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| Carlos Barbosa-Lima e Larry Del Casale |
O Brasil não sai de Carlos Barbosa-Lima. O violonista, virtuose, começou tocando criança ainda. Em um país com tantos gênios nesse instrumento, mas pela seara da música popular, como Baden Powell, Dilermando Reis, Raphael Rabello, Laurindo de Almeida e tantos outros, Barbosa-Lima, pela formação, foi talhado para seguir carreira na música erudita. Ele, no entanto, passou a incluir não apenas peças de Villa-Lobos e Ernesto Nazareth entre as de Fauré, Ravel, Bach, Scarlatti ou Debussy, mas de compositores da música popular, como Ary Barroso, Dilermando Reis e Antônio Carlos Jobim. Em outras palavras, tirou o smoking e passou a vestir camisas coloridas e e proteger a calva com chapéus panamá.
Antes de seguir, devo citar os irmãos Natalício e Antenor Lima que ficaram conhecidos internacionalmente como Los Indios Tabajaras, a partir da década de 1950. Os dois, cujos nomes originais eram Mucaparê e Erundi, legítimos índios da tribo tabajara, saíram do Nordeste e foram parar no Rio de Janeiro. Gravaram seus primeiros discos na antiga Continental, excursionaram por alguns países da América do Sul e foram parar nos Estados Unidos. Deram tão certo que chegaram a vender um milhão de cópias com o foxtrot “Maria Helena”, na América do Norte. Fizeram tanto sucesso, que excursionaram por vários países da Europa e Ásia também. Geniais no violão, além de ritmos latinos e brasileiros, em suas apresentações, entremeavam peças do repertório erudito.
Barbosa-Lima ainda vestia smoking quando gravou “Plays the Music of Antônio Carlos Jobim and George Gershwin”, pelo selo Concord, em 1982, mesmo incluindo canções do repertório popular, como nesse álbum. Jobim, que o conheceu nos EUA, disse: “Nas mãos de Barbosa-Lima, o violão se transforma em uma orquestra”. No centenário da proclamação da República, apresentou no Wigmore Hall, o programa “Music for Americas”, incluindo Pixinguinha, Ary Barroso e João Pernambuco, dentre outros. Virou outro disco, lançado pela mesma Concord.
Posteriormente, pela Zoho Records, lançou álbuns privilegiando também números do repertório latino, como “Perfume de Gardenia”, “Frenesi”, “Siboney”, “Solamente Una Vez”, “Drume Negrita” e “Perfidia”. Botou o smoking no armário para nunca mais tirá-lo de lá.
Em sua incursão mais recente pelas veredas tropicais, Barbosa-Lima acaba de lançar “Delicado”, dedicando-se apenas ao repertório do cancioneiro brasileiro, com seus compatriotas Helio Alves, Nilson Matta e Duduka da Fonseca, e mais o violão de Larry Del Casale. Nele, só ou acompanhado toca Jobim, Bonfá, Baden Powell, Ary Barroso, Waldir Azevedo, Ernesto Nazaré, João Pernambuco, Noel Rosa, Haroldo Lobo e Nilton Tristeza.
Ouça o álbum “Delicado”.
Caso, prefira, vá direto no Spotify.
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