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| Retrato de uma jovem artista |
Tinha 14 anos quando se apresentou pela primeira vez em público. Nos anos 1950, as novidades chegavam pelas ondas sonoras dos rádios. Em Providence, Rhode Island, eram dois os disc jockeys locais. Eram os heróis de Carol. Conheceu um deles, Charlie Jefferds, com quem se casou, aos 18 anos.
Mudaram-se para o Colorado e depois foram morar na Alemanha. Na base que os americanos tinham, um general queria montar Kiss Me Kate. Carol participou do musical. Em 1958, estava de volta aos EUA, divorciada. Tinha decidido que queria tornar-se cantora profissional. A estreia foi em um clube de New Bedford ou Fall River, MA, não se lembra mais em qual. Um senhor chamado Bob Bonis apresentou-se dizendo que era road manager da Les and Larry Elgart Orchestra. Disse que precisavam de uma cantora e perguntou-lhe se queria fazer um teste. Ofereceu-se para levá-la. Receosa, porque Bob era grande qual um boxeador, disse que iria em outro dia.
Fez o teste, afinal, e foi aprovada. Les e Larry tinham personalidades muito diferentes. Separaram-se. Carol seguiu com Larry e ficou dois anos como crooner de sua orquestra. Resolveu adotar o nome artístico de Carol Van. Larry não gostava e a cada apresentação dava-lhe um nome diferente. Achou que “Sloan” era um bom nome. Ela acrescentou um “e” e aí nasceu Carol Sloane.
Carol canta no Village Vanguard
O tempo das grandes orquestras estava acabando. No fim dos anos 1950, iniciava-se a onda do rock’n’roll. Saiu da banda de Elgart e, em Nova York, para sobreviver, começou a trabalhar de secretária, mas não perdeu contato com Bob Bonis. Ele também tinha deixado a banda e passou a trabalhar na agência de talentos de Willard Alexander. Bob arrumou uma apresentação no festival de jazz em Pittsburg. Seria a primeira a subir no palco na se noite de sexta. Jon Hendricks, da Lambert, Hendricks and Ross, que estava lá, convidou-a para ser a substituta eventual de Annie Ross. Ela, depois de voltar do trabalho sempre colocava The Hottest New Group in Jazz na vitrola. Conhecia de cor o disco. Não seria tarefa difícil. Ao ser convidada para uma temporada de duas semanas em um clube da Filadélfia, declinou do convite. Não poderia se ausentar por duas semanas no escritório em que trabalhava como secretária.
Em abril de 1961, Lambert, Hendricks and Ross iria apresentar-se no Village Vanguard. Carol estava lá. Foi convidada a subir no palco e cantar com Gildo Mahones, Ike Isaacs e Jimmy Wormsworth, trio que acompanhava o grupo vocal. Não se lembra o que cantou. Mas foi a primeira vez em que subiu ao palco do lendário Village.
Carol canta em Newport e lança seu primeiro álbum
Sid Bernstein, que estava produzindo o festival de Newport, que naquele ano, chamou-se Music at Newport, ouviu de Jon Hendricks a sugestão de convidar Carol. Ela fez parte do New Stars of ’61. Na hora da apresentação, perto da hora do jantar, a plateia era relativamente pequena, para a sua má sorte. Resolveu cantar Little Girl Blue, mas Gildo Mahones, que a acompanhava ao piano, tinha se esquecido das primeiras notas da canção. Sloane cantou à capella. A boa sorte foi a de que vários top critics, como John Wilson e George Simon estavam na plateia. Sid convidou-a para repetir a performance na última noite do festival. Sairam várias matérias falando de uma cantora desconhecida que cantou Little Girl Blue à capella.
Max a convidou para cantar no Village, com Oscar Peterson ao piano. Todos queriam conhecer a tal cantora de que a imprensa tinha comentado. Para a tristeza de Sloane, Oscar não parecia nem um pouco impressionado com ela. Terminava de cantar algum standard, olhava para o pianista e sua cara era sempre a mesma: sem expressão. Farta de cantar e não perceber alguma reação de Peterson, uma noite, cantou alguma música de forma mais straight. Quando terminou, ele estava entusiasmado e a aplaudia. Foi uma grande lição. Passou a florear menos os vocais. O padrão era o de que cantoras de jazz deveriam fazer scats. Não era o que Carol mais gostava de fazer. Valeu o entusiasmo de Peterson.
Carol foi convidada a gravar seu primeiro álbum pela Columbia. Out of the Blue era um grande disco de estreia. Na banda organizada por Bill Finnegan, estavam Clark Terry e Nick Travis nos trompetes, Barry Galbraith e Jim Hall nas guitarras, Bob Brookmeyer no trombone, George Duvivier no contrabaixo e Art Davis na bateria. Não estava acreditando.
No ano seguinte, 1962, gravou Live at 30th. Street, pela mesma gravadora. O line up era bom: Bill Rubenstein (piano), Bucky Pizzarelli (guitarra); George Duvivier (baixo), Sol Gubin (bateria). Tanto o primeiro como o segundo eram bons discos. Nem parecia que era uma estreante.
Ouça Little Girl Blue.
Ouça In a Sentimental Mood, do álbum Live at 30th Street.
Na segunda parte, Carol Sloane toca com Ben Webster, Coleman Hawkins e ciceroneia os Rolling Stones na primeira ida aos EUA da banda. Aguarde.

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