terça-feira, 1 de setembro de 2015

Um apetitoso duo de Laura Theodore e Joe Beck

Laura Theodore é um dessas pessoas que o saudoso Cláudio Coutinho, capitão do Exército brasileiro, técnico da seleção brasileira, classificaria como polivalente. Laura tem um programa de TV na PBS americana chamado Jazzy Vegetarian. Ela é chef vegan, a vertente mais radical. Tem um programa de rádio chamado Jazzy Vegetarian Radio e é autora de livros relacionados à culinária vegan. Foi atriz de musicais e num deles, em que ganhou até prêmio, fazia o papel de Janis Joplin. E mais: canta. Só não planta bananeira.

Costuma-se dizer que quem faz muitas coisas diferentes não faz nada direito. Não parece o caso dessa loira que antes de optar pelo jazz foi até cantora de uma banda de rock. Com tantas atividades, seu lado cantora é bem menos popular do que sua faceta chef vegan. É só pesquisar no mr. Google. Assim mesmo, tem cinco ou seis álbuns gravados, um deles com o (muito bom) guitarrista Joe Beck. É o álbum Golden Earrings, lançado em 2009. Sem conhecer direito Laura, meu impulso de ouvir partiu da curiosidade de ouvir Joe Beck em duo com uma cantora.

Para início de conversa, Joe estava afiado. Sempre foi um grande guitarrista, sem ter ficado conhecido como Pat Metheny ou Pat Martino. Golden Earrings é especial por uma razão triste: foi o último álbum que conta com sua participação; pouco tempo depois, morreu em conseqüência de um câncer na garganta, dias antes da data em que faria 63 anos. É menos especial por Laura, o que não quer dizer que seja má cantora. Pelo contrário: canta muito bem, mas não é nenhuma Sarah Vaughan. 

A voz de Laura lembra vagamente a de Marianne Faithfull com menos drogas e cigarros, produtos que devem ser evitados pelos adeptos da alimentação vegana. O que, já na primeira audição, fica evidente que se sente muito à vontade em soltar a voz. Possui uma certa dramaticidade, como na faixa Johnny Guitar, de colorações expressionistas. Não faz feio também em Why Don’t You Do Right, a faixa seguinte, acompanhada por um belo violão de Beck. 

Ouça Johnny Guitar.



Não acerta tanto a mão em Take a Little to Smile. Já em Fever, manda bem. Aliás, esta é uma música importante, pois o álbum fora concebido pensando-se nos duos da grande Peggy Lee com o marido guitarrista Dave Barbour. As próximas são My Small Señor, I Get Along Without You Very Well e a linda Don’t Smoke in Bed, eternizada por Nina Simone e que possui um interpretação especial de kd lang. A de Theodore não é melhor do que as duas, mas merece ser conhecida.



As canções que completam o álbum são I Can’t Believe That You’re in Love with Me, Solitude, Everything Is Moving Too Fast, When You Speak with Your Eyes, Golden Earrings, I Don’t Know Enough About You, What More Can a Woman Do? e Mañana. Dessas, o destaque é a música título.



Por esse álbum, Laura Theodore recebeu boas críticas da JazzTimes, Jazz Review e Los Angeles Jazz Scene. Resumo da história: Joe Beck era bem melhor que Dave Barbour e Laura Theodore, pior que Peggy Lee.

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