terça-feira, 2 de abril de 2013

As mil faces de Dudley Moore

Dudley e o parceiro e amigo Peter Cook
Sendo um legítimo filho da “working class” britânica (mãe secretária e pai operário ferroviário), nascido com uma deformidade no pé que o levou a se submeter a várias cirurgias, Dudley Moore tinha tudo para dar errado na vida. Sofrendo de “bullyng” por conta do problema físico, baixa estatura – adulto, não tinha 1,60 m –, “refugiou”-se no coro da Igreja e lá teve suas primeiras lições de piano e violino. Aos 14, era o organista oficial.

Moore poderia ter seguido a carreira de músico de jazz ou ter sido um virtuose no piano (mostrou seus talentos na série Orchestra!, realizado para a BBC, em 1991, com o maestro Georg Solti), mas o destino o empurrou em outra direção.

Dividindo com o melhor amigo, Peter Cook, fizeram programas humorísticos de muito sucesso na TV inglesa e tornou-se conhecido mesmo em outras paragens. Foi parar em Hollywood e ficou marcado como protagonista de Arthur, o Milionário.

Paralelamente, nunca deixou de tocar em clubes de jazz. Exibia seus dotes musicais eventualmente em concertos de música erudita. Fez programas de “iniciação” musical – com o propósito de ampliar o conhecimento musical do público geral – com o maestro húngaro Solti, como foi dito no parágrafo anterior –, e, depois, mais ou menos nos mesmos moldes, realizou uma série chamada Concerto!, com o maestro americano Michael Tilson Thomas. Essas programas – desconheço se estão disponíveis no YouTube – eram interessantíssimos e, tanto Solti como Thomas eram (é, porque está vivo, no caso do último) personalidades carismáticas e exuberantes e, aliando talento e conhecimento sobre música de Moore, eram instrutivos e educativos sem serem como certos programas culturais.

Se o destino foi generoso com Dudley inicialmente, depois, deixou de ser. Foi diagnosticado que sofria de paralisia supranuclear progressiva (PRP), doença degenerativa sem cura conhecida. Chegaram a dizer que Dudley estava agindo de maneira estranha ou estava embriagado quando, na verdade, apresentava os primeiros sinais da enfermidade. Em 2001 viu seu trabalho em prol da cultura reconhecido ao receber a Ordem do Império Britânico das mãos da rainha Elisabeth. Foi recebê-lo no Palácio de Buckingham em uma cadeira de rodas.

Dudley Moore, como o amigo Alberico Cilento, adorava Erroll Garner. Era sua maior influência, junto com Oscar Peterson. Como músico tocou na banda de John Dankworth e acompanhou Cleo Laine. Ouça uma amostra do Moore músico em Yesterdays, com Peter Morgan no baixo e Chris Karan na bateria.


Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.

Veja Moore, bem jovem, interpretando Just in Time.




Veja-o tocando um medley com canções de Gershwin.




Veja um trecho de Orchestra!, com Georg Solti e Dudley Moore. Ele toca um trecho de Música para Cordas, Percussão e celesta, de Béla Bartók.

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