)
Fred Hersch Trio, Alive at the Village Vanguard
Pat Metheny, Unity Band (Nonesuch)
Lee Konitz, Bill Frisell, Gary Peacock, Joey Baron, Enfant Terribles (Half Note)
Chick Corea, Gary Burton, Hot House (Concord)
Chris Potter, The Sirens (ECM)
Return to Forever, The Mothership Returns (Egle Rock)
Theo Bleckmann, Hello Earth (The Music of Kate Bush) (Winter & Winter)
Without a Net é o primeiro álbum do retorno de Wayne Shorter à gravadora que o revelou, a Blue Note. É um registro ao vivo em que tem como parceiros Danilo Perez no piano, John Patitucci no baixo e Brian Blade na bateria. Shorter gravou o primeiro solo em 1959 e passou por fases importantes do jazz. Fez parte do lendário quinteto de Miles Davis, que tinha Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams. Criou, com Joe Zawinul, uma das melhores bandas de jazz fusion da história. Depois do fim do Weather Report, como líder, gravou alguns álbuns pela Verve, mas nenhum é de fato marcante. O penúltimo, lançado em 2005, Beyond the Sound Barrier, é um disco meio estranho, apesar da crítica tê-lo recebido bem. Without a Net é meio parecido, no entanto, é mais coeso. Uma coisa é ser considerado o melhor do ano e outra é ser um dos melhores. No show, a plateia não sabe a hora que pode aplaudir, enquanto os músicos soltam “ais” e interjeições demonstrando prazer em tocar. Blade é um baterista diferenciado: menos percussivo é o baterista das sutilezas, de toques abstratos. Perez e Pattitucci são bons e com bastante estrada e Wayne, desse nem se fala: passou por grandes fases.
Há uma certa benevolência com músicos mais velhos que continuam na ativa. São muitos até: Charles Lloyd, Sonny Rollins, Houston Person, Phil Woods e Frank Wess (com 91 anos, atualmente, gravou seu último disco em 2009 com Hank Jones, falecido dois meses antes de completar 92), citando apenas os saxofonistas. É compreensível e, os citados acima, por exemplo, se têm menos fôlego, como Woods, são como os sábios. Esta é a razão, a meu ver, de Without a Net ter sido considerado o melhor.
Ten Freedom Summers, de Wadada Leo Smith, que ficou em segundo, é mais interessante que o disco de Shorter. É um álbum conceitual, um projeto ambicioso com mais de quatro horas de música; mesmo o que ficou em terceiro: a reunião estelar de Sam Rivers, Dave Holland e Barry Altschull, em Nova York. Mas é aquela história: lendas são lendas. Shorter ainda surpreende. Prestes a completar 80 ano, executa uma música quase free em interessantes improvisos. É difícil comparar o que faz agora com o que fez antes com tanta genialidade e criatividade. Outro muito bom, mesmo não sendo superior aos de sua banda, é Hagar’s Song, de Charles Lloyd, em duo com o pianista Jason Moran.
Do restante, até o décimo, muito bom é o do trompetista Christian Scott com seu Christian aTunde Adjuah (deve ser o novo nome dele). Tem uma instrumentação interessante, com a guitarra discreta e belos achados sonoros de Matthew Stevens e Lawrence Fields no piano, no cravo e no Fender Rhodes. Cross Culture, de Joe Lovano e seu US Five é bom, mas não tanto quanto o anterior Bird Songs. O mesmo se aplica a Four MFs Playin’ Tunes, do quarteto de Branford Marsalis. O de Ryan Tuesdell – Centennial: Newly Discovered Works of Gil Evans – é bom e é prato cheio para os fãs do arranjador que ficou célebre quando gravou com Miles Davis. O de Kurt Rosenwinkel – Stars of Jupiter – é meio chato, com vocalises um tanto irritantes. O guitarrista já fez coisa melhor. Finalmente, The Cherry Thing, de Neneh Cherry. O dado relevante é que Neneh tem esse sobrenome por ser enteada de Don Cherry, que se revelou na banda de Ornette Coleman. Nasceu na Suécia, e o pai biológico também era músico, natural de Serra Leoa. Tem a música no sangue. Ficou conhecida com o interessante Raw Like a Sushi. Apesar do pai e do padrasto, seguiu uma trilha mais voltada ao pop. Em The Cherry Thing, canta com músicos escandinavos. É um álbum com base jazzística – saxofone, baixo e bateria. O destaque é o saxofone barítono de Mats Gustafsson. Como o de Shorter, em primeiro, o de Cherry é o décimo, mas entre os que listei como destaques dos vinte restantes, muitos poderiam estar em colocação melhor do que o dela: Siren, de Chris Potter, e Chiaroscuro, de Anat Cohen são bem melhores.
Veja uma performance do quarteto de Wayne Shorter.
Ouça Plaza Real, composição da época do Weather Report.
Ouça Stary Night.

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