Até os onze anos morei em Passos, MG. Na minha infância ouvia Tonico e Tinoco, Miguel Acevez Mejía, Agnaldo Timóteo e Elvis Presley, os preferidos da Elsa, que era a empregada doméstica – era assim que eram designadas naquele tempo. Meus pais vinham a São Paulo com frequência, mais meu pai que tinha que vir para comprar materiais para a sua loja de fotografia.
Nas vezes em que minha mãe o acompanhava sempre vinha com novidades fonográficas. Trazia discos (chamados compactos simples, em que cabiam apenas duas músicas, uma em cada lado dos disquinhos). Assim, meu gosto foi ficando mais sofisticado. Não sei se ela pedia recomendação nas lojas, mas trazia os sucessos da época: Wanderley Cardoso, Ronnie Von e Chico Buarque, que fez o maior sucesso em um dos primeiros festivais da TV Record com “A Banda”. Ah, não posso deixar de citar Roberto Carlos. A televisão não tinha chegado em Passos, mesmo assim comprava semanalmente a revista “Intervalo” e ficava sonhando com o dia em que me pai comprasse uma. Na revista, na parada de sucessos musicais, o destaque eram os Beatles, de quem não fazia a menor ideia do que tocavam.
Pensando na educação dos filhos, meu pai, quando terminei o primário, que eram os primeiros anos do antigo primeiro grau, com o dinheiro que ganhou, construiu um sobrado em que a loja ficava no térreo e casa no outro pavimento em um bairro da periferia de São Paulo, onde dois de seus irmãos tinham se estabelecido.
Desse início em São Paulo, em poucos anos ele montou uma loja em um lugar melhor, o Brooklin Paulista e prosperou. Comprou um terreno no bairro do Morumbi e construiu uma nova casa.
Bom comerciante, em pouco tempos “engoliu” seus dois concorrentes na região. A Foto Yokoyama virou “a loja do Brooklin”. Executivos da Volkswagen, Alpargatas, Casas Pernambucanas eram seus clientes, moradores da parte rica do bairro. Algumas figuras mais conhecidas moravam lá também e se tornaram clientes, dentre eles, Rivellino e alguns astros da música: Agnaldo Rayol, seu irmão Reynaldo Rayol, Marcos Roberto e Marcos Fridman, esse últimos que apareciam eventualmente no programa Jovem Guarda, de Roberto e Erasmo Carlos.
Um pequeno parágrafo antes de chegar ao último. Agnaldo Rayol era o representante, digamos, da música brega, comparando-o com Ronnie Von e Roberto Carlos. Fizera o maior sucesso com “A Praia”. Foi tanto que saiu até um disquinho promocional da pasta de dentes Kolynos. Aposto que quem nasceu em meados dos anos 1950 deve ter tido esse compacto simples, brinde que você ganhava ao comprar o dentifrício.
Bem, chegando onde eu queria chegar. O Agnaldo Rayol ia fazer uma viagem ao exterior e precisava tirar a foto 5x7 para o passaporte. Ligaram para a loja avisando que ele ia em um horário determinado, sabe, tipo estrela mesmo. Naquela época fãs atacavam seus ídolos, rasgavam suas roupas etc. Evidente que meu pai nos avisou e, estávamos todos lá, minha mãe e meus irmãos. Entra ele todo bem vestido, com óculos escuros maior que a cara dele, tira a foto e vai embora. Esse foi o meu único e derradeiro encontro com o Agnaldo Rayol.
Ouça “A Praia”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário