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| Aquarela de Julius Bissier |
Houve um tempo em que gostar de Satie era o máximo. Acho que ainda é. Mas, perto das composições de Debussy e Ravel, suas composições soam um tanto primárias e muito pouco “vanguarda” perto de peças como La cathédrale engloutie, do compositor de Jeux. Ser considerado um dos precursores do minimalismo é outra coisa que escrevem sobre Satie. Pode ser. Na minha opinião, faço questão de ressaltar, não é minimalismo: é singeleza, se existe esse estilo, ou até mais, se existe essa expressão em português.
É por essa singeleza que reside a grandeza de Satie. Que belas peças curtas e mínimas como as Gnossiennes ou as Gymnopédies! São suas obras primas e estão entre as minhas preferidas de todo o repertório popular ou erudito. São demonstrações de que não é necessário complexidade para se atingir a beleza. Talvez, quem sabe, o sublime esteja nos poucos elementos, e isso pode ser, genericamente, o “minimalismo” e não a da música de Steve Reich ou de Philip Glass, a beleza suprema da arte, como em uma pintura de Barnett Newman, ou na “singeleza” – de novo a expressão – de um trabalho de Julius Bissier.
Audições
Os meus “gnossiennes” e “gymnopédies” preferidos até hoje, quem sabe, porque foi a primeira, são os de Reinbert de Leeuw.
Ouça a Gnossiènne no.1 com ele.
Ouça a Gymnopédie no.1 com o mesmo pianista.
Dentre as mais recentes, e já que falamos de inoconoclastia também, uma boa é a da “iconoclasta” – nem tão iconoclasta aqui – Joanna McGregor. Ouça a Gymnopédie no.1.
As Gymnopédies foram orquestradas por Claude Debussy. Nada como ele para dar um colorido especial a essas obras. Ouça aqui com interpretação da Orpheus Chamber Orchestra.
Elas serviram a uma variedade enorme de interpretações com outros instrumentos. Ouça esta da Royal Philharmonic Orchestra, com Ophelie Gaillard no violoncelo.
A Gnossienne no.3 no acordeon, com Richard Galliano.
E, finalmente, a razão de ter lembrado de Erik Satie: Lavinia Meijer. Em seu CD Voyage (Sony, 2015), Meijer explora o repertório impressionista de Satie e Debussy. Ouça a Gnossienne no.2.
Bônus: veja Lavinia Meijer executando Clair de lune, de Debussy.

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