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| Jim Morrison e sua primeira ficha policial |
O fato é que morrer velhinho não é garantia de nada em relação ao que um cara talentoso como Morrison poderia estar fazendo com 70 anos. Ele é do “grupo dos 27”, ou seja, aqueles que morreram aos 27: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones e, mais recentemente, Kurt Cobain, líder do Nirvana, e Amy Winehouse. Hendrix e Janis estavam à toda quando morreram. Suas mortes parecem ter sido acidentes de percurso. O caso de Jones é um tanto estranho. Colocaram até a culpa sobre Mick Jagger e Keith Richards, seus companheiros de banda.
O álcool e as drogas estavam atrapalhando bem a vida de Amy, pouco antes de morrer. Jim Morrison, aparentemente, estava num estado que nos faz pensar que, vivo ou morto, estava morto. Deixou crescer a barba, tinha engordado, e, dizem, impotente. Está enterrado no Père-Lachaise, Paris, muito bem acompanhado por Balzac, Oscar Wilde e Marcel Proust.
A morte precoce do artista faz parte do ideário romântico. Werther, personagem criado pelo Goethe da primeira fase, é o símbolo da ideia do irrealizado, do amor impossível. Sabe-se de muitos leitores que se suicidaram, naquela época. Um dos mestres do romantismo na música, Franz Schubert, compôs centenas de lieder, alguns com versos do escritor. No imaginário geral, o romântico morre jovem, de tuberculose. Era bonito morrer desse mal.
Não foi o caso de Schubert. Seu exemplo foge bem desse ideário. Nascido em em 1797, morreu com 31 anos. Mas não foi por amor nem de tuberculose. Dependendo do ponto de vista, pode até ter sido por amor, pois a sífilis, normalmente, é transmitida por vias sexuais.
Schubert viveu uns quatro anos a mais que Jim Morrison e produziu infinitamente mais. Só de lieder (canções com letras) compôs cerca de 600, fora trios, quartetos e quintetos maravilhosos e sonatas para o piano sublimes.
Ouça Die Liebe hat gelogen, um dos lieder mais belos de Schubert com Elly Ameling. É muito bom.
Mesmo assim, em vida Morrison foi um acontecimento. Afrontou o establishment de maneira mais acintosa que seus contemporâneos Janis Joplin e Jimi Hendrix. Desafiou a autoridade policial com discursos e atitudes desafiadoras. Teve apresentações interrompidas pela polícia e foi preso mais de uma vez. Morrison possuía beleza apolínea, mas tinha Dionísio e o diabo no corpo. No fim da vida deixou-se ficar gordo e deixou crescer a barba. Foi mais uma negação ao establishment.
No total, são seis álbuns. Depois da morte de Morrison, os remanescentes continuaram por um tempo. Sem ele, The Doors virou nada. Gravaram dois discos que cairam no ocaso. Agora, no fim de 2013, depois da morte de mais um “doors” – Ray Manzarek – voltaram a se reunir, depois de uma longa batalha judicial pelos direitos do nome “The Doors”. O baterista John Densmore, no início deste século, não gostou nem um pouco quando Manzarek e o guitarrista Robby Krieger se apresentaram com o nome original da banda.
Qual é o melhor de todos? Cada um tem sua preferência. Para mim, é Strange Days. Por coincidência – ou não –, foi o primeiro deles que comprei.
Ouça a música título.
You're Lost Little Girl, a segunda, é excepcional também.

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