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| A capa de American Soul, de Mick Hucknall |
Por gravadoras independentes como a Factory, Rough Trade, Beggars Banquet e a 4AD, foram revelados grupos que mudaram a cara da música popular: Durutti Column, Dead Can Dance, The Smiths, A Certain Ratio, Joy Division e The Fall eram alguns deles. O Simply Red era mais mainstream que as bandas citadas. O disco de estreia saiu pela major Elektra, do grupo Warner. As influências das canções e da interpretação de Hucknall vinham da soul music e dos discos da Stax e Motown. Era um branco com alma negra, se me permitem uma expressão preconceituosa e incorreta. A seção de metais era fenomenal, bem no estilo Stax.
Emplacaram sucessos como a lenta Holding Back the Years e a Come to My Aid, primeira faixa do álbum. Gravaram o melhor Heaven, depois, é claro, do original dos Talking Heads (ouça em http://bit.ly/173tuzX a dos TH, de Mick Hucknall e Jimmy Scott), e um bom Money’s Too Tight (To Mention), dos Valentine Brothers. Depois de um primeiro disco espetacular, os próximos foram ficando chatos, na minha opinião. Fez bastante sucesso a versão de Everytime We Say Goodbye, de Cole Porter.
Bom, acabou o Simply Red ou, como diria Nelson Sargento, agoniza mas não morre. É uma característica dos tempos contemporâneos. As bandas não acabam. Hibernam. Reúnem-se, fazem alguns shows, levantam um dinheirinho e correm de volta para as suas casas para cuidarem da família.
No ano passado, Mick Hucknal lançou um disco solo chamado American Soul. É um título perfeito para o tipo de música que mais influenciou o pouco menos ruivo – não sei tinge os cabelos – e que se coaduna bem com sua voz e estilo. Estão incluídos clássicos do rhythm’n’blues, soul music, canções em sua maioria dos anos 1950 a 60. A mais antiga é um standard de Harry Warren e Al Dubin: I Only Have Eyes for You, de 1934.
A primeira faixa é That’s How Strong My Love Is, de Roosevelt Jamison, de 1964. Apesar de o tom ser mais para os “torch songs” no original, Hucknall imprime um ritmo menos pesado, assim como o faz na segunda, Turn Back the Hands of Time, de Tyrone Davis, de 1968. Começa a melhorar na terceira faixa. I Would Rather Go Blind é uma grande música. Esta música que foi gravada pela primeira vez, se não me engano, por Etta James, em 1967, foi cantada por Rod Stewart no álbum Never a Dull Moment (Mercury, 1972). Agora, as comparações: Rod dá um banho. Vale a comparação pois os dois ingleses se destacam por possuírem vozes muito diferenciadas… e boas. Da mesma forma, Otis Redding dá de goleada interpretando That’s How Strong My Love Is.
Veja Mick cantando That’s How Strong My Love Is.
Mick canta I’d Rather Go Blind.
Lonely Avenue, de 1956, conhecida na voz de Ray Charles, é um das boas do American Soul. A seguinte, boa interpretação, é o clássico de Harry Warren. A seguinte – Tell It Likes This – é morna, e Baby What You Want Me to Do é cantada em ritmo rockabilly light. The Girl That Radiates That Charm, de Arthur Alexander, de 1960, é uma delícia, com bela seção de metais, guitarras vintages e órgão de fundo. Let Me Down Easy também é bacana. No fim, é um disco agradabilíssimo se, simplesmente, queremos ouvir algo agradável, sem muitas caraminholas críticas.
Quando chega a vez de Don’t Let Me Be Misunderstood, uma nova comparação é inevitável, e com pesos pesados, de novo. A de Nina Simone é considerada a melhor. Não serei eu a ousar dizer que a de Eric Burdon, com The Animals, é a melhor. Mas é páreo para a de Nina. Hucknall também não faz feio não.
Veja-o cantando Don’t Let Me Be Misunderstood.
Aí chega a vez do Hucknall pular para o bolero. It’s Impossible, por muitos, na verdade, é um clássico conhecido na voz de Perry Como. A original é do grande Armando Manzanero. Até Elvis Presley gravou. Na última, Mick estraçalha. É o tema mais recente. Hope There’s Someone é de Antony Hegarty, do Anthony and The Jonhsons (sobre ele, leia http://bit.ly/OCkQyK e http://bit.ly/10Utk8t). A original é maravilhosa e a de Hucknall também.
Veja Antony cantando Hope There’s Someone.
Ouça a de Mick Hucknall.

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